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Alface de US$ 1.600 vira símbolo do sufoco na Califórnia, onde diesel caro, energia alta e regras estaduais fazem fazendas familiares lutarem para não desaparecer

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 27/04/2026 às 23:40
Alface vira símbolo da pressão sobre fazendas da Califórnia, afetadas por diesel caro, energia alta e regras estaduais.
Alface vira símbolo da pressão sobre fazendas da Califórnia, afetadas por diesel caro, energia alta e regras estaduais.
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Com diesel perto de US$ 7 por galão, energia cara e custos regulatórios de US$ 1.600 por acre no cultivo de alface, agricultores da Califórnia afirmam que fazendas familiares estão perdendo competitividade e sendo pressionadas por regras estaduais, transporte caro e margens cada vez menores

Uma reportagem da FOX mostrou que a produção de alface na Califórnia passou a simbolizar a pressão enfrentada por agricultores do estado, com custos regulatórios citados em US$ 1.600 por acre e margens de lucro entre US$ 100 e US$ 200. Em fazendas de Malibu e Moorpark, Larry Thorne e Craig Underwood relatam alta do diesel, da eletricidade e das exigências estaduais como fatores que reduzem a viabilidade do trabalho no campo.

Nas colinas de Malibu, a família de Thorne cultiva a terra há quase 80 anos, em uma região marcada pela neblina do Pacífico e pelo clima mediterrâneo. Hoje, ele afirma que esse ambiente já não compensa a pressão econômica causada pelo combustível próximo de US$ 7 por galão, pelas tarifas de energia e pela regulação estadual.

A cerca de 40 minutos dali, em Moorpark, Craig Underwood administra a Underwood Family Farms, uma propriedade de 1.214 hectares no Condado de Ventura. Veterano da Marinha, aos 83 anos, ele diz ter enfrentado secas e crises de mercado, mas afirma nunca ter visto uma caixa de morangos custar US$ 70 ou a alface carregar um custo regulatório tão alto por acre.

Alface concentra impacto de custos no campo

Underwood afirma que as regras da Califórnia acrescentam cerca de US$ 1.600 por acre ao cultivo de alface, enquanto a margem dos agricultores geralmente fica entre US$ 100 e US$ 200. Para ele, a combinação entre custos trabalhistas, combustível e exigências vindas de Sacramento tornou o estado quase não competitivo.

A pressão aparece também no transporte dos alimentos até o mercado. Thorne lembra que antes gastava cerca de US$ 60 para encher o tanque da caminhonete usada no deslocamento de verduras, enquanto agora o valor chega a quase US$ 200.

O agricultor afirma que esse custo não fica restrito ao produtor e acaba pesando no preço pago pelo consumidor. Na avaliação dele, o combustível usado para levar alimentos até a cidade encarece muito o produto final.

Underwood também aponta o transporte como parte central do problema. Ele afirma que, para cada pé de alface vendido, não há apenas o custo de cultivo, mas também gastos com colheita, refrigeração, armazenagem e deslocamento até a prateleira.

Diesel, energia e eletrificação pressionam produtores

Thorne afirma que o governo da Califórnia ignora a questão energética e que, nas últimas quatro décadas, o setor agrícola passou a seguir a lógica de crescer ou desaparecer. Para ele, grandes produtores conseguiram sobreviver melhor a essa pressão, enquanto pequenos agricultores enfrentam mais dificuldade.

O agricultor diz que sementes, fertilizantes, combustível e mão de obra subiram pelo menos 25% em três anos. Ele também recorda que, quando era mais novo, o diesel custava cinco centavos o galão.

As duas fazendas têm tamanhos diferentes, mas enfrentam cobranças semelhantes sobre energia e adaptação. Os agricultores relatam que, além do diesel caro, recebem pressão para substituir tratores e equipamentos por alternativas elétricas, mesmo com dúvidas sobre a capacidade da rede.

Thorne afirma que a Califórnia não tem rede elétrica nem fontes de energia suficientes para sustentar essa transição. Ele também critica o fechamento de refinarias de petróleo no estado e descreve esse conjunto de medidas como um processo que expulsa pessoas com menor renda.

Fazendas mantêm produção diversificada

A Thorne Family Farms, em Malibu, recebe clientes aos fins de semana para escolher produtos frescos e itens de despensa. A fazenda permanece como a última em uma cidade marcada por mansões milionárias, enquanto vizinhos próximos chegaram a permitir que Thorne usasse suas terras para cultivar.

Na Underwood Family Farms, o público encontra opções de colheita própria durante todo o ano, sete dias por semana. A propriedade oferece repolho, framboesas, nabos, vários tipos de alface, beterrabas, limões, amoras, flores frescas e atrações ligadas ao festival de primavera.

A dedicação à terra aparece nos relatos dos dois agricultores, mesmo diante da queda nas margens. Underwood afirma que, a cada ano, tenta cortar custos e arrecadar um pouco mais, mas os gastos sobem mais rápido do que as reduções possíveis.

Ele compara o momento atual à década de 1980, quando muitos agricultores faliram. Na avaliação dele, muitos produtores voltam a sentir pressão semelhante, agora marcada por custos altos, preços baixos e baixa demanda.

Estado cita mercado global de petróleo

O gabinete do governador Gavin Newsom encaminhou a demanda de comentário à Comissão de Energia da Califórnia. Um porta-voz afirmou que a pressão atual sobre os combustíveis resulta da disrupção no mercado global de petróleo provocada pela guerra no Irã e pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz.

A comissão também citou o Estreito de Ormuz como uma rota por onde passa cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo. A resposta afirmou que investimentos em veículos elétricos, combustíveis limpos, confiabilidade da rede e transporte limpo ajudam a proteger consumidores de choques de preço.

A Califórnia impulsionou legislação para um futuro 100% elétrico até 2035. No ano passado, o Senado dos EUA e o presidente Donald Trump bloquearam a medida em uma votação histórica.

Produtores defendem refinarias e energia nuclear

Thorne e Underwood afirmam que seria cerca de 30% mais barato operar fora da Califórnia, mas não pretendem abandonar suas histórias familiares. Thorne diz que não conseguiria cultivar os mesmos produtos em Nevada, citando morangos, abacates e laranjas como exemplos ligados ao clima local.

Underwood define a agricultura como estilo de vida e negócio ao mesmo tempo. Ele afirma que a atividade é difícil, exige gosto pelo trabalho e já atravessou momentos duros antes.

Os dois defendem mudanças na política energética estadual. Thorne pede refinarias de petróleo e reatores nucleares, enquanto Underwood afirma que gostaria que o estado representasse mais o consumidor comum do que empresas como Edison e PG&E.

No fim da cadeia, a alface segue como exemplo do peso acumulado entre campo, transporte e prateleira. Para os agricultores, o produto que chega ao carrinho de compras carrega não apenas o cultivo, mas também diesel, energia, regras estaduais e custos logísticos.

Com informações de Fox Business.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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