Volume previsto pela estatal já foi contratado para o mês de maior demanda sazonal, mas distribuidoras alertam para preços internacionais elevados e desafios no transporte do combustível
A Petrobras já realizou as compras externas de diesel que considera necessárias para outubro, mês em que o plantio da safra de verão e o transporte de milho costumam elevar o consumo no Brasil. A previsão da companhia é importar 650 milhões de litros. A diretora de Logística, Comercialização e Mercados, Angélica Laureano, afirmou que a empresa ainda avaliará se precisará de volumes adicionais em novembro, embora não espere uma compra expressiva naquele mês, conforme reportagem da Reuters publicada pelo Notícias Agrícolas no dia 23 de setembro de 2026.
Outubro concentra demanda do campo e obriga Petrobras a planejar compras com antecedência
O calendário agrícola ajuda a explicar o volume contratado. Enquanto máquinas trabalham no plantio da safra de verão, caminhões transportam a produção de milho recém-colhida. Assim, o consumo de diesel aumenta em diferentes pontos da cadeia, das propriedades rurais às rodovias.
Os 650 milhões de litros correspondem à previsão de importação da Petrobras para outubro. O número não representa todas as compras externas do Brasil, já que outras empresas também podem importar o combustível. Por isso, não deve ser confundido com o dado de 1,6 bilhão de litros importados pelo país inteiro em outubro de 2025, citado na reportagem com base na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
Ao antecipar as compras, a estatal procura atravessar o período de maior demanda com suprimento programado. Isso, porém, não garante que cada região receberá o produto sem dificuldade logística. Importar diesel é apenas uma etapa; depois da chegada aos portos, o combustível ainda precisa alcançar bases de distribuição e mercados consumidores.
Diesel externo mais caro aumenta a pressão sobre distribuidoras e transportadoras
O desafio não se limita ao volume disponível. Segundo o presidente da Vibra Energia, Ernesto Pousada, o diesel no mercado internacional estava entre R$ 2 e R$ 3 por litro mais caro que o produto vendido no Brasil. Ainda assim, ele afirmou que a distribuidora tem condições de ampliar as importações caso seja necessário.
Essa diferença de preços pode dificultar novas compras externas por empresas que precisam revender o combustível no mercado nacional. Ao mesmo tempo, a pressão internacional sobre o diesel torna mais importante acompanhar tanto as cotações quanto a capacidade de abastecimento.
A Petrobras também participa de um programa de subvenção ao diesel criado pelo governo federal. Contudo, compras antecipadas, mecanismos de preço e subsídios tratam de partes diferentes do problema. Nenhuma dessas medidas, isoladamente, permite concluir que o preço nas bombas cairá em outubro.
Parada de refinaria no Paraná e transporte ao interior entram na conta
A Refinaria Presidente Getúlio Vargas, a Repar, no Paraná, passará por manutenção programada, com retorno previsto para novembro, segundo Laureano. Ela afirmou que as demais refinarias da Petrobras seguem operando com utilização elevada. A parada torna ainda mais relevante o planejamento do suprimento durante o pico sazonal de consumo.
Pousada apontou outro limite prático. Quando a Vibra dobrou suas importações em março e abril, conseguiu receber o diesel nos portos, mas enfrentou maior pressão sobre o transporte rodoviário necessário para levá-lo ao interior. O executivo defendeu investimentos em ferrovias e ligações entre portos e centros consumidores.
Para o agronegócio e para o transporte rodoviário de cargas, a disponibilidade do combustível depende dessa sequência funcionar até o destino final. A Petrobras diz ter assegurado suas compras para outubro; a distribuição regional e a necessidade de novas importações em novembro ainda dependerão da demanda observada nas próximas semanas.

Esses preços sempre tao em alta
Os altos preços refletem a combinação da demanda sazonal e os desafios logísticos atuais, especialmente com a manutenção da refinaria Repar e os custos internacionais. Isso pode impactar ainda mais o abastecimento no Brasil.