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Algas marinhas surpreendem cientistas ao bloquear etapa crucial da infecção por norovírus, vírus que provoca milhões de casos de gastroenterite todos os anos

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 12/03/2026 às 15:24
Pesquisador manipula algas marinhas em laboratório durante estudo científico sobre compostos naturais capazes de bloquear a infecção por norovírus.
Cientistas analisam compostos presentes em algas marinhas em laboratório; estudo indica potencial para impedir a ligação do norovírus ao intestino humano.
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Descoberta científica indica que compostos naturais presentes em algas podem interferir no início da infecção causada pelo norovírus, responsável por centenas de milhões de casos de gastroenterite no mundo

Uma descoberta científica relevante sobre prevenção de doenças infecciosas foi apresentada recentemente por pesquisadores da Austrália, atraindo atenção da comunidade científica internacional.

O estudo identificou que compostos naturais presentes em algas marinhas podem interferir no processo de infecção do norovírus, principal agente causador de gastroenterite aguda no mundo.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Griffith, em parceria com a empresa de biotecnologia Marinova, e teve seus resultados publicados em 2026 na revista científica Microbiology Spectrum.

O norovírus é conhecido por provocar sintomas como náuseas, vômitos, diarreia aquosa, febre e dores abdominais, além de ser responsável por cerca de 685 milhões de infecções por ano em todo o planeta.

Esse cenário reforça a importância de identificar estratégias capazes de reduzir o impacto global da doença.

Descoberta científica analisa compostos presentes nas algas

A pesquisa concentrou sua análise em compostos bioativos encontrados em algas verdes e algas marrons, espécies marinhas amplamente estudadas por suas propriedades biológicas.

Entre as substâncias investigadas pelos cientistas, destacaram-se dois compostos específicos:

Fucoidan, extraído de algas marrons
Ulvan, presente em algas verdes

Essas moléculas foram analisadas porque poderiam interferir diretamente na etapa inicial da infecção viral.

Para infectar o organismo humano, o norovírus precisa primeiro ligar-se a moléculas presentes no intestino chamadas antígenos de grupos sanguíneos histológicos (HBGAs).

Essa ligação é considerada essencial para que o vírus consiga iniciar o processo infeccioso dentro do corpo humano.

Resultados laboratoriais apontam ação do fucoidan

Durante os experimentos conduzidos em laboratório, os pesquisadores observaram que o composto fucoidan apresentou o efeito mais significativo contra o vírus.

Nesse sentido, os testes realizados pela equipe da Universidade Griffith demonstraram que o composto conseguiu bloquear a ligação do norovírus às moléculas presentes no intestino humano.

Consequentemente, quando essa ligação é impedida, o vírus encontra dificuldades para iniciar o processo infeccioso.

De acordo com Grant Hansman, pesquisador da Universidade Griffith e autor principal do estudo, o composto atua como uma barreira protetora.

Segundo o cientista, o fucoidan ocupa o espaço onde o vírus normalmente se fixa, impedindo que o patógeno se conecte às estruturas celulares necessárias para iniciar a infecção.

Assim, ao ocupar esse ponto de ligação, o composto reduz a capacidade inicial do vírus de interagir com as células do intestino.

Potencial para estratégias naturais de prevenção

Diante desses resultados, os pesquisadores consideram que o fucoidan pode representar um caminho promissor para estratégias naturais de prevenção contra o norovírus.

Além disso, o composto já aparece atualmente em alguns suplementos alimentares, o que demonstra boa tolerância em estudos realizados com humanos.

Por esse motivo, essa característica pode facilitar futuras aplicações médicas relacionadas à prevenção da infecção viral.

Ainda assim, os cientistas ressaltam que novas investigações continuam sendo necessárias para ampliar o entendimento sobre esse mecanismo.

Próximos passos da pesquisa científica

Agora, os pesquisadores pretendem investigar formas de produzir o fucoidan em maior escala.

Ao mesmo tempo, os cientistas também buscam potencializar os efeitos protetores do composto, explorando novas estratégias para reduzir surtos de gastroenterite.

Assim, esse avanço científico amplia o entendimento sobre como compostos naturais presentes em algas marinhas podem contribuir para estratégias preventivas contra o norovírus.

Portanto, diante do elevado número de infecções registradas todos os anos no mundo, novas abordagens científicas passam a ser consideradas.

Diante dessas evidências iniciais, surge uma questão relevante.

Será que compostos naturais extraídos de algas marinhas poderão, no futuro, contribuir para reduzir a incidência global de gastroenterite causada pelo norovírus?

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