Investimento bilionário no Missouri amplia a disputa por data centers nos Estados Unidos e reforça como inteligência artificial, computação em nuvem, energia e água passaram a ocupar o centro da estratégia das maiores empresas de tecnologia do mundo.
A Amazon anunciou na segunda-feira (15) um investimento de US$ 10 bilhões para construir um novo campus de data centers no Condado de Montgomery, no Missouri, nos Estados Unidos, em um projeto voltado a serviços de computação em nuvem.
Com a nova estrutura, a companhia pretende ampliar a infraestrutura usada por aplicações digitais e sistemas ligados à inteligência artificial, enquanto reforça sua presença em uma região que deve receber obras de energia, água e acesso viário.
O empreendimento deve abrir mais de 400 empregos permanentes em operações de data center, segundo a empresa, além de gerar milhares de vagas temporárias durante a fase de construção das instalações no estado norte-americano.
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Durante o anúncio, representantes da Amazon, da comunidade local, do setor de desenvolvimento econômico e de concessionárias participaram de uma entrevista coletiva para apresentar o projeto e seus efeitos esperados sobre o Condado de Montgomery.
Pelas estimativas locais, o campus deve gerar centenas de milhões de dólares em novas receitas de impostos sobre propriedades ao longo dos próximos 25 anos, ampliando a arrecadação disponível para serviços públicos e infraestrutura regional.
Investimento reforça disputa por infraestrutura de IA
Em meio ao avanço da inteligência artificial, grandes empresas de tecnologia passaram a disputar mais capacidade computacional para sustentar serviços digitais, processar grandes volumes de dados e operar modelos que exigem servidores, redes e energia em escala crescente.
Nesse cenário, os data centers se tornaram estruturas centrais para atividades como computação em nuvem, streaming, trabalho remoto, registros hospitalares e transações financeiras, áreas citadas pela Amazon ao explicar a finalidade do novo campus.
A expansão, porém, também aumenta a atenção sobre energia e água, dois pontos sensíveis em projetos desse porte, especialmente em regiões que precisam equilibrar desenvolvimento econômico, custo de serviços públicos e pressão sobre recursos locais.

Para reduzir esse impacto, a Amazon afirmou que trabalhou com a Ameren Missouri para evitar que os custos ligados ao novo campus sejam repassados às contas de energia dos demais consumidores da região.
Além dessa negociação, a companhia informou ter investido em um projeto de energia livre de carbono no Missouri, com capacidade de 138 megawatts, voltado a ampliar a oferta energética local no longo prazo.
De acordo com a empresa, essa geração seria suficiente para abastecer mais de 28 mil residências, dado usado pela Amazon para dimensionar o alcance do projeto energético associado ao novo campus.
Água e energia entram no centro do projeto
No abastecimento hídrico, a Amazon informou que financiará a infraestrutura necessária para a construção e operação das instalações, com previsão de doação do sistema ao Montgomery County Public Water Supply District No. 1 após a conclusão das obras.
A medida, segundo a companhia, não terá custo para o distrito responsável pelo abastecimento local e faz parte da estrutura planejada para viabilizar a operação do campus de data centers no Condado de Montgomery.
Outra frente citada pela empresa envolve o resfriamento das instalações, já que data centers precisam controlar a temperatura dos equipamentos para manter servidores em funcionamento contínuo e reduzir riscos operacionais.
Pela estimativa divulgada, os data centers do campus devem usar resfriamento por ar externo na maior parte do tempo, enquanto o uso de água para essa finalidade ocorrerá em 7% do ano ou menos.
Nos períodos mais quentes, quando houver necessidade de água no resfriamento, o projeto deverá contar com captação de chuva para atender cerca de 20% da demanda anual do local.
A Amazon também afirma que a água será reutilizada seis vezes em um sistema interno de reciclagem, mecanismo apresentado como parte da estratégia para reduzir a pressão sobre o abastecimento durante a operação.
Governo do Missouri vê impacto regional
O governador do Missouri, Mike Kehoe, afirmou que o anúncio representa novas oportunidades para o Condado de Montgomery e para a região ao redor, em razão do volume de investimento e da geração de empregos prevista.
Na avaliação dele, projetos desse porte podem apoiar melhorias de infraestrutura, ampliar receitas para escolas e serviços públicos e criar bases para o crescimento econômico futuro em comunidades diretamente afetadas pela instalação.
David Zapolsky, diretor global de Assuntos Jurídicos da Amazon, destacou que a empresa atua no Missouri desde 2017 e emprega atualmente mais de 10 mil moradores do estado.
Segundo o executivo, o investimento reflete a estratégia da companhia de ouvir comunidades locais, manter presença de longo prazo e construir parcerias antes de avançar com empreendimentos de grande escala.
Além do campus, a Amazon anunciou compromissos comunitários associados ao projeto, incluindo mais de US$ 7 milhões em contribuições locais para iniciativas no Condado de Montgomery.
Entre as ações previstas estão recursos para serviços de emergência, apoio a programas de educação em ciência e tecnologia e a criação de um novo fundo comunitário voltado a projetos locais.
Campus amplia presença da Amazon no Missouri
Antes do novo investimento, a Amazon já mantinha no Missouri centros de distribuição, estações de entrega, unidades da Whole Foods Market e uma fazenda solar, compondo uma operação diversificada no estado.
Segundo a companhia, sua presença no Missouri contribuiu com mais de US$ 9 bilhões para o PIB estadual desde 2010, valor usado para dimensionar o impacto econômico acumulado da empresa na região.
Com o campus de Montgomery, a empresa reforça uma área considerada estratégica para a economia digital, em um momento de alta demanda por nuvem, inteligência artificial e serviços online de grande escala.
Os cargos previstos incluem eletricistas, técnicos de HVAC, engenheiros de projeto, especialistas em redes, gerentes de operação e profissionais de segurança, funções ligadas à construção, manutenção e operação das instalações.
O cronograma detalhado de construção e início das operações não foi divulgado nas fontes consultadas.


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