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13 comentários 5 min de leitura

Aos 60 anos, agricultor recomeça do zero em sítio de 15 alqueires com 60% de reserva, faz cerca para plantar milho pro consumo, convive com cascavel de 18 a 20 anos e recebe macaquinhos diariamente no quintal

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Escrito por Jefferson Augusto Publicado em 22/01/2026 às 22:22 Atualizado em 22/01/2026 às 22:24
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Agricultor recomeça do zero em sítio com 60% de reserva ambiental no interior de Minas.
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Em um canto isolado de Fortaleza de Minas, rotina simples, respeito à natureza e convivência com animais silvestres revelam um modo de vida cada vez mais raro no interior brasileiro

Em meio às estradas de terra de Fortaleza de Minas, quase na divisa com São Sebastião do Paraíso, Pratápolis e próximo ao Rio Santana, vive Lázaro, agricultor de 60 anos que decidiu recomeçar praticamente do zero. Ele mora em um sítio de 15 alqueires, onde mantém aproximadamente 60% da área como reserva ambiental, decisão que define sua relação com a terra.

A informação foi divulgada por meio de um registro audiovisual feito no local, conforme mostram as imagens e os relatos gravados durante a visita ao sítio. Ao longo da conversa, Lázaro apresenta seu cotidiano, suas escolhas e os desafios de quem decide permanecer na roça mesmo diante das dificuldades financeiras e estruturais.

Atualmente, ele mora na parte mais organizada da propriedade, onde há energia elétrica. Outra casa, localizada mais acima, pertencia à irmã, que faleceu. Embora a construção esteja em boas condições, ainda não possui energia, o que impede a moradia definitiva. Por isso, Lázaro concentra sua rotina no ponto mais estruturado do sítio e avança nas melhorias aos poucos.

Plantar para o consumo e preservar para o futuro

Recomeçar na roça exige paciência. Lázaro explica que o início sempre traz mais despesas do que retorno. Para se manter, ele ainda faz diárias de serviço fora do sítio, enquanto estrutura a produção própria. Mesmo assim, o objetivo não muda: plantar para o consumo e garantir autonomia alimentar.

Nos últimos meses, ele decidiu refazer cercas que estavam desmontadas havia cerca de quatro anos. A prioridade agora é plantar milho, principalmente para consumo próprio. Caso sobre alguma produção, ele vende o excedente na região, o que ajuda a cobrir parte das despesas do sítio.

O cuidado ambiental orienta todas as decisões. Lázaro não desmata. Ele utiliza apenas madeira de árvores secas, encontradas no próprio terreno, para construir currais e cercas. Nenhuma árvore viva é derrubada. Espécies nativas, como jacarandá, permanecem intocadas.

Além disso, ele evita mexer em áreas de ladeira ou risco de erosão. Nessas partes do terreno, a vegetação permanece intacta. Segundo Lázaro, a terra precisa de limites. Para ele, roça é sinônimo de fartura, mas também de responsabilidade.

Convivência com cascavel e animais silvestres

Um dos aspectos mais surpreendentes da rotina de Lázaro é a convivência direta com animais silvestres. No quintal da casa, vive uma cascavel com idade estimada entre 18 e 20 anos. O animal apareceu ainda pequeno e acabou permanecendo na propriedade.

Apesar do receio natural, Lázaro afirma que nunca sofreu ataque. Em alguns momentos, ele chegou até a pisar na cobra no escuro, sem reação agressiva. Segundo ele, o animal age apenas por instinto de defesa. Além disso, a cascavel ajuda no controle de ratos e outros animais indesejados.

Curiosamente, a maior preocupação não é a cobra, mas sim uma árvore seca de pinheiro, escorada ao lado da casa. Caso ela caia, pode causar danos à estrutura. Lázaro já tentou escorar o tronco e avalia alternativas para minimizar o impacto quando a queda acontecer.

Além da cascavel, o sítio recebe macaquinhos silvestres todos os dias, geralmente pela manhã e no fim da tarde. Lázaro alimenta os animais com frutas, como banana, e pequenas porções de doce de limão caseiro, feito no fogão a lenha, com pouco açúcar.

Segundo ele, a convivência já envolve quatro gerações de macacos. À medida que alguns morrem, outros ocupam o espaço. Alguns chegam com filhotes nas costas, outros carregam marcas da vida no mato, como caudas parcialmente amputadas. Ainda assim, os animais demonstram comportamento dócil e reconhecem a rotina.

Lázaro explica que sempre considera uma perda natural de cerca de 5% da lavoura, destinada aos animais. Para ele, a natureza também precisa da sua parte.

Vida simples, improviso e invenções da roça

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O cotidiano no sítio reflete uma vida simples e funcional. Embora exista máquina de lavar, Lázaro prefere lavar roupas no córrego, sobre pedras. O varal é a própria cerca de arame. Tudo segue a lógica da praticidade.

Entre os destaques está uma banadeira de feijão manual, inventada pelo tio de Lázaro há aproximadamente 60 anos. A máquina funciona com uma manivela que gera vento, separando a palha dos grãos. Moradores da região utilizam o equipamento para limpar cinco sacos ou mais de feijão em pouco tempo.

Para evitar a perda dos grãos, Lázaro adaptou a máquina com câmara de ar, solução improvisada que resolveu o problema. Além disso, o sítio abriga cachorros resgatados, muitos abandonados durante a pandemia, e colmeias de abelhas sem ferrão, mantidas mais por prazer do que por produção de mel.

Nos planos futuros, ele pretende ampliar o pomar, com o plantio de ameixa, jabuticaba e outras frutas. O objetivo não é apenas o consumo humano, mas também garantir alimento para a fauna local.

Um modo de vida que insiste em existir

Aos 60 anos, Lázaro poderia buscar caminhos mais fáceis. No entanto, escolheu permanecer na roça, preservar a terra e conviver em equilíbrio com a natureza. Entre cercas refeitas, milho plantado, macaquinhos no quintal e uma cascavel silenciosa, ele constrói diariamente um modo de vida que resiste ao tempo.

Mais do que uma história curiosa, sua rotina mostra que ainda é possível viver com menos pressa, mais consciência e profundo respeito pelos ciclos naturais — algo cada vez mais raro no interior brasileiro.


Você conseguiria viver assim, em contato direto com a natureza, abrindo mão de conforto para manter esse tipo de equilíbrio com a terra?

Fonte: É DU CAMPO e EDUARDO PÁDUA

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Aparecida da Silva Sarabia
Aparecida da Silva Sarabia
24/01/2026 16:48

Igual a esse senhor, meu esposo e eu estamos vivendo no sítio e também começamos do zero, depois de ele ter um AVC que quase matou ele, depois de um longo prazo de recuperação que deixou ele com sequelas, um lado do corpo sem nenhuma sencibilidade,na cidade tava já entrevando, andando de bengala e não conseguindo fazer nada com a mão esquerda.
Aí trocamos nosso caminhão por um sítio de cinco alqueires e estamos vivendo uma outra vida.
Agora ele já consegue fazer muita coisa no sítio.
Contamos com nossa aposentadoria e nosso esforço diário.
É difícil mais a terra devolveu a vontade de viver ao meu esposo.
Moramos em São Jerônimo da serra PR

Ricardo
Ricardo
Em resposta a  Aparecida da Silva Sarabia
25/01/2026 02:49

Parabéns a vcs pela escolha e determinação. Também estou na busca pela natureza e vida mais simples. Muita saúde e vida longa.

Adalgiso Dagner
Adalgiso Dagner
24/01/2026 13:03

Eu acho que o mais dificil é cara não ter uma parceria,e tbm tem que ter um certo conforto,como energia elétrica!

Xico
Xico
24/01/2026 09:25

Assim… como uma pessoa comeca do ZERO com um sitio de 15 alqueires????
Tbm gostaria muito de começar desse zero ai… trabalho a 15 anos e nem um terreno eu consegui comprar

Agnaldo
Agnaldo
Em resposta a  Xico
24/01/2026 20:51

Sai daí invejoso e por isso que tu não tem e nem teve nada até hoje.

Lucas Silva
Lucas Silva
Em resposta a  Agnaldo
27/01/2026 04:05

Rapaz, o cara querer ter um terreno não é inveja. Pelo contrário ele tá valorizando a ideia do amigo que já tem um terreno. Inveja é achar que a conquista do outro era pra ser sua.

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Jefferson Augusto

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