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Animal mais antigo do mundo que viveu na Terra há aproximadamente 550 milhões de anos revelou, após estudos publicados em 2018, que a evolução animal começou de forma gradual e muito antes do que os livros indicavam

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 26/01/2026 às 23:32
Dickinsonia, animal mais antigo do mundo, no fundo de oceanos primitivos há 550 milhões de anos, durante o período Ediacarano
Representação ultra realista da Dickinsonia, considerada o animal mais antigo conhecido, vivendo nos oceanos primitivos do período Ediacarano.
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A matéria mostra como a Dickinsonia foi confirmada como o animal mais antigo conhecido, explica seu modo de vida nos oceanos primitivos e detalha por que essa descoberta mudou a história da evolução

Uma descoberta científica de grande impacto vem alterando a compreensão sobre a origem da vida animal no planeta. A Dickinsonia, considerada o animal mais antigo já identificado pela ciência, viveu há cerca de 550 milhões de anos. Esse período pertence ao Ediacarano, muito anterior ao que se acreditava ser o início da fauna animal complexa na Terra.

Os registros fósseis indicam que esse organismo habitava os fundos dos oceanos primitivos. Nesse ambiente, de forma contínua, alimentava-se de esteiras microbianas. Essas camadas eram ricas em microrganismos e recobriam o sedimento marinho. Assim, desde estágios muito antigos, a presença de animais na Terra já ocorria, o que desloca marcos tradicionais da biologia evolutiva.

Dessa forma, essa constatação reposiciona o período Ediacarano, que ocorreu entre 635 milhões e 541 milhões de anos atrás. Esse intervalo passou a ser visto como central para o surgimento dos primeiros animais. Ele antecede a famosa explosão do Cambriano, datada de aproximadamente 541 milhões de anos.

Descoberta antiga, debate científico prolongado

Por décadas, sua classificação gerou debate

A Dickinsonia foi identificada pela primeira vez em 1946, a partir de fósseis encontrados na Austrália. Desde então, o organismo passou a gerar intensos debates científicos. Isso ocorreu porque seu corpo era achatado, segmentado e difícil de comparar com animais modernos.

Durante décadas, pesquisadores divergiram sobre sua classificação. Inicialmente, alguns cientistas acreditavam que se tratava de um líquen. Outros defendiam que fosse um protista, devido às suas características incomuns. Assim, ao longo de grande parte do século XX, a Dickinsonia permaneceu como um enigma biológico. Não havia consenso dentro da paleontologia.

Esse impasse refletia, sobretudo, as limitações técnicas da época. As ferramentas disponíveis não permitiam análises químicas detalhadas. Por isso, compostos orgânicos preservados nos fósseis não podiam ser identificados.

Análises modernas confirmam natureza animal

O cenário começou a mudar de forma decisiva a partir da década de 2010. Nesse período, avanços laboratoriais permitiram estudos mais precisos de fósseis antigos. Em 2018, pesquisas conduzidas por cientistas da Universidade Nacional Australiana apresentaram evidências consideradas conclusivas.

Os estudos identificaram moléculas de colesterol fossilizadas nos restos da Dickinsonia. Esse tipo de composto é característico do metabolismo animal. Ele não está presente em fungos, plantas ou protistas. Com isso, a comunidade científica confirmou que a Dickinsonia pertence ao reino animal. A controvérsia, então, foi encerrada após mais de 70 anos.

Impacto direto na história da evolução

A confirmação da Dickinsonia como animal provocou uma revisão profunda nos modelos clássicos da evolução. Até então, acreditava-se que os animais surgiram de forma abrupta. Esse evento estaria concentrado na explosão do Cambriano, há cerca de 541 milhões de anos.

Entretanto, a existência de um animal datado de 550 milhões de anos demonstra outro cenário. A vida animal já existia muito antes desse evento, ainda que de forma simples. Assim, a explosão do Cambriano passou a ser vista como um período de diversificação. Ela deixou de ser interpretada como o início absoluto dos animais.

Reconhecimento científico e novas perspectivas

Estudos destacados por periódicos científicos como a Nature e a Science reforçaram a importância dessa descoberta. Esses trabalhos ampliaram o debate sobre a biologia evolutiva. Além disso, centros de pesquisa internacionais passaram a reavaliar fósseis do período Ediacarano.

Dessa maneira, a Dickinsonia se consolidou como um divisor de águas na paleontologia. A descoberta demonstrou que a história da vida animal é mais longa e complexa.

Se os animais já existiam há 550 milhões de anos, quantas outras formas de vida antigas ainda aguardam novas tecnologias para revelar seu papel na evolução da Terra?

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Caio Aviz

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