Preço médio avançou mais 0,9% na 35ª semana de 2026 e chegou a R$ 5.362,81 por m³; depois de despencar no primeiro semestre, mercado acumula recuperação de 9,5% desde junho
O preço do biodiesel no Brasil mudou de direção depois de passar boa parte do primeiro semestre em queda. Entre janeiro e o começo de junho, o combustível renovável acumulou recuo de 17,3%, mas desde então iniciou uma recuperação que já alcança aproximadamente 9,5%.
Na 35ª semana de 2026, o preço médio negociado entre usinas e distribuidores avançou mais 0,9% e chegou a R$ 5.362,81 por metro cúbico, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis divulgados pelo BiodieselBR em 8 de setembro de 2026.
O percentual semanal parece pequeno quando observado isoladamente.
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Mas a sequência revela uma mudança muito maior.
Nas últimas sete semanas, o biodiesel acumula valorização de aproximadamente 5,5%. Quando a comparação começa na primeira metade de junho, período em que a tendência de recuperação ganhou força, a alta chega aos 9,5%.
E tudo isso acontece depois de o Brasil aumentar estruturalmente a presença desse biocombustível no tanque: desde agosto de 2025, o diesel vendido no país utiliza obrigatoriamente 15% de biodiesel, formando o chamado B15.
Janeiro começou perto de R$ 6 por litro, mas queda de 17,3% virou o mercado de cabeça para baixo até junho
Para entender por que os reajustes das últimas semanas chamam atenção, é necessário voltar ao começo de 2026.
Na virada do ano, o biodiesel chegou a ser comercializado próximo da faixa de R$ 6 por litro.
Depois disso, começou uma trajetória descendente.
Entre janeiro e os primeiros dias de junho, o preço acumulou queda de 17,3%, movimento suficientemente forte para colocar o mercado em um patamar consideravelmente inferior ao observado no início do ano.
Mesmo após a recuperação mais recente, o biodiesel ainda não recuperou integralmente tudo o que perdeu durante o primeiro semestre.
Isso cria uma trajetória em duas etapas bastante clara:
primeiro, queda de 17,3%.
Depois, recuperação de aproximadamente 9,5%.
É justamente essa inversão que transforma um reajuste semanal aparentemente pequeno em um indicador importante para usinas, distribuidores e consumidores industriais.
Depois de altas de 0,1% e 0,4%, biodiesel acelera novamente e sobe 0,9% em uma semana
A velocidade dessa recuperação também mudou.
Na 33ª semana de 2026, o reajuste médio havia sido de apenas 0,1%.
Na semana seguinte, a alta chegou a 0,4%.
Agora, na 35ª semana, o avanço alcançou 0,9%.
A sequência mostra que a valorização semanal voltou a ganhar força.
Ainda não é possível afirmar quanto tempo o movimento continuará nem se os preços retornarão aos níveis registrados no início do ano.
Mas o comportamento das últimas semanas mostra que a tendência de forte queda observada nos primeiros meses perdeu força.
O novo preço médio de R$ 5.362,81 por m³ passa, portanto, a funcionar como mais um marco dessa recuperação.
R$ 5.362 por m³ não significam que motorista encontrará biodiesel a R$ 5,36 na bomba
Existe uma diferença importante entre esse preço e aquilo que o consumidor encontra nos postos.
Os R$ 5.362,81 por metro cúbico representam valores médios praticados em operações envolvendo agentes da cadeia de biodiesel.
Não se trata diretamente do preço final pago pelo motorista.
Além disso, o biodiesel puro não representa todo o combustível colocado no tanque dos veículos brasileiros movidos a diesel.
O produto vendido normalmente nos postos é uma mistura.
Desde 1º de agosto de 2025, o percentual obrigatório de biodiesel passou de 14% para 15%, criando o diesel B15.
Isso significa que, a cada 100 litros de diesel B comercializados, 15 litros correspondem ao componente biodiesel.
Os outros 85 litros são formados pelo componente fóssil.
Por isso, uma alta de 0,9% no biodiesel não significa automaticamente aumento de 0,9% no preço final do diesel encontrado nas bombas.
Existem outras variáveis envolvidas, como preço do diesel mineral, impostos, custos logísticos, margens de distribuição e revenda.
B15 colocou 15 litros de biodiesel em cada 100 litros da mistura vendida no Brasil
A importância dessas oscilações aumentou à medida que o Brasil passou a utilizar mais biodiesel.
Em agosto de 2025, entrou em vigor a elevação da mistura obrigatória de B14 para B15.
Na prática, o país aumentou em um ponto percentual a participação do produto renovável na mistura nacional.
Essa pequena mudança percentual representa um volume significativo quando aplicada aos bilhões de litros de diesel consumidos anualmente no país.
O CPG já mostrou que o governo e o setor passaram a discutir inclusive o passo seguinte, com estudos relacionados ao diesel B16 e à possibilidade de aumentar novamente a quantidade de biodiesel presente no combustível brasileiro.
Quanto maior a mistura obrigatória, maior tende a ser a necessidade de biodiesel para atender distribuidoras e consumidores.
Mas a expansão da demanda não acontece isoladamente.
Oferta das usinas, preço das matérias-primas e condições comerciais continuam influenciando diretamente o mercado.
Brasil acaba de produzir quase 10 bilhões de litros de biodiesel em apenas um ano
A recuperação dos preços ocorre dentro de uma indústria que alcançou escala recorde.
Em 2025, o Brasil produziu aproximadamente 9,8 bilhões de litros de biodiesel, segundo dados consolidados do setor energético brasileiro.
O volume representou crescimento de aproximadamente 8,5% em relação ao ano anterior.
O CPG mostrou como a produção brasileira de biodiesel alcançou recorde em 2025 e movimentou mais de R$ 55 bilhões no mercado interno.
Quando uma cadeia movimenta quase 10 bilhões de litros em apenas 12 meses, variações relativamente pequenas no preço unitário passam a representar volumes financeiros significativos.
É por isso que reajustes semanais são acompanhados de perto por produtores, distribuidores, transportadoras e grandes consumidores.
Óleo de soja continua fornecendo quase dois terços da matéria-prima usada pelas usinas
Para entender o preço do biodiesel, também é necessário olhar para muito além das próprias usinas.
A maior parte da produção brasileira ainda começa no campo.
O óleo de soja respondeu por aproximadamente 65,9% das matérias-primas utilizadas na fabricação de biodiesel em 2025.
Isso significa que quase dois terços da produção dependem direta ou indiretamente da cadeia da soja.
A ligação cria uma ponte entre duas atividades que, para o consumidor comum, parecem separadas.
De um lado estão lavouras, esmagadoras de grãos e fábricas de óleo vegetal.
Do outro, usinas transformam esses insumos em biodiesel que posteriormente segue para distribuidoras e entra na mistura utilizada por caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e equipamentos industriais.
Mudanças na disponibilidade e no preço dos óleos vegetais podem, portanto, alterar a estrutura de custos das produtoras.
Complexos gigantes já conseguem fabricar centenas de milhões de litros por ano
O crescimento do biodiesel brasileiro também levou à construção de instalações industriais cada vez maiores.
Alguns complexos já operam em uma escala capaz de movimentar centenas de caminhões e produzir centenas de milhões de litros anualmente.
O CPG mostrou recentemente um exemplo dessa transformação ao detalhar um megacomplexo industrial capaz de produzir 900 milhões de litros de biodiesel por ano e que receberá bilhões de reais para ampliar sua capacidade.
Essa escala ajuda a mostrar como o setor deixou de ser uma atividade complementar.
Biodiesel tornou-se uma indústria nacional com usinas, logística própria, fornecedores, grandes compradores e investimentos bilionários.
Caminhões começam a testar B100 enquanto o mercado obrigatório ainda trabalha com B15
A próxima fronteira pode ir além da mistura de 15%.
Algumas grandes empresas brasileiras já começaram a testar B100, denominação usada para o biodiesel utilizado praticamente puro.
Isso representa uma mudança radical em relação ao diesel B15.
Em vez de substituir somente 15% do diesel fóssil, operações específicas passam a testar substituições muito maiores.
O CPG revelou recentemente que caminhões da JBS já percorreram aproximadamente 500 mil quilômetros utilizando biodiesel B100 produzido a partir de sebo bovino.
Nesse caso, a matéria-prima nem sequer veio diretamente da soja.
O combustível foi produzido a partir de gordura animal originada na própria cadeia de carnes.
Isso mostra outra característica da indústria: embora o óleo de soja domine a produção, outras fontes podem participar da fabricação.
Biodiesel começa a sair das rodovias e entrar também nos tanques de navios
A expansão do produto não está limitada a caminhões, ônibus ou máquinas agrícolas.
O transporte marítimo também começou a testar misturas contendo biodiesel.
O CPG mostrou que a Petrobras fechou acordo para fornecer a navios da norueguesa Odfjell um combustível marítimo contendo 24% de biodiesel.
A mistura recebeu a denominação VLS B24.
Isso significa que 24% do combustível utilizado nesses testes corresponde ao componente biodiesel.
O movimento abre uma frente adicional para a cadeia brasileira.
Se aplicações voluntárias em transporte pesado, mineração, indústria e navegação crescerem, a demanda poderá deixar de depender exclusivamente do percentual obrigatório colocado no diesel rodoviário.
Alta de preços encontra uma indústria maior, novas misturas e mercados que não existiam poucos anos atrás
É justamente essa combinação que torna a recuperação iniciada em junho relevante.
O preço não está subindo dentro do mesmo mercado que existia há dez anos.
Hoje existe uma mistura obrigatória maior.
A produção nacional se aproxima de 10 bilhões de litros anuais.
Complexos industriais conseguem fabricar centenas de milhões de litros.
Caminhões começam a testar B100.
Navios já recebem combustíveis com biodiesel.
E o país ainda discute aumentar novamente o percentual obrigatório.
Isso significa que preço, produção e consumo estão entrando em uma fase de escala muito maior.
Biodiesel ainda vale menos que no começo de 2026, mas três meses mudaram completamente a direção
O dado mais importante da 35ª semana não é apenas a alta de 0,9%.
É a trajetória.
O biodiesel acumulou queda de 17,3% entre janeiro e o começo de junho.
Depois disso, a direção mudou.
A recuperação já alcança aproximadamente 9,5% desde a primeira metade de junho.
Somente nas últimas sete semanas, a alta acumulada está próxima de 5,5%.
Mesmo assim, o preço ainda permanece abaixo dos níveis registrados na virada do ano.
Isso significa que o mercado ainda não recuperou tudo aquilo que perdeu no primeiro semestre.
Mas a pergunta mudou.
No começo de 2026, usinas e compradores observavam o mercado tentando descobrir até onde os preços poderiam cair.
Agora, depois de meses de recuperação e de uma alta semanal que voltou a acelerar para 0,9%, a dúvida passa a ser outra:
quanto dos 17,3% perdidos no primeiro semestre o biodiesel ainda conseguirá recuperar — e até onde essa alta poderá avançar em um mercado que já coloca 15 litros do biocombustível em cada 100 litros de diesel vendido no Brasil?
