Com pá, carrinho de mão e muita teimosia, agricultor de Alfredo Wagner construiu sozinho uma lagoa de quase 60 metros, começou aos 71 anos e só parou quando calou quem desacreditou
Um agricultor de 71 anos poderia estar pensando em descansar depois de uma vida inteira dedicada à roça. Mas não foi o caso de seu Atílio, morador de Alfredo Wagner, em Santa Catarina, que construiu sozinho uma lagoa gigante depois de ouvir que não seria capaz de fazer a obra. A ideia surgiu para resolver um problema simples do dia a dia: uma área de banhado onde o gado vivia atolando. A resposta que ele recebeu quando pediu ajuda de máquina na prefeitura, porém, mudou o rumo da história.
Foi aí que a provocação apareceu. Disseram que ele não tinha como fazer aquilo, que o aterro não aguentaria e que tudo iria embora na primeira enchente. Quanto mais duvidavam, mais ele se convencia do contrário. Com uma pá, um carrinho de mão e uma rotina de idas e vindas de 4 quilômetros entre casa e a propriedade, ele decidiu que iria mostrar, na prática, que construiu sozinho não era só uma frase de efeito, mas um compromisso pessoal com o próprio limite.
Como nasceu a lagoa que ele construiu sozinho
A história da lagoa começou num terreno encharcado, onde o gado atolava e a área pouco servia para produção. Sem conseguir o empréstimo de máquina da prefeitura, seu Atílio comentou com amigos que faria a obra por conta própria, escavando e levantando o aterro com o que tivesse à mão.
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A reação foi imediata: disseram que ele não tinha condições de fazer, que a barreira não ia aguentar e que tudo cederia com a água. Em vez de desanimar, ele levou isso como combustível.
A partir daquele momento, construiu sozinho cada etapa da lagoa, decidido a provar que a confiança no próprio trabalho fala mais alto do que as opiniões de quem só observa de longe.
Treze anos de pá, carrinho de mão e persistência
Quando podia, ele caminhava os 4 km até o local da lagoa e passava o dia trabalhando. Era barro para cá, carrinho de mão para lá, semana após semana, domingo após domingo.
Segundo ele mesmo conta, se não tivesse outro serviço tomando conta, estava sempre ali, mexendo no aterro, nivelando, acertando cada parte do terreno.
Em um momento do processo, contratou sim uma máquina, mas apenas para soltar o barro em alguns pontos e facilitar o serviço pesado.
Todo o resto, do transporte ao acabamento do aterro, ele construiu sozinho, empurrando o carrinho, passando a enxada e compactando o material com o próprio movimento do trabalho diário.
Uma lagoa gigante feita à mão
Quem imagina uma lagoa pequena se engana. O espelho dágua tem quase 60 metros de extensão da frente até o fundo e chega a cerca de 5 metros de profundidade nos pontos mais fundos.
O aterro acompanha essa altura, com aproximadamente 44 metros de comprimento, mais largo na base, com cerca de 10 metros, e mais estreito na parte de cima.
O segredo da estrutura está no barro argiloso usado na obra. Segundo seu Atílio, esse barro se compacta com o peso e com o tráfego constante do carrinho de mão. Depois de bem socado, não deixa a água vazar com facilidade.
A cada camada colocada e ajustada à enxada, ele reforçava a barreira que hoje sustenta a lagoa que construiu sozinho, sem ceder nem com o volume de água acumulado ao longo dos anos.
Detalhes que mostram planejamento e experiência

A obra não se resume ao buraco escavado e à barreira levantada. Seu Atílio pensou também em como a água iria se comportar. A saída principal foi feita com dois tubos, por onde o excesso escoa em dias de chuva mais forte. Acima, uma parte ainda mais firme serve como ponto de transbordo quando a lagoa enche demais, evitando que a estrutura seja colocada em risco.
Outro detalhe curioso é a tal mangueira que ele tanto valoriza. Em vez de um cano convencional, usa uma mangueira para manejo dos peixes, permitindo tratar a água e cuidar dos animais com mais controle. Na lagoa, nadam carpas, carpa capim, bagres e centenas de filhotes.
É uma combinação de simplicidade rural com soluções que nasceram da observação e da prática, reforçando que ele construiu sozinho muito mais do que um reservatório: criou um sistema vivo.
Planos futuros, mesmo com a idade avançada
Hoje, já com mais de 80 anos e enfrentando problemas de coluna, ele segue em acompanhamento médico, mas ainda não se entrega à ideia de parar completamente.
O próximo passo é plantar mais mudas de frutas na borda da lagoa, para que as raízes ajudem a segurar o solo, e erguer ainda mais os cantos, elevando o nível da água com o apoio de uma draga.
Ele mesmo admite que, neste estágio, a parte mais pesada já não dá mais para fazer à mão. Ainda assim, o plano continua o mesmo: enquanto puder, quer seguir tocando o barco para frente, trabalhando e melhorando a obra que começou quando muitos já o consideravam velho demais para um desafio desse tamanho.
Uma resposta silenciosa para quem duvidou
Quando a lagoa ficou pronta, ver o resultado de perto mudou até o olhar de quem antes não acreditava. Um dos que duvidaram chegou a se emocionar ao ver a dimensão do que ele construiu sozinho, abraçando o agricultor e admitindo que tinha errado ao menosprezar sua capacidade.
Para seu Atílio, a lagoa é mais do que água represada. É prova material de que idade não é sentença de limite e que a determinação de levantar todos os dias, pegar a pá e empurrar o carrinho pode transformar um banhado inutilizado em um projeto robusto, útil e admirado por quem visita o lugar.
Você acha que teria paciência e determinação para passar 13 anos em um projeto que todo mundo dizia que não ia dar certo?


Parabéns ao seu Atílio!! Um verdadeiro guerreiro que não baixou a cabeça aos comentários negativos. Nunca desacredite da determinação de quem se dispõe a por a mão na massa e fazer!!! Bravo!!!
Parabéns, ficou maravilhoso. Parece obra feita por engenheiro. Mto inteligente.
Parabéns pelo feito.
Leve em conta que o Ibama a hora que souber irá exigir uma App ao redor da represa e não poderá mais ser utilizado as áreas ao redor para outros fins…se informe, porque pode virar a perda de uma bela área produtiva se for o caso….