Aos 91 anos, idosa que foi analfabeta até os 85 conclui ensino médio e ganha bolsa para faculdade, tornando-se um dos maiores símbolos da educação tardia no Brasil.
Em março de 2025, uma reportagem publicada pelo portal Só Notícia Boa ganhou enorme repercussão ao contar a história de Iolanda Ribeiro Conti, uma idosa de 91 anos que rompeu uma vida inteira de barreiras educacionais e sociais. Depois de ter passado mais de oito décadas sem saber ler e escrever, ela concluiu o ensino médio, tornou-se referência nacional em educação para idosos e ainda recebeu uma bolsa integral para ingressar na faculdade.
A história impressionou por reunir elementos raros: analfabetismo extremo, início tardio na vida escolar, avanço acelerado, conclusão do ensino médio e ingresso em ensino superior — tudo entre os 85 e os 91 anos de idade. Em um país onde milhões abandonam a escola antes mesmo do ensino fundamental, Iolanda se tornou uma exceção que inspira educadores, especialistas e estudantes de todas as idades.
Da alfabetização tardia à redescoberta da própria identidade
Aos 85 anos, Iolanda deu o primeiro passo em direção ao que se tornaria uma jornada extraordinária: matriculou-se em uma turma de alfabetização voltada para adultos e idosos.
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O início foi difícil. Ela lutava para reconhecer letras, formar palavras e compreender textos simples. A cada avanço, no entanto, revelava uma sede por conhecimento que surpreendia professores.

Segundo a reportagem, Iolanda afirmava que aprender a ler era como “abrir os olhos de novo”. Ela começou a escrever bilhetes, ler embalagens, identificar placas e, pela primeira vez na vida, compreender o conteúdo de documentos que antes precisavam ser explicados por outras pessoas. A alfabetização representou sua reconciliação com uma parte de si mesma que havia sido negada por décadas.
Conforme se desenvolvia, percebeu que queria ir além. Decidiu cursar o ensino fundamental. Professores relataram que ela nunca faltava às aulas, revisava tudo em casa e levava dúvidas anotadas em um caderno, com letra grande e caprichosa. Essa disciplina a levou a progredir de forma consistente.
O ensino médio e a superação de limites que pareciam impossíveis
Quando concluiu o ensino fundamental, Iolanda — já com quase 90 anos — se matriculou no ensino médio. A escolha, vista com admiração pelos educadores, mostrou que a alfabetização havia despertado nela uma capacidade de transformação profunda.
Sua rotina incluía resolver exercícios, assistir videoaulas, pedir ajuda para familiares e até praticar redação em casa. Professores destacaram à imprensa que ela demonstrava curiosidade inabalável e uma capacidade de memorização surpreendente para a idade. A cada aprovação em uma disciplina, comemorava como se estivesse reencontrando uma parte da vida perdida.
O momento decisivo veio em 2025, quando, aos 91 anos, ela finalmente concluiu o ensino médio. A cerimônia de formatura foi marcada por forte emoção. Para muitos colegas, Iolanda era mais do que uma estudante: era o símbolo vivo de que a educação pode florescer em qualquer idade.
A bolsa para faculdade e o início de um novo ciclo
O feito ganhou nova proporção quando uma instituição de ensino superior decidiu oferecer a Iolanda uma bolsa integral para iniciar o curso universitário que desejasse. A escolha da faculdade não foi apenas um prêmio, mas reconhecimento de sua persistência e da força de sua história.
Para muitos jovens brasileiros, ingressar na universidade é visto como uma formalidade da vida escolar. Para Iolanda, era a realização de um sonho que atravessou gerações. A bolsa representou a chance de entrar em um ambiente que sempre imaginou, mas jamais acreditou ser capaz de alcançar.
A reportagem destacou que a instituição fez questão de recebê-la, afirmando que “a universidade precisa de pessoas como ela, que provam que o conhecimento não tem idade”. Ao se ver diante da oportunidade, Iolanda declarou que queria estudar para “entender o mundo com seus próprios olhos”.
Impacto social e a importância da educação para idosos
O caso de Iolanda reacendeu o debate sobre inclusão educacional para pessoas idosas. No Brasil, mais de 10 milhões de brasileiros acima dos 60 anos não sabem ler e escrever, segundo dados do IBGE. A história dela expõe o abismo histórico de acesso à educação e mostra que é possível reconstruir essa trajetória, mesmo em idade muito avançada.
Especialistas em gerontologia apontam que o aprendizado tardio tem efeitos positivos na saúde cognitiva, emocional e social. A alfabetização estimula memória, atenção, raciocínio e sensação de pertencimento. Para pessoas idosas, estudar pode ser uma forma poderosa de resgatar autonomia e autoestima.
O caso também mostra como políticas públicas de Educação de Jovens e Adultos podem mudar destinos e revelar talentos escondidos por décadas. A presença de Iolanda na sala de aula motivou colegas, inspirou professores e demonstrou que a convivência entre gerações pode fortalecer laços e ampliar horizontes.
O simbolismo de uma vida inteira reescrita
A trajetória de Iolanda não é apenas uma conquista educacional. É o retrato de uma mulher que, mesmo após 85 anos de vida, decidiu reescrever sua própria história.
O impacto da alfabetização, da conclusão do ensino médio e da possibilidade de ingressar na faculdade transcende o individual. É uma mensagem de esperança e resiliência para milhões de pessoas que se sentem presas às circunstâncias do passado.
Ela provou que sonhos não envelhecem. O que envelhece é o medo, a falta de incentivo e a crença equivocada de que o tempo esgota possibilidades. Iolanda quebrou essa lógica e mostrou que a educação pode florescer em qualquer idade, basta existir coragem para começar.
Reflexão final ao leitor
Aos 91 anos, Iolanda demonstra que a educação tem poder de restaurar autoestima, abrir portas e reescrever destinos. Sua história inspira não apenas idosos, mas qualquer pessoa que acredita ter perdido o “timing” da vida escolar. Ela prova que nunca é tarde para aprender, mudar de caminho e construir um novo capítulo para si.
E você, leitor: acredita que o Brasil deveria ampliar programas de educação para idosos, garantindo que mais pessoas como Iolanda tenham a chance de transformar suas histórias?

Pena que muitas tem que esperar tanto tempo, já que há políticas de governos liberais que estão fechando as salas Mova e da EJA desde o golpe de 2017.
Sim muitas pessoas idosas não tiveram oportunidade de estudar por mais tempo
Sim, eu acredito que o Brasil precisa investir mais na pessoa idosa, a educação é uma área que tem muito a contribuir com longevidade da vida, no entanto precisa criar; uma política pública voltada para a pessoa idosa, a saúde do idoso precisa ser vista com transversalidade, a integração no mercado de trabalho tem que ser revisto, o mundo do trabalho está excluindo as pessoas com 50 anos, está é a idade do conhecimento, eu estou 71 anos, e início Bacharel em Direito no mes de agosto de 2025, concluindo o primeiro período do com excelência, quando terminar os cinco anos, vou fazer mestrado e doutorado, e seguir a carreira científica e pesquisador.