Rotina de uma idosa que mora sozinha há décadas em Copacabana revela autonomia pessoal e reflete mudança no perfil das moradias brasileiras, onde domicílios com apenas um morador crescem de forma consistente segundo dados oficiais recentes.
Dona Lulu tem 91 anos e vive sozinha em um apartamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Ela mora sem companhia há mais de cinco décadas e resume a própria escolha de forma direta: “poder fazer o que quer, quando quer, não tem preço”.
A história foi exibida pelo programa Globo Repórter e ganhou repercussão por retratar, de forma concreta, uma rotina marcada por autonomia e organização pessoal em idade avançada, em sintonia com transformações demográficas já registradas oficialmente no país.
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Morar sozinha como modo de vida consolidado
O cotidiano de dona Lulu é apresentado como simples e estruturado a partir das próprias decisões.
Morar sozinha, para ela, não aparece como improviso ou situação transitória, mas como um modo de vida consolidado ao longo de décadas no mesmo bairro.
Copacabana surge como cenário de uma rotina urbana comum, em que deslocamentos, tarefas domésticas e horários são definidos pela própria moradora, sem a necessidade de dividir decisões com outras pessoas.

Crescimento dos domicílios unipessoais no Brasil
A história individual se conecta a um dado nacional mensurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O Censo Demográfico 2022 identificou que o Brasil tinha 72,3 milhões de unidades domésticas, das quais 13,6 milhões eram ocupadas por apenas uma pessoa.
Esse número corresponde a 19,1% do total, o que significa que quase uma em cada cinco casas no país abriga somente um morador.
Trata-se de um crescimento expressivo quando comparado aos censos anteriores.
Dados do IBGE sobre quem vive sozinho
Em 2000, o Brasil registrava 4,1 milhões de domicílios unipessoais. Em 2022, esse total mais que triplicou, alcançando os 13,6 milhões.
O levantamento do IBGE mostra que essa expansão não ocorreu de forma homogênea entre as faixas etárias.
A maior parte das pessoas que vivem sozinhas no país tem 40 anos ou mais, e uma parcela significativa é composta por idosos. Segundo o instituto, 41,8% dos moradores de domicílios unipessoais em 2022 tinham 60 anos ou mais.
Idosos que moram sozinhos e a relação com autonomia

Nesse contexto, a rotina de dona Lulu se encaixa em um padrão estatístico cada vez mais presente.
A presença de idosos vivendo sozinhos deixou de ser exceção isolada e passou a integrar a configuração real das moradias brasileiras.
O que chama atenção no caso específico exibido pelo Globo Repórter é a duração desse arranjo, mantido por mais de meio século no mesmo endereço, e a forma como a moradora associa essa escolha à sensação de liberdade cotidiana.
Mulheres, envelhecimento e moradia individual
O Censo também aponta equilíbrio entre homens e mulheres nos domicílios unipessoais. Em 2022, havia 6,837 milhões de casas ocupadas por homens sozinhos e 6,784 milhões por mulheres.
A história de dona Lulu insere-se nesse recorte feminino, no qual a velhice aparece ligada à autonomia residencial e à manutenção da própria rotina, sem que isso seja apresentado como situação excepcional ou improvisada.
Mudanças na composição das famílias brasileiras
Além do crescimento dos domicílios com apenas um morador, o IBGE identificou mudanças relevantes na composição das famílias brasileiras.
Em 2022, pela primeira vez, os arranjos formados por casais com filhos deixaram de ser maioria, representando 42,0% das unidades domésticas, ante 56,4% em 2000.
Já os casais sem filhos cresceram de 13,0% para 24,1% no mesmo período. Esses dados ajudam a explicar por que morar sozinho se tornou uma realidade mais visível e socialmente reconhecida.

Liberdade cotidiana como valor central
No material exibido pelo Globo Repórter, a fala de dona Lulu funciona como síntese de um sentimento recorrente em parte desse grupo.
A valorização do controle sobre o próprio tempo e espaço aparece como elemento central da narrativa.
A reportagem apresenta a moradora como alguém satisfeita com a rotina que construiu, sem associar a condição de morar sozinha a fragilidade ou abandono, mas a uma forma de organização pessoal consolidada ao longo da vida adulta e da velhice.
História individual e tendência demográfica
Histórias desse tipo costumam gerar identificação imediata porque combinam idade avançada, cotidiano reconhecível e discurso direto sobre escolhas individuais.
Ao mesmo tempo, os números do IBGE oferecem a base objetiva que mostra que esse não é um caso isolado, mas parte de uma tendência mensurável no país.
A convivência entre o dado estatístico e o relato pessoal ajuda a compreender como mudanças demográficas se refletem em trajetórias concretas.
A matéria do Globo Repórter que retrata dona Lulu tem como título “Idosa que mora há mais de 50 anos sozinha não troca a liberdade por nada” e está disponível no Globoplay.

Acho triste, a idade deixa a gente muito fragil, queda e acidentes domesticos podem ser fatais.
Não ter ninguém pra pertubar o juízo é maravolhoso. O problema é quando começam a surgir as limitações. Para tanto, é necessário ter a qiem recorrer em.sitiaćões emergenciais. Morei sozinha e confesso que com.o tempo passei a gostar muito. Chegar em casa e encontrar tudo como deixamos, não ter conflitos, brigas, é maravilhoso. Liberdade não tem preço.
Loved this ….good for her!