Da dor silenciosa ao primeiro passo: como o luto, a perda e o vazio da ausência deram origem a uma jornada de movimento, disciplina e superação aos 77 anos
Aos 77 anos, o aposentado e avô Everton Vanderley mostra, todos os dias, que a idade não limita sonhos e que a dor pode ser transformada em força. Após perder a esposa, com quem foi casado por 25 anos, ele enfrentou o maior obstáculo de sua vida: o silêncio da ausência. No entanto, em vez de se entregar ao vazio, encontrou na corrida um novo sentido para continuar vivendo.
A informação foi divulgada em uma reportagem especial que retrata a trajetória de superação de seu Everton, mostrando como o esporte se tornou um instrumento de reconstrução emocional, física e espiritual. Segundo o conteúdo, a mudança começou após o falecimento da esposa, ocorrido em agosto do ano passado, quando o filho decidiu não deixá-lo sozinho.
Inicialmente, Everton morava em Três Corações, em Minas Gerais. Preocupado com o isolamento do pai, o filho o convidou para se mudar e, em uma conversa simples, lançou a ideia que mudaria tudo: frequentar a academia do condomínio. A sugestão parecia modesta, mas foi suficiente para acender uma chama que estava adormecida.
-
Aeroporto de Pinhalzinho receberá investimento de R$ 14,6 milhões e deve ser concluído em até um ano
-
ONU alerta para impacto ambiental da inteligência artificial e pede mais transparência das empresas
-
Ex-funcionária do Atacadão que não sabia fazer bolo aprende confeitaria pela internet, começa vendendo doces em casa e transforma seu sonho em marca com fábrica, loja, delivery e quase R$ 2 milhões em faturamento
-
Startup brasileira vende quase 9 milhões de sacolas surpresa com comida perto do vencimento, evita milhares de toneladas de desperdício e mira faturamento de R$ 220 milhões em 2026
Foi nesse momento que o primeiro passo aconteceu. Ainda sem grandes pretensões, ele decidiu experimentar. Porém, como em tudo que leva a sério, rapidamente estabeleceu um objetivo ousado: participar da tradicional corrida de São Silvestre. A meta era clara e tinha data marcada.
Disciplina, método e superação: como nasceram os quilômetros e as medalhas

Com foco definido, Everton iniciou a preparação. No dia 5 de janeiro, ele e o filho participaram da primeira corrida de rua, uma prova de 5 km realizada no Parque Tietê, em São Paulo. Apesar da curta distância oficial, o desafio foi imenso. Para se preparar, ele chegou a realizar treinos de até 15 km na esteira, justamente para garantir que conseguiria completar os 5 km na rua.
O início foi duro. Passos curtos, quase tímidos, marcavam não apenas o esforço físico, mas também o peso emocional do luto. Ainda assim, com o passar das semanas, esses passos se transformaram em quilômetros. Os quilômetros, por sua vez, viraram provas. E as provas se converteram em medalhas.
A disciplina se tornou a base de tudo. Everton estabeleceu uma rotina de treinos três vezes por semana, sempre respeitando a progressão gradual. Ele começou correndo apenas 3 km, alternando corrida e caminhada. A cada semana, aumentava exatamente 25 passos por treino, somando 75 passos a mais por semana. Segundo ele, esse método evitava o comodismo e forçava o corpo — e a mente — a se superarem constantemente.
Além disso, Everton destaca que não fazia sentido permanecer sempre na mesma distância. Para ele, o progresso era fundamental. A cada etapa vencida, surgia um novo desafio, sempre com responsabilidade e consciência dos próprios limites.
O resultado desse compromisso impressiona. Em menos de um ano, seu Everton já correu mais de 2.000 km. Para dimensionar essa conquista, a distância equivale, aproximadamente, a sair da cidade de São Paulo e chegar a Belém do Pará, atravessando boa parte do Brasil apenas com força de vontade, disciplina e fé na vida.
Inspiração que contagia: esporte, fé e propósito na terceira idade
Hoje, Everton não corre apenas por saúde. Ele corre por superação, memória e propósito. Em cada prova, procura se posicionar bem, não como brincadeira, mas com seriedade e orgulho. Ele mesmo afirma que gosta de “fazer bonito” e não encara esse compromisso de forma leviana.
Morador de um condomínio na zona norte de São Paulo, seu Everton se tornou uma verdadeira inspiração para vizinhos e amigos. Sua rotina virou exemplo, seu treino virou convite e sua história passou a motivar outras pessoas a saírem do sedentarismo. Alguns moradores relatam que, após poucos meses de convivência, já estavam correndo distâncias significativas, motivados diretamente pela postura e pela disciplina dele.
Outro ponto que marca profundamente sua trajetória é a fé. Mesmo sem patrocínio, Everton arca com todos os custos das provas, que não são baixos. Segundo ele, hoje uma corrida dificilmente custa menos de R$ 200, enquanto eventos maiores, como a São Silvestre, chegam a R$ 999, sem contar equipamentos e despesas adicionais. Ainda assim, ele segue firme.
Em uma ocasião marcante, mesmo sem conseguir inscrição oficial em uma maratona, Everton reproduziu toda a quilometragem na esteira da academia. Ao finalizar, não comemorou com aplausos ou fotos. Simplesmente ajoelhou-se e louvou a Deus. Para quem presenciou, esse gesto teve mais valor do que qualquer medalha.
Cada conquista representa uma vitória sobre a dor, o medo e a ideia de que “já é tarde demais”. Mais do que devolver saúde ao corpo, o esporte devolveu esperança ao coração. Para Everton, cuidar da vida é uma missão: levantar do sofá, caminhar, correr e servir de exemplo para que outras pessoas também acreditem que é possível recomeçar.
Essa não é apenas a história de um corredor. É a história de um senhor que transforma vidas, que prova que a terceira idade pode ser o momento mais forte de uma jornada e que nunca é tarde para dar o primeiro passo. Seu Everton só para durante a entrevista. Fora dela, segue correndo, conversando, incentivando e acumulando medalhas — porque, como ele mesmo diz, ainda cabe muito mais no peito.
E você, vai continuar esperando “o momento certo” ou vai dar hoje o primeiro passo que pode transformar a sua vida, assim como seu Everton fez aos 77 anos?


Muito orgulho do Sr Everton. Que se supera a cada dia, dando exemplo a tanta gente. Siga sempre em frente e que venham mais medalhas. Um forte abraço.
Tenho 72 anos e participo constantemente de corrida de rua. Exceto este ano por falecimento da minha cunhada, não fiz os 15 km na esteira (São Silvestre), no dia 30 de dezembro.
Minha foto de perfil do Facebook é a foto de 1/2 maratona que fiz aos 68 anos
Tenho 74 anos corro meia maratona e outras corridas 5, 10. 15 KM.
E vibro em todas as corridas que faço não só aqui no RJ como em outros estados: São Silvestre, Pampulha, Garoto.