Descoberta científica indica que compostos naturais presentes em algas podem interferir no início da infecção causada pelo norovírus, responsável por centenas de milhões de casos de gastroenterite no mundo
Uma descoberta científica relevante sobre prevenção de doenças infecciosas foi apresentada recentemente por pesquisadores da Austrália, atraindo atenção da comunidade científica internacional.
O estudo identificou que compostos naturais presentes em algas marinhas podem interferir no processo de infecção do norovírus, principal agente causador de gastroenterite aguda no mundo.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Griffith, em parceria com a empresa de biotecnologia Marinova, e teve seus resultados publicados em 2026 na revista científica Microbiology Spectrum.
-
Menina indiana de 13 anos impressiona o mundo ao liderar o plantio de 200 mil árvores em mais de 120 locais e ganhar reconhecimento internacional ainda na infância
-
Recifes de coral ganham nova esperança após cientistas identificarem 165 mil km² com potencial de resistir ao calor em 71 países, servir como bancos vivos de recuperação e proteger alimento, empregos e litorais de quase 1 bilhão de pessoas sob ameaça climática
-
Um gigante americano pode sumir em cinco anos: o Grande Lago Salgado de Utah já encolheu dois terços, expôs um leito cheio de arsênio e cientistas chamam seu colapso de “bomba nuclear ambiental” prestes a explodir sobre uma cidade de mais de um milhão de pessoas
-
Filhos dão mais sentido à vida, mas não mais felicidade: estudo com mais de 5.500 pessoas em 10 países revela descoberta surpreendente sobre bem-estar, relacionamentos e o verdadeiro impacto da parentalidade ao longo da vida.
O norovírus é conhecido por provocar sintomas como náuseas, vômitos, diarreia aquosa, febre e dores abdominais, além de ser responsável por cerca de 685 milhões de infecções por ano em todo o planeta.
Esse cenário reforça a importância de identificar estratégias capazes de reduzir o impacto global da doença.
Descoberta científica analisa compostos presentes nas algas
A pesquisa concentrou sua análise em compostos bioativos encontrados em algas verdes e algas marrons, espécies marinhas amplamente estudadas por suas propriedades biológicas.
Entre as substâncias investigadas pelos cientistas, destacaram-se dois compostos específicos:
• Fucoidan, extraído de algas marrons
• Ulvan, presente em algas verdes
Essas moléculas foram analisadas porque poderiam interferir diretamente na etapa inicial da infecção viral.
Para infectar o organismo humano, o norovírus precisa primeiro ligar-se a moléculas presentes no intestino chamadas antígenos de grupos sanguíneos histológicos (HBGAs).
Essa ligação é considerada essencial para que o vírus consiga iniciar o processo infeccioso dentro do corpo humano.
Resultados laboratoriais apontam ação do fucoidan
Durante os experimentos conduzidos em laboratório, os pesquisadores observaram que o composto fucoidan apresentou o efeito mais significativo contra o vírus.
Nesse sentido, os testes realizados pela equipe da Universidade Griffith demonstraram que o composto conseguiu bloquear a ligação do norovírus às moléculas presentes no intestino humano.
Consequentemente, quando essa ligação é impedida, o vírus encontra dificuldades para iniciar o processo infeccioso.
De acordo com Grant Hansman, pesquisador da Universidade Griffith e autor principal do estudo, o composto atua como uma barreira protetora.
Segundo o cientista, o fucoidan ocupa o espaço onde o vírus normalmente se fixa, impedindo que o patógeno se conecte às estruturas celulares necessárias para iniciar a infecção.
Assim, ao ocupar esse ponto de ligação, o composto reduz a capacidade inicial do vírus de interagir com as células do intestino.
Potencial para estratégias naturais de prevenção
Diante desses resultados, os pesquisadores consideram que o fucoidan pode representar um caminho promissor para estratégias naturais de prevenção contra o norovírus.
Além disso, o composto já aparece atualmente em alguns suplementos alimentares, o que demonstra boa tolerância em estudos realizados com humanos.
Por esse motivo, essa característica pode facilitar futuras aplicações médicas relacionadas à prevenção da infecção viral.
Ainda assim, os cientistas ressaltam que novas investigações continuam sendo necessárias para ampliar o entendimento sobre esse mecanismo.
Próximos passos da pesquisa científica
Agora, os pesquisadores pretendem investigar formas de produzir o fucoidan em maior escala.
Ao mesmo tempo, os cientistas também buscam potencializar os efeitos protetores do composto, explorando novas estratégias para reduzir surtos de gastroenterite.
Assim, esse avanço científico amplia o entendimento sobre como compostos naturais presentes em algas marinhas podem contribuir para estratégias preventivas contra o norovírus.
Portanto, diante do elevado número de infecções registradas todos os anos no mundo, novas abordagens científicas passam a ser consideradas.
Diante dessas evidências iniciais, surge uma questão relevante.
Será que compostos naturais extraídos de algas marinhas poderão, no futuro, contribuir para reduzir a incidência global de gastroenterite causada pelo norovírus?

Seja o primeiro a reagir!