1. Início
  2. Curiosidades
  3. Estudo revela que alpinistas que chegam ao topo do Everest respiram apenas 30% do oxigênio ao nível do mar e podem retornar com atrofia do córtex cerebral, dificuldades de concentração por semanas e possíveis danos neurológicos associados à altitude extrema
Faça um comentário 5 min de leitura

Estudo revela que alpinistas que chegam ao topo do Everest respiram apenas 30% do oxigênio ao nível do mar e podem retornar com atrofia do córtex cerebral, dificuldades de concentração por semanas e possíveis danos neurológicos associados à altitude extrema

Imagem de perfil do autor Valdemar Medeiros
Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 18/04/2026 às 13:17 Atualizado em 18/04/2026 às 13:20
Assista o vídeoEstudo revela que alpinistas que chegam ao topo do Everest respiram apenas 30% do oxigênio ao nível do mar e podem retornar com atrofia do córtex cerebral, dificuldades de concentração por semanas e possíveis danos neurológicos associados à altitude extrema
Estudo revela que alpinistas do Everest podem sofrer atrofia cerebral mesmo sem sintomas
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Estudo revela que alpinistas do Everest podem sofrer atrofia cerebral mesmo sem sintomas após respirar apenas 30% do oxigênio do nível do mar.

Segundo a Scientific American, que analisou os resultados de um estudo de ressonância magnética com alpinistas que tentaram o Everest, apenas um dos treze participantes voltou com uma imagem cerebral considerada normal. Os outros doze apresentaram atrofia cortical ou alargamento dos espaços de Virchow-Robin, uma alteração estrutural geralmente associada ao envelhecimento e raramente observada em adultos jovens e saudáveis.

Nenhum deles havia apresentado sintomas graves de doença de altitude durante a expedição. Nenhum sabia que havia sofrido dano cerebral.

Everest atinge 8.848 metros e expõe o corpo humano à chamada zona da morte acima de 8.000 metros

O Everest possui 8.848 metros de altitude e sua cimeira está localizada dentro da chamada “zona da morte”, região acima de 8.000 metros onde a pressão atmosférica cai para menos de um terço do valor ao nível do mar.

Isso significa que cada respiração fornece ao organismo aproximadamente 30% do oxigênio disponível em condições normais. A saturação de oxigênio no sangue, que normalmente varia entre 95% e 100%, pode cair para níveis entre 50% e 60%, patamar considerado crítico em ambiente hospitalar.

O conceito de zona da morte foi formulado em 1953 pelo médico suíço Édouard Wyss-Dunant, descrevendo uma condição em que o corpo humano não consegue mais se aclimatar, entrando em declínio progressivo.

Crescimento do turismo no Everest aumenta exposição de alpinistas a riscos neurológicos extremos

Desde a primeira ascensão realizada por Edmund Hillary e Tenzing Norgay em 1953, o Everest acumulou mais de 13.700 chegadas ao cume por cerca de 7.500 pessoas diferentes, segundo o Himalayan Database.

A partir dos anos 2000, houve uma expansão significativa do turismo de alta altitude. Entre 2000 e 2025, mais pessoas subiram acima do campo base do que em todas as décadas anteriores somadas.

Em 2025, aproximadamente 850 alpinistas alcançaram o cume, muitos deles com pouca experiência em altitudes extremas, ampliando o risco de exposição a condições fisiológicas críticas.

Estudo científico mostra atrofia cerebral em alpinistas mesmo sem sintomas clínicos aparentes

Em 2006, o neurologista Nicolás Fayed e sua equipe da Universidade de Zaragoza publicaram no American Journal of Medicine um estudo envolvendo 35 alpinistas submetidos a exames de ressonância magnética após expedições.

Espaço de Virchow – Robin

Os resultados da expedição ao Everest foram particularmente relevantes. Dos treze participantes analisados, apenas um apresentou estrutura cerebral normal. Os demais apresentaram alterações como atrofia cortical difusa e alargamento dos espaços perivasculares.

Essas alterações indicam que danos estruturais podem ocorrer mesmo na ausência de sintomas perceptíveis durante a escalada.

Alterações nos espaços de Virchow-Robin indicam impacto na circulação cerebral e no sistema de drenagem do cérebro

Os espaços de Virchow-Robin são canais microscópicos associados aos vasos sanguíneos cerebrais e ao sistema de drenagem do cérebro.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

O alargamento dessas estruturas sugere alterações na circulação cerebral ou na pressão do fluido cerebrospinal, indicando que a exposição à altitude extrema pode comprometer o equilíbrio interno do cérebro.

Em indivíduos jovens e saudáveis, esse tipo de alteração é incomum, reforçando o impacto fisiológico da hipóxia prolongada.

Alpinistas amadores apresentam maior risco de sintomas neurológicos após exposição à altitude extrema

O estudo também identificou diferenças entre alpinistas profissionais e amadores. Enquanto profissionais apresentaram maior grau de atrofia sem sintomas evidentes, amadores demonstraram manifestações clínicas mais perceptíveis, incluindo perda de memória, lentidão cognitiva e dificuldades de linguagem.

Essa diferença sugere que a aclimatação progressiva pode reduzir sintomas imediatos, mas não necessariamente evita danos estruturais no cérebro.

Hipóxia severa compromete funcionamento cerebral e ativa mecanismos de dano celular

O cérebro humano consome cerca de 20% do oxigênio do corpo, sendo altamente dependente de fornecimento contínuo.

Na altitude extrema do Everest, a redução de oxigênio provoca vasodilatação cerebral, aumento da pressão intracraniana e, em casos mais graves, extravasamento de fluidos para o tecido cerebral.

Esse processo pode levar ao edema cerebral de altitude, além de desencadear mecanismos como estresse oxidativo e dano à substância branca, responsável pela comunicação entre regiões do cérebro.

Perda de substância branca e cinzenta indica redução da conectividade neural após expedições

Estudos adicionais, como o de Di Paola et al. publicado em 2008 no European Journal of Neurology, identificaram redução de substância branca e cinzenta em áreas específicas do cérebro de alpinistas.

As regiões afetadas incluem áreas responsáveis pelo controle motor e integração sensorial, indicando possível comprometimento da conectividade neural. Mesmo sem déficits cognitivos imediatos, essas alterações representam perda estrutural relevante.

Alpinistas que participam de múltiplas expedições estão sujeitos a um efeito cumulativo de exposição à hipóxia e variações de pressão.

Esse acúmulo pode aumentar o risco de alterações neurológicas ao longo do tempo, mesmo que não haja sintomas evidentes após cada expedição individual. A medicina ainda não possui dados suficientes para quantificar completamente esse risco a longo prazo.

Popularização do Everest amplia risco de danos cerebrais silenciosos em escala global

A crescente acessibilidade ao Everest transformou a montanha em um destino turístico de alto risco. Com mais alpinistas tentando alcançar o cume a cada temporada, aumenta também o número de pessoas expostas à zona da morte sem preparo adequado.

Isso levanta preocupações sobre um possível aumento de danos neurológicos silenciosos em escala global, muitas vezes não diagnosticados.

A evidência científica indica que alterações estruturais podem ocorrer mesmo sem sintomas imediatos. Diante disso, surge uma questão central: o cérebro que retorna de uma expedição ao Everest mantém sua integridade original ou carrega marcas permanentes da exposição extrema?

Na sua visão, os riscos neurológicos da altitude estão sendo subestimados ou ainda não foram totalmente compreendidos pela ciência?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x