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ANP: de cada botijão de R$ 114,88, R$ 59,75 (52%) são margem estimada de distribuição e revenda, R$ 36,02 vão ao produtor e R$ 19,11 ao ICMS

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 04/10/2026 às 21:45 Atualizado em 04/10/2026 às 21:46
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Botijões de gás empilhados em unidade de distribuição de gás em Duque de Caxias (RJ), durante visita do Ministério de Minas e Energia em 19 de fevereiro de 2020. É foto de arquivo e não mostra os preços da semana.
Botijões de gás empilhados em unidade de distribuição de gás em Duque de Caxias (RJ), durante visita do Ministério de Minas e Energia em 19 de fevereiro de 2020. É foto de arquivo e não mostra os preços da semana. Foto: Ministério de Minas e Energia (Flickr oficial, CC BY-NC 2.0)
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Na semana de 27 de setembro a 3 de outubro, a ANP abriu o preço do botijão de 13 kg em três fatias, e a maior delas, a margem estimada, passa do preço do produtor e do ICMS somados.

Entre 27 de setembro e 3 de outubro de 2026, o botijão de 13 kg custou R$ 114,88 em média no país, segundo a ANP. Desse total, R$ 59,75 (52%) são margem estimada de distribuição e revenda, R$ 36,02 vão ao produtor e R$ 19,11 ao ICMS.

Quanto de cada botijão vai para cada parte?

Os números são da edição 40 da Síntese Semanal de Preços dos Combustíveis. Em porcentagem (conta da redação), 52,0% ficam na margem estimada, 31,4% com o produtor e 16,6% com o ICMS.

Botijões de gás vistos do alto em unidade de distribuição de gás em Duque de Caxias (RJ), em visita do Ministério de Minas e Energia em 19 de fevereiro de 2020. Foto de arquivo.
Botijões de gás vistos do alto em unidade de distribuição de gás em Duque de Caxias (RJ), em visita do Ministério de Minas e Energia em 19 de fevereiro de 2020. Foto de arquivo. Foto: Ministério de Minas e Energia (Flickr oficial, CC BY-NC 2.0)

A maior fatia do botijão é a que a ANP rotula como distribuição e revenda.

Produtor e ICMS somados dão R$ 55,13. A margem estimada, sozinha, chega a R$ 59,75, ou 1,66 vez o preço do produtor.

O preço do produtor é o da semana anterior (20 a 26 de setembro), sem tributos e de produtores e importadores, conforme a ANP. O botijão subiu 0,07% na semana e 4,03% em 12 meses.

Que fatia é essa que a ANP chama de margem estimada?

É o rótulo que a ANP dá à fatia que junta distribuição e revenda: “Margens Estimadas Distribuição + Revenda”.

A conta fecha sozinha: R$ 114,88 menos R$ 36,02 do produtor e R$ 19,11 de ICMS dá os R$ 59,75.

O gráfico da ANP mostra uma fatia só, sem separar a distribuidora da revenda. É um retrato médio da semana, não a nota fiscal de uma revenda.

Quanto o mesmo botijão varia de um posto para outro?

A média esconde diferenças grandes entre postos. A planilha do Levantamento de Preços da ANP pesquisou 3.294 postos de GLP.

A planilha mostra R$ 79 no mais barato, em Caçapava (SP), e R$ 161 no mais caro, em Uruguaiana (RS).

São R$ 82 de diferença (conta da redação): o mais caro custa 2,04 vezes o mais barato.

Entre as capitais, a planilha mostra o Rio de Janeiro com média de R$ 99,83 e Boa Vista com R$ 142,04. São R$ 42,21 a mais, ou 42% acima do preço carioca.

Tem um detalhe que pesa. A planilha registra R$ 130 no mais barato de Boa Vista, mais que os R$ 113 do mais caro da capital carioca.

O ICMS não explica a distância: a ANP informa alíquota de R$ 1,47 por quilo, igual em todos os estados. Em 13 kg, são exatamente os R$ 19,11 do gráfico (13 x R$ 1,47).

Entre os estados, a média da semana vai de R$ 104,97 no Rio de Janeiro a R$ 142,04 em Roraima.

E no litro da gasolina e do diesel, como o preço se divide?

A margem estimada pesa menos: R$ 1,50 dos R$ 6,55 na gasolina e R$ 1,83 dos R$ 7,35 no diesel S10, segundo a ANP.

A ANP mostra os reais; a proporção é conta da redação: cerca de 23% na gasolina e 25% no diesel, contra 52% no botijão. São produtos diferentes, e por isso a comparação serve para dimensionar, não para julgar.

A ANP informa ICMS de R$ 1,57 por litro na gasolina e de R$ 1,17 no diesel. As parcelas do gráfico da gasolina somam R$ 6,56, um centavo acima dos R$ 6,55 da média, provável efeito de arredondamento.

Nas notas da síntese, a ANP registra as misturas usadas: gasolina C com 68% de gasolina A e 32% de etanol anidro. No diesel B S10, são 85% de diesel A e 15% de biodiesel.

Quanto o botijão pesa no ano de uma família?

Quem troca um botijão por mês paga R$ 1.378,56 em 12 meses, se o preço da semana (R$ 114,88, segundo a ANP) se repetisse. É conta da redação, e o consumo de cada casa muda.

Visitantes em frente a tanques da unidade de distribuição de gás em Duque de Caxias (RJ), em 19 de fevereiro de 2020. Foto de arquivo.
Visitantes em frente a tanques da unidade de distribuição de gás em Duque de Caxias (RJ), em 19 de fevereiro de 2020. Foto de arquivo. Foto: Ministério de Minas e Energia (Flickr oficial, CC BY-NC 2.0)

Desse total, R$ 717 seriam de margem estimada, R$ 432,24 do preço do produtor e R$ 229,32 de ICMS.

São quase R$ 60 por mês só na fatia que a ANP chama de estimada.

O CPG já mostrou o preço do botijão por estado e o preço da gasolina e do diesel de semanas anteriores, também pela ANP.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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