Com diesel perto de US$ 7 por galão, energia cara e custos regulatórios de US$ 1.600 por acre no cultivo de alface, agricultores da Califórnia afirmam que fazendas familiares estão perdendo competitividade e sendo pressionadas por regras estaduais, transporte caro e margens cada vez menores
Uma reportagem da FOX mostrou que a produção de alface na Califórnia passou a simbolizar a pressão enfrentada por agricultores do estado, com custos regulatórios citados em US$ 1.600 por acre e margens de lucro entre US$ 100 e US$ 200. Em fazendas de Malibu e Moorpark, Larry Thorne e Craig Underwood relatam alta do diesel, da eletricidade e das exigências estaduais como fatores que reduzem a viabilidade do trabalho no campo.
Nas colinas de Malibu, a família de Thorne cultiva a terra há quase 80 anos, em uma região marcada pela neblina do Pacífico e pelo clima mediterrâneo. Hoje, ele afirma que esse ambiente já não compensa a pressão econômica causada pelo combustível próximo de US$ 7 por galão, pelas tarifas de energia e pela regulação estadual.
A cerca de 40 minutos dali, em Moorpark, Craig Underwood administra a Underwood Family Farms, uma propriedade de 1.214 hectares no Condado de Ventura. Veterano da Marinha, aos 83 anos, ele diz ter enfrentado secas e crises de mercado, mas afirma nunca ter visto uma caixa de morangos custar US$ 70 ou a alface carregar um custo regulatório tão alto por acre.
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Alface concentra impacto de custos no campo
Underwood afirma que as regras da Califórnia acrescentam cerca de US$ 1.600 por acre ao cultivo de alface, enquanto a margem dos agricultores geralmente fica entre US$ 100 e US$ 200. Para ele, a combinação entre custos trabalhistas, combustível e exigências vindas de Sacramento tornou o estado quase não competitivo.
A pressão aparece também no transporte dos alimentos até o mercado. Thorne lembra que antes gastava cerca de US$ 60 para encher o tanque da caminhonete usada no deslocamento de verduras, enquanto agora o valor chega a quase US$ 200.
O agricultor afirma que esse custo não fica restrito ao produtor e acaba pesando no preço pago pelo consumidor. Na avaliação dele, o combustível usado para levar alimentos até a cidade encarece muito o produto final.
Underwood também aponta o transporte como parte central do problema. Ele afirma que, para cada pé de alface vendido, não há apenas o custo de cultivo, mas também gastos com colheita, refrigeração, armazenagem e deslocamento até a prateleira.
Diesel, energia e eletrificação pressionam produtores
Thorne afirma que o governo da Califórnia ignora a questão energética e que, nas últimas quatro décadas, o setor agrícola passou a seguir a lógica de crescer ou desaparecer. Para ele, grandes produtores conseguiram sobreviver melhor a essa pressão, enquanto pequenos agricultores enfrentam mais dificuldade.
O agricultor diz que sementes, fertilizantes, combustível e mão de obra subiram pelo menos 25% em três anos. Ele também recorda que, quando era mais novo, o diesel custava cinco centavos o galão.
As duas fazendas têm tamanhos diferentes, mas enfrentam cobranças semelhantes sobre energia e adaptação. Os agricultores relatam que, além do diesel caro, recebem pressão para substituir tratores e equipamentos por alternativas elétricas, mesmo com dúvidas sobre a capacidade da rede.
Thorne afirma que a Califórnia não tem rede elétrica nem fontes de energia suficientes para sustentar essa transição. Ele também critica o fechamento de refinarias de petróleo no estado e descreve esse conjunto de medidas como um processo que expulsa pessoas com menor renda.
Fazendas mantêm produção diversificada
A Thorne Family Farms, em Malibu, recebe clientes aos fins de semana para escolher produtos frescos e itens de despensa. A fazenda permanece como a última em uma cidade marcada por mansões milionárias, enquanto vizinhos próximos chegaram a permitir que Thorne usasse suas terras para cultivar.
Na Underwood Family Farms, o público encontra opções de colheita própria durante todo o ano, sete dias por semana. A propriedade oferece repolho, framboesas, nabos, vários tipos de alface, beterrabas, limões, amoras, flores frescas e atrações ligadas ao festival de primavera.
A dedicação à terra aparece nos relatos dos dois agricultores, mesmo diante da queda nas margens. Underwood afirma que, a cada ano, tenta cortar custos e arrecadar um pouco mais, mas os gastos sobem mais rápido do que as reduções possíveis.
Ele compara o momento atual à década de 1980, quando muitos agricultores faliram. Na avaliação dele, muitos produtores voltam a sentir pressão semelhante, agora marcada por custos altos, preços baixos e baixa demanda.
Estado cita mercado global de petróleo
O gabinete do governador Gavin Newsom encaminhou a demanda de comentário à Comissão de Energia da Califórnia. Um porta-voz afirmou que a pressão atual sobre os combustíveis resulta da disrupção no mercado global de petróleo provocada pela guerra no Irã e pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz.
A comissão também citou o Estreito de Ormuz como uma rota por onde passa cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo. A resposta afirmou que investimentos em veículos elétricos, combustíveis limpos, confiabilidade da rede e transporte limpo ajudam a proteger consumidores de choques de preço.
A Califórnia impulsionou legislação para um futuro 100% elétrico até 2035. No ano passado, o Senado dos EUA e o presidente Donald Trump bloquearam a medida em uma votação histórica.
Produtores defendem refinarias e energia nuclear
Thorne e Underwood afirmam que seria cerca de 30% mais barato operar fora da Califórnia, mas não pretendem abandonar suas histórias familiares. Thorne diz que não conseguiria cultivar os mesmos produtos em Nevada, citando morangos, abacates e laranjas como exemplos ligados ao clima local.
Underwood define a agricultura como estilo de vida e negócio ao mesmo tempo. Ele afirma que a atividade é difícil, exige gosto pelo trabalho e já atravessou momentos duros antes.
Os dois defendem mudanças na política energética estadual. Thorne pede refinarias de petróleo e reatores nucleares, enquanto Underwood afirma que gostaria que o estado representasse mais o consumidor comum do que empresas como Edison e PG&E.
No fim da cadeia, a alface segue como exemplo do peso acumulado entre campo, transporte e prateleira. Para os agricultores, o produto que chega ao carrinho de compras carrega não apenas o cultivo, mas também diesel, energia, regras estaduais e custos logísticos.
Com informações de Fox Business.

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