Esqueleto mais completo do Spicomellus afer reescreve a história dos dinossauros blindados
Pesquisadores do Museu de História Natural de Londres voltaram às Montanhas do Atlas em Marrocos e escavaram o ankylosaur mais antigo do planeta. O fóssil tem 165 milhões de anos e espinhos ósseos de quase 1 metro saindo do pescoço.
O achado foi descrito em paper publicado na revista Nature em 27 de agosto de 2025. O dinossauro recebeu o nome científico Spicomellus afer.
Segundo a paleontóloga Susannah Maidment, líder da pesquisa, o exemplar muda o que se sabia sobre a evolução dos anquilossauros.
-
China não encontrou caminhão elétrico adequado para mineração, encomendou um do zero, lançou veículo de 140 toneladas com bateria de 770 kWh trocável em 4 minutos e já opera 290 unidades na maior mina de zinco de Xinjiang
-
Planeta rosa com nuvens de sal surpreende astrônomos: James Webb desvenda atmosfera cheia de água, metano e amônia, mas deixa no ar a maior dúvida sobre o GJ 504b — afinal, é planeta gigante ou anã marrom?
-
Meta prepara o Arena, novo aplicativo de previsões que pode usar pontos, aproveitar 3,56 bilhões de usuários e entrar na disputa direta com Polymarket e Kalshi
-
Cientista desafia uma das teorias mais famosas sobre a evolução humana e afirma que o Homo sapiens não passou por uma revolução repentina, mas por milhares de anos de mudanças graduais
O animal mais antigo da linhagem viveu durante o estágio Bathoniano do Jurássico Médio. Esse período é cerca de 30 milhões de anos antes do esperado.
Dessa forma, a descoberta também posiciona a África como possível berço dos dinossauros blindados. Antes, os paleontólogos suspeitavam que o grupo havia surgido em Laurásia, no hemisfério norte.
Conforme o Smithsonian Magazine, a nova publicação reposiciona toda a cronologia do grupo. Os dinossauros blindados saíram da África para o norte.

Por que o Spicomellus é o ankylosaur mais antigo já encontrado
O ankylosaur mais antigo do mundo carrega uma armadura nunca vista antes em qualquer vertebrado vivo ou extinto. Os espinhos ósseos estão fundidos diretamente nas costelas.
Esse traço anatômico não tem precedentes. Conforme a EarthSky, os espinhos não são apêndices que crescem na pele, eles são extensões integrais do próprio esqueleto.
Portanto, a fusão osso-espinho representa um compromisso evolutivo extremo. A energia metabólica gasta com essa armadura precisava trazer um benefício seletivo enorme.
O exemplar pesquisado em Marrocos exibe um colar ossificado em volta do pescoço. Os espinhos preservados medem 87 centímetros.
Os paleontólogos calculam que, em vida, esses espinhos passavam de 1 metro. Eles se projetavam para os lados, criando estrutura de visibilidade lateral extrema.
Da mesma forma, o esqueleto inteiro estava coberto de placas e espinhos. Havia formações grandes sobre os quadris e estruturas em formato de lâmina ao longo das costas.
O detalhamento aparece no ScienceDaily, que cobriu a publicação na Nature. O esqueleto recuperado em 2023 superou as expectativas.

Como o ankylosaur mais antigo foi encontrado no Atlas marroquino
A história do Spicomellus afer começa com uma transação comercial. Em 2019, a paleontóloga Susannah Maidment comprou um fragmento de costela fossilizada de um vendedor sediado em Cambridge.
O osso tinha espinhos fundidos na superfície. Maidment chamou colaboradores e iniciou a verificação de autenticidade. A primeira descrição foi publicada em 2021.
Contudo, o fragmento único deixava muitas perguntas em aberto. Os pesquisadores precisavam voltar ao campo para entender o resto do esqueleto.
A expedição planejada para 2020 foi adiada pela pandemia. Em abril de 2023, Maidment e a equipe internacional alcançaram o sítio de Boulemane.
Conforme reportou o próprio Natural History Museum, a expedição recuperou ossos suficientes para descrever a anatomia completa.
Dessa forma, o paper na Nature de agosto de 2025 traz a anatomia detalhada do animal. É a primeira vez que vemos como um anquilossauro do Jurássico Médio realmente parecia.

O que a descoberta muda na paleontologia mundial
A descoberta do ankylosaur mais antigo do mundo desloca a origem do grupo em 30 milhões de anos. Antes, esses dinossauros blindados apareciam no registro fóssil só no início do Cretáceo.
Conforme o paper indexado na base PubMed Central, o Spicomellus mostra vértebras caudais soldadas em formato de cabo. Esse “cabo da cauda” é a base da arma caudal.
Portanto, a clava de cauda, característica clássica dos anquilossauros, pode ter evoluído muito antes do Cretáceo. O Spicomellus já tinha a base estrutural.
Outro ponto crucial é geográfico. O exemplar é o primeiro anquilossauro encontrado na África. Antes, a região era considerada vazia para o grupo.
Conforme o Natural History Magazine, três outros dinossauros foram descobertos na mesma formação El Mers III. São dois estegossauros, Adratiklit boulahfa e Thyreosaurus atlasicus, mais o cerapodano mais antigo do mundo.
De fato, o sítio de Boulemane está virando o “Solnhofen do Jurássico Médio”. Cada novo achado redefine cronologias inteiras de grupos de dinossauros.
- Idade do Spicomellus: 165 milhões de anos (Jurássico Médio Bathoniano)
- Espinhos de pescoço: até 87 cm preservados, possivelmente mais de 1 m em vida
- Localização: Formação El Mers III, Atlas Médio, Marrocos
- Adianta evolução: 30 milhões de anos antes do esperado
- Publicação: Nature, 27 de agosto de 2025
Defesa contra predadores ou exibição sexual
Os pesquisadores discutem se a armadura do Spicomellus servia para defesa ou exibição. Os espinhos de pescoço de mais de 1 metro fazem ambos.
A função óbvia é proteção. Espinhos laterais defendem o pescoço de mordidas vindas de cima. Predadores terópodes saltavam sobre a presa visando o pescoço.
Conforme o Britannica, durante o Bathoniano viviam grandes terópodes como o Allosaurus europaeus e parentes. Eram caçadores de presas blindadas.
Em paralelo, espinhos tão longos funcionam como displays visuais. Outros dinossauros já tinham estruturas para competição sexual e dominância territorial.
Conforme outras descobertas relacionadas, como a do dinossauro chinês de espinhos ocos noticiada pelo Click Petróleo e Gás, esse tipo de estrutura combina defesa com competição.
Dessa forma, a hipótese mais aceita é hibridização funcional. Os espinhos serviam para tudo ao mesmo tempo: proteção, intimidação visual e disputa intraespecífica.

Por que o Marrocos virou polo da paleontologia jurássica
A região do Atlas Médio em Marrocos não era foco da paleontologia até 2019. Hoje, é uma das janelas mais ricas para o Jurássico Médio mundial.
Segundo o portal Maroc, três outras espécies de dinossauro foram descritas na Formação El Mers III. Os fósseis aparecem em depósitos de planície aluvial fluvial.
Conforme estudos da Universidade de Birmingham, o ambiente era úmido, com rios divagantes e lagos efêmeros. Vegetação ripária sustentava megafauna herbívora.
Por isso, o sítio de Boulemane está produzindo um quadro completo do ecossistema. Não é só o Spicomellus. É o ecossistema inteiro que está sendo redescoberto.
Outro paralelo no mundo paleontológico envolve descobertas asiáticas. A descoberta do menor anquilossauro do mundo na China mostra como diferentes regiões do planeta estão competindo.
De acordo com o Ministério da Cultura marroquino, mais expedições estão em curso. O potencial científico da região segue inexplorado.
O que vem depois do Spicomellus
A equipe de Maidment já planeja novas expedições. O foco passa a ser entender se o Spicomellus tinha realmente clava na cauda como os parentes do Cretáceo.
Conforme análise do Natural History Museum, as vértebras caudais soldadas sugerem que sim. Falta encontrar a clava propriamente dita.
De fato, o próximo passo é cavar mais a Formação El Mers III procurando mais peças do esqueleto. A clava da cauda seria o achado complementar mais importante.
Vale notar que o Spicomellus afer pode ainda virar uma figura central no debate sobre a origem africana dos dinossauros blindados. Outros grupos podem ter migrado do mesmo continente.
Apesar disso, a paleontologia jurássica do Marrocos é tão recente que muitas dessas hipóteses ainda precisam de mais fósseis para confirmar.
