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Eólicas e solares do Brasil deixaram de gerar 29,3 TWh de janeiro a setembro de 2026, 16% mais que em 2025, aponta cálculo com dados do ONS

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 04/10/2026 às 22:15 Atualizado em 04/10/2026 às 22:31
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Placas solares e o Rio São Francisco, em Pirapora (MG), em foto de 17 de fevereiro de 2026. A foto não indica que esta usina tenha sido cortada.
Placas solares e o Rio São Francisco, em Pirapora (MG), em foto de 17 de fevereiro de 2026. A foto não indica que esta usina tenha sido cortada. Foto: Tauan Alencar/MME (Flickr oficial)
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Eólicas e solares já acumulam em 2026 um corte equivalente a 78,8% do ano inteiro de 2025, e 69% do corte de 2026 traz o código ENE, de razão energética, no registro do ONS

Eólicas e solares do Brasil deixaram de gerar 29,3 TWh de janeiro a setembro de 2026, alta de 16,3% sobre os mesmos nove meses de 2025. O cálculo é do CPG, com dados abertos do ONS (usinas dos tipos I, II-B e II-C) lidos em 4 de outubro.

Quanto as eólicas e solares deixaram de gerar em 2026?

As eólicas e solares deixaram de gerar 29,3 TWh de janeiro a setembro de 2026, mostra o cálculo do CPG. Foram 19,67 TWh de eólicas e 9,67 TWh de solares, nos arquivos abertos do ONS.

Energia eólica e solar não gerada por mês, em TWh, em 2025 e de janeiro a setembro de 2026. Cálculo do CPG com dados abertos do ONS, lidos em 4 de outubro.
Energia eólica e solar não gerada por mês, em TWh, em 2025 e de janeiro a setembro de 2026. Cálculo do CPG com dados abertos do ONS, lidos em 4 de outubro. Foto: Gráfico: CPG, com dados do ONS

Isso equivale a 21,6% da geração de referência, a estimativa do ONS do que as usinas poderiam gerar sem limitação.

Em janeiro a setembro de 2025, o corte de geração foi de 25,2 TWh, ou 19,9% da geração de referência. A alta de 16,3% veio dos dois lados, mostra a conta: 14,2% nas eólicas e 20,8% nas solares.

O corte de eólicas e solares em 2025 inteiro fechou em 37,2 TWh. Faltando três meses, 2026 já está em 78,8% disso.

Em que meses o corte de geração pesou mais em 2026?

Agosto, com 5,6 TWh, foi o maior corte de geração do ano até aqui. Setembro veio logo atrás, com 5,1 TWh.

Julho e agosto engordaram o acumulado: 4,4 TWh e 5,6 TWh, contra 3,4 TWh e 4,5 TWh nos mesmos meses de 2025.

Setembro de 2026 ficou no patamar de setembro de 2025, com 5,1 TWh nos dois. A conta mostra 26,9% da geração de referência do mês cortada nas eólicas e solares: 24,5% nas eólicas e 33,6% nas solares.

Em oito dos nove meses, 2026 superou o mesmo mês de 2025. Só fevereiro ficou abaixo: 0,8 TWh, contra 3,3 TWh.

O pior mês da série, que começa em janeiro de 2025, segue sendo outubro de 2025, com 6,2 TWh.

Qual foi o pior dia de corte de eólicas e solares?

Domingo, 16 de agosto de 2026: 399,9 GWh, o maior corte de geração diário da série. A conta do CPG mostra que isso equivaleu a 49,0% da geração de referência do dia.

Em setembro, o pior dia foi domingo, 20, registra o ONS: 340,4 GWh cortados, de uma geração de referência de 726,6 GWh. É 46,8%, quase metade do que as eólicas e solares poderiam gerar naquele dia.

Nos fins de semana, o corte de geração das eólicas e solares pesa mais. Nove dos dez maiores cortes diários de 2026 caíram em sábado ou domingo.

Em setembro, a conta mostra média de 237,5 GWh por dia nos fins de semana e de 146,1 GWh nos dias úteis. Em 23 dos 30 dias do mês, o corte passou de 100 GWh.

Que motivo o ONS registra para o corte de geração?

O código ENE, de razão energética, aparece em 69,0% do corte de 2026, segundo o dicionário de dados do ONS. São 20,2 TWh, contra 13,1 TWh (51,8%) no mesmo período de 2025.

Torre de linha de transmissão, em foto de 22 de setembro de 2026 (local não identificado). A foto não mostra as linhas citadas na matéria.
Torre de linha de transmissão, em foto de 22 de setembro de 2026 (local não identificado). A foto não mostra as linhas citadas na matéria. Foto: Tauan Alencar/MME (Flickr oficial)

Nos arquivos de 2026, há mais dois códigos. CNF, de atendimento a requisitos de confiabilidade, somou 5,8 TWh (19,8%). REL, de indisponibilidade externa (elétrica), somou 3,3 TWh (11,2%).

Todo o aumento veio do ENE: 7,2 TWh a mais, alta de 55%, mostra a conta. No mesmo período de 2025, CNF e REL somavam 12,2 TWh; em 2026, 9,1 TWh.

O campo de descrição do ONS, preenchido desde setembro de 2025, traz o mesmo texto em todos os registros ENE de 2026: “Controle de frequência do SIN”, o Sistema Interligado Nacional.

Segundo o campo de descrição, 44,6% do corte CNF vem com o texto de limitação da transmissão na linha de 500 kV Açu III / Jaguaruana II. Nos REL, 44,1% do corte traz, no campo de descrição, o texto de controle do fluxo Nordeste/Sudeste (FNESE), citando intervenções diferentes.

Em quais estados as eólicas e solares foram mais cortadas?

Nas eólicas, o Rio Grande do Norte lidera, mostra o dado do ONS por estado: 1.756 GWh dos 3.459 GWh cortados em setembro (50,8%). A Bahia vem em seguida, com 673 GWh.

Parque eólico Mel II, no Rio Grande do Norte, em foto de arquivo de 2015. A imagem é de arquivo e não indica que o parque tenha sofrido corte de geração.
Parque eólico Mel II, no Rio Grande do Norte, em foto de arquivo de 2015. A imagem é de arquivo e não indica que o parque tenha sofrido corte de geração. Foto: Divulgação/Neoenergia (Flickr oficial)

Nas solares, a liderança é de Minas Gerais, com 619 GWh dos 1.655 GWh do mês (37,4%). A Bahia aparece em segundo lugar, com 250 GWh.

No acumulado, o ONS registra 8,4 TWh de eólica cortada no Rio Grande do Norte, contra 6,3 TWh no mesmo período de 2025 (33,6% a mais). O estado passou a Bahia, que foi de 6,9 TWh para 6,2 TWh.

Em Minas Gerais, a solar ficou em 3,7 TWh, perto dos 3,8 TWh de 2025.

Como o ONS calcula a geração não realizada e o que fica de fora?

A geração não realizada apurada (GNRa) é, explica o ONS, a diferença entre a geração de referência e a geração verificada. Ela só conta nos períodos em que houve limitação.

Aqui, corte de geração é a limitação por restrição de operação, o constrained-off que dá nome aos conjuntos de dados do ONS.

Os dados são do ONS, com licença CC-BY. A conversão de MW médios semi-horários em MWh, as somas e os percentuais são do CPG.

Os arquivos cobrem as usinas eólicas e solares dos tipos I, II-B e II-C, e as de outros tipos não entram na conta.

Não há, nos arquivos, valor em reais nem indicação de quem arca com o corte.

Podem ocorrer atualizações depois da publicação, informa o ONS. Os dados de setembro foram lidos em 4 de outubro.

O levantamento de 19 de setembro, publicado pelo CPG a partir de estudo de terceiros, estimou 22,47 milhões de MWh de janeiro a agosto.

O cálculo do CPG com os arquivos do ONS lidos em 4 de outubro mostra 24,2 TWh no mesmo período. O método e a data de leitura podem explicar a diferença.

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