Empresas da Europa anunciam aliança estratégica para acelerar o uso de inteligência artificial em defesa naval e vigilância submarina
A Helsing, a Blue Ocean Marine Tech Systems, a Ocean Infinity e a QinetiQ anunciaram uma nova parceria com foco no uso de inteligência artificial e tecnologias autônomas para operações marítimas. O objetivo é acelerar a digitalização dos oceanos, melhorar a vigilância no mar e proteger embarcações e infraestrutura submarina crítica.
A iniciativa foi divulgada no dia 29 de abril. As quatro empresas trabalham juntas para ampliar as capacidades de defesas marítimas com foco em segurança e resposta rápida. A ideia central é desenvolver e entregar soluções soberanas, escaláveis e autônomas.
O grupo reconhece haver ameaças subaquáticas persistentes e novas no espaço Euro-Atlântico. Entre os riscos mais duradouros estão os níveis elevados de atividade submarina por parte de adversários em potencial.
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Isso reforça a importância de uma guerra antissubmarino mais eficiente. Já as ameaças emergentes envolvem riscos contra infraestrutura crítica submarina, especialmente no mar da Noruega e no Báltico, com incidentes registrados desde 2021.
Tecnologia para responder aos riscos
As empresas acreditam que combater essas ameaças exige reforço em inteligência, vigilância e reconhecimento.
Para isso, será necessário integrar IA e sistemas autônomos com outras plataformas marítimas, sensores e equipamentos. O foco é gerar o volume necessário de dados e ações de resposta com mais velocidade.
A Helsing atua com defesa baseada em IA. A Blue Ocean Marine Tech Systems oferece sistemas autônomos para coleta de dados.
A Ocean Infinity traz sua experiência com veículos robóticos, embarcações de superfície não tripuladas e veículos subaquáticos autônomos. Já a QinetiQ contribui com integração de sistemas e testes tecnológicos.
Uso atual e perspectivas
As marinhas da OTAN já utilizam soluções com inteligência artificial para atender às demandas de vigilância, defesa e segurança submarina. Por isso, segundo Amelia Gould, gerente geral da Helsing Maritime, a nova parceria traz valor real ao consolidar conhecimento e acelerar soluções práticas.
Para Gould, o diferencial está em desenvolver uma IA pensada desde o início para uso militar. Essa abordagem inclui garantia de dados, explicações claras e adaptação constante aos contextos operacionais. “Não se trata apenas de uma IA ‘de uma só vez’: trata-se de uma IA que aprende e se adapta continuamente”, disse ela.
Ela destacou que as lições aprendidas com a guerra entre Rússia e Ucrânia mostram a importância de iterar a IA de forma rápida. A parceria, segundo ela, reúne os parceiros certos para integrar os sistemas nos contextos corretos.
Resultados práticos já em andamento
Gould revelou que as empresas já trabalham juntas em aplicações práticas. Segundo ela, a união dos esforços é mais eficiente do que cada uma tentar desenvolver tudo sozinha. A expectativa é entregar resultados concretos para as marinhas dentro de um ano.
A proposta do grupo é desenvolver capacidades que atendam a diferentes situações, como combate a ameaças submarinas, proteção de infraestrutura e vigilância de áreas extensas. “Estamos muito focados em ser uma parceria orientada por missão”, afirmou Gould.
Segundo ela, o trabalho conjunto também permite identificar soluções novas que nenhuma empresa teria pensado sozinha. A diversidade de pensamento e de capacidades será usada para resolver os problemas atuais das marinhas.
Cobertura mais ampla com tecnologia inteligente
A parceria não se limita à criação de novos equipamentos autônomos. O foco também está no uso inteligente do software para ampliar o alcance de plataformas já existentes. A combinação entre hardware leve e software poderoso é central no plano de ação.
Para Gould, a chave para ganhar escala é pensar diferente. Um dos focos é tornar o hardware simples e rápido de produzir. Já a complexidade será concentrada no software, que pode ser replicado rapidamente e adaptado conforme necessário.
A outra parte crítica envolve os chamados “recursos inteligentes”, que permitem que as plataformas cumpram suas missões de forma autônoma. Essa camada de inteligência é o que dará flexibilidade para implantar soluções em grande número.
Uso de plataformas tripuladas em momentos específicos
Gould destacou que a “massa inteligente” oferecida pelas plataformas autônomas permite escolher melhor quando usar meios tripulados. Como os equipamentos com tripulação têm produção mais lenta e custos maiores, eles devem ser usados em momentos certos.
Já as plataformas autônomas podem ser produzidas e implantadas em maior volume. Isso abre espaço para decisões estratégicas e maior liberdade de ação.
A expectativa dos parceiros é anunciar novas etapas em breve. Eles pretendem começar a implantar as novas capacidades ainda este ano.
A parceria pretende entregar capacidades operacionais baseadas em inteligência artificial e autonomia dentro de um ano, reforçando a segurança marítima em regiões de risco como os mares da Noruega e Báltico.
Com informações de Naval News.
