Chuva irregular atinge áreas do Centro-Oeste no início de maio, mas Goiás, DF e parte de MS enfrentam tempo mais seco e risco agrícola.
Em abril de 2026, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) apontou um cenário de transição climática no Centro-Oeste: a chuva ainda aparece em áreas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, mas já perde força em Goiás, no Distrito Federal e em grande parte da região central do país. A previsão mais específica disponível indica volumes acima de 60 mm entre 23 de abril e 9 de maio em áreas do noroeste e oeste de Mato Grosso e do centro-sul de Mato Grosso do Sul, enquanto outras áreas ficam abaixo de 40 mm.
O alerta não significa chuva generalizada em todo o Centro-Oeste. Pelo contrário: o dado que mais preocupa é a irregularidade. O próprio INMET informou, em 27 de abril de 2026, que entre 27 de abril e 4 de maio toda a região central exibe padrão mais seco, com acumulados de até 40 mm apenas no noroeste de Mato Grosso e no sul de Mato Grosso do Sul, enquanto Goiás, Distrito Federal e demais áreas de MS têm predomínio de tempo estável e chances mínimas de chuva fraca e isolada.
A seguir, entenda por que essa chuva no centro do país não elimina o risco de seca no campo, quais áreas ainda podem receber acumulados relevantes e por que o início de maio marca uma virada decisiva para a segunda safra.
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Chuva irregular no Centro-Oeste acende alerta porque chega em manchas e não resolve o avanço do tempo seco
O ponto central da previsão não é uma grande tempestade ampla cobrindo todo o Centro-Oeste, mas a formação de uma faixa de instabilidade irregular em partes específicas da região.
O INMET informa que os maiores acumulados previstos para os quinze dias entre 23 de abril e 9 de maio ficam concentrados no noroeste e oeste de Mato Grosso e no centro-sul de Mato Grosso do Sul, com volumes acima de 60 mm. Nas demais áreas da região, os acumulados devem permanecer abaixo de 40 mm entre o fim de abril e o início de maio.
Isso muda completamente a leitura do alerta. Não se trata de uma chuva volumosa e homogênea sobre todo o centro do país.
A previsão indica uma distribuição desigual, com áreas recebendo chuva suficiente para aliviar temporariamente o solo e outras praticamente entrando na transição para a estação seca. Essa diferença é decisiva para o agro, porque lavouras de segunda safra podem estar em fases sensíveis ao estresse hídrico justamente quando a chuva passa a falhar.
No boletim semanal divulgado em 27 de abril, o INMET reforçou esse padrão ao afirmar que a previsão de chuva acumulada entre 27 de abril e 4 de maio de 2026 mostra maiores volumes no Norte, Nordeste e, em menor proporção, no Centro-Sul, enquanto a região central apresenta padrão seco. Para o Centro-Oeste, o órgão aponta chuva irregular de até 40 mm em sete dias no noroeste de Mato Grosso e no sul de Mato Grosso do Sul.
Mato Grosso e Mato Grosso do Sul concentram os maiores acumulados previstos no centro do país
Dentro do Centro-Oeste, Mato Grosso aparece como uma das áreas com maior chance de receber chuva relevante no início de maio. A previsão do INMET cita acumulados acima de 60 mm no noroeste e oeste do estado entre 23 de abril e 9 de maio, enquanto o boletim semanal indica até 40 mm em sete dias no noroeste de MT entre 27 de abril e 4 de maio.
No Mato Grosso do Sul, o destaque fica para o centro-sul e o sul do estado. O INMET afirma que o centro-sul de MS pode registrar acumulados acima de 60 mm no período de quinze dias, enquanto o boletim semanal aponta até 40 mm em sete dias para o sul sul-mato-grossense.
Ao mesmo tempo, o órgão alerta que áreas do próprio MS seguem com umidade relativa abaixo de 40%, especialmente em partes do estado, o que mantém o risco de perda de água no solo.
Goiás e Distrito Federal entram no trecho mais seco da previsão enquanto lavouras exigem água
O cenário é mais delicado em Goiás e no Distrito Federal. O INMET informa que volumes abaixo de 10 mm ou até ausência de chuva podem ocorrer no sudeste de Mato Grosso, em Goiás e no DF no intervalo entre 23 de abril e 9 de maio.
Esse dado é especialmente relevante porque a região já vinha sendo acompanhada por risco de estresse hídrico em culturas de segunda safra.
Em análise publicada em 15 de abril de 2026, o INMET já havia alertado que a redução das chuvas em abril elevava o risco de perda para culturas de segunda safra no Centro-Oeste e no Sudeste. O órgão citou a transição da estação chuvosa para a estação seca e destacou que culturas como milho, feijão e algodão aumentam a demanda por água em fases vegetativas e reprodutivas.
No caso de Goiás, a situação exige atenção porque parte das lavouras ainda depende de umidade no solo acumulada anteriormente. O INMET informa que, apesar da redução das chuvas nas últimas semanas, a umidade ainda presente no solo contribuiu para o desenvolvimento de lavouras de milho segunda safra em grande parte do estado.
No entanto, o cenário apresenta sinais de mudança, principalmente nas regiões sul e leste, onde a combinação de baixos acumulados de chuva e temperaturas elevadas tende a intensificar a perda de água do solo.
O alerta agrícola fica mais forte em Rio Verde, no sul de Goiás. Segundo estimativas do SISDAGRO citadas pelo INMET, houve aumento do déficit hídrico a partir de março, com reflexos sobre o potencial produtivo do milho segunda safra e estimativa de perda de 52,6% no período analisado pelo sistema.
Chuva até o começo de maio não elimina risco de déficit hídrico nas lavouras de milho segunda safra
A chuva prevista para partes do centro do país não deve ser lida como sinal de normalização completa. O próprio INMET afirma que a previsão para os próximos quinze dias indica irregularidade na distribuição das chuvas na Região Centro-Oeste. Isso significa que alguns municípios podem registrar acumulados relevantes, enquanto áreas próximas permanecem com chuva fraca, isolada ou ausente.
Essa irregularidade atinge justamente uma fase crítica para o milho segunda safra. O órgão explica que lavouras em floração e enchimento de grãos exigem maior demanda por água. Quando a restrição hídrica aparece nesse momento, o desenvolvimento pode ser afetado diretamente, com prejuízos à formação e ao peso dos grãos.
No Mato Grosso do Sul, o principal ponto de atenção está em áreas do sudoeste e sul do estado. O INMET informa que a combinação de baixos volumes de chuva e temperaturas elevadas tem contribuído para a redução dos estoques de água no solo. Em Dourados, as estimativas do SISDAGRO indicam déficit hídrico persistente ao longo do ciclo, refletindo no aumento da perda do potencial produtivo do milho segunda safra.
Temperaturas elevadas e umidade abaixo de 40% agravam o impacto da chuva mal distribuída
Outro fator que pesa no alerta é a temperatura. O INMET prevê máximas entre 26 °C e 34 °C na maior parte do Centro-Oeste ao longo das semanas analisadas. Em áreas do noroeste e norte de Goiás, nordeste e sul de Mato Grosso, os valores podem superar 34 °C.
Temperatura elevada aumenta a evapotranspiração, processo pelo qual a água retorna à atmosfera pela evaporação do solo e pela transpiração das plantas. Na prática, mesmo quando há chuva pontual, parte da umidade pode ser rapidamente perdida se o calor, o vento e a baixa umidade dominarem os dias seguintes. Por isso, acumulados isolados nem sempre revertem o déficit hídrico nas lavouras.
A umidade relativa do ar também chama atenção. O INMET indica que ela deve permanecer abaixo de 40%, especialmente no leste e sul de Goiás, bem como em áreas de Mato Grosso do Sul. O órgão afirma que esse cenário favorece a redução dos estoques de água no solo ao longo da semana, com persistência do déficit hídrico na região.
Abril marcou a transição da estação chuvosa para a estação seca no centro do Brasil
O comportamento previsto para o início de maio não surge isolado. Ele faz parte da transição típica do fim da estação chuvosa para a estação seca no Brasil Central.
Em publicação de 15 de abril, o INMET informou que a redução dos volumes de chuva nos dias seguintes indicava o avanço desse período de transição, com impacto direto sobre culturas de segunda safra.
No mesmo relatório, o órgão afirmou que a previsão apontava volumes inferiores a 30 mm em grande parte de Minas Gerais e Goiás no período analisado, com chuvas mais restritas em algumas áreas. Em Goiás, os maiores acumulados previstos ficavam nas regiões leste e norte, entre 30 mm e 70 mm, enquanto o sul goiano teria chuvas isoladas e baixos volumes, entre 7 mm e 20 mm.
Esse dado ajuda a explicar por que o Centro-Oeste entra em alerta mesmo quando parte da região ainda registra chuva. O problema não é apenas a ausência total de precipitação, mas a mudança de regime. A chuva deixa de ser frequente, passa a ocorrer em eventos mais espaçados e se concentra em áreas menores, o que dificulta o planejamento agrícola e aumenta a dependência de atualizações meteorológicas constantes.
No Sudeste, especialmente em Minas Gerais, a análise do INMET também apontou redução das chuvas em grande parte do estado, com volumes inferiores a 10 mm no centro-norte e chuvas mais restritas ao sul, noroeste e Triângulo Mineiro, com acumulados entre 30 mm e 50 mm.
El Niño em formação pode alterar o padrão de chuva nos próximos meses, mas não explica sozinho o alerta atual
O início de maio também ocorre em um contexto de atenção para o Pacífico Equatorial. Em 24 de abril de 2026, o INMET informou que previsões recentes apontavam aumento da probabilidade de formação de El Niño ao longo de 2026.
Segundo o órgão, com base no boletim do CPC/NOAA emitido em 20 de abril, a fase de La Niña havia sido encerrada e a neutralidade estava vigente no Pacífico equatorial central, com 80% de chance de persistência até o fim do primeiro semestre.

Para o trimestre junho-julho-agosto, o INMET informa que há 79% de probabilidade de estabelecimento do El Niño, subindo para mais de 80% no trimestre julho-agosto-setembro. A partir do trimestre agosto-setembro-outubro, a chance de estabelecimento do fenômeno é igual ou maior que 90%, com possibilidade de persistência até o próximo ano.
A Climatempo também descreve um outono de 2026 com chuva se prolongando por mais tempo do que o normal em algumas áreas e com pancadas frequentes em abril no Sudeste e no Centro-Oeste.
No entanto, a empresa indica que o clima começa a secar e esfriar na segunda quinzena de maio, enquanto o transporte de umidade da Amazônia ainda pode manter pancadas por mais tempo em parte do Centro-Oeste e do Sudeste.
O impacto no agro fica concentrado na segunda safra e no manejo do solo
O maior impacto prático da previsão está no campo. O INMET relaciona a irregularidade das chuvas e as temperaturas elevadas ao desenvolvimento do milho segunda safra no Centro-Oeste, com atenção especial para Goiás e Mato Grosso do Sul.
O órgão afirma que a restrição hídrica pode afetar a formação e o peso dos grãos quando ocorre em fases críticas da cultura.
Esse risco não se limita ao milho. Em análise anterior, o INMET também citou algodão e feijão entre as culturas sensíveis à redução das chuvas no Centro-Oeste e no Sudeste. No milho, os impactos incluem redução da área foliar e prejuízos à polinização; no feijão, podem ocorrer efeitos ligados ao abortamento de flores e baixo pegamento de vagens; no algodão, a diminuição antecipada das chuvas tende a reduzir a emissão de ramos produtivos e botões florais.
O dado mais preocupante é que o tempo seco não atua sozinho. Ele se combina com calor, baixa umidade e fases fenológicas sensíveis.
Quando esses fatores ocorrem juntos, a lavoura pode perder potencial produtivo mesmo sem uma seca extrema formalmente declarada. Esse é o tipo de risco que costuma aparecer primeiro nos indicadores de balanço hídrico do solo, antes de se transformar em perda consolidada na colheita.
A recomendação do INMET, em sua análise agroclimática, é acompanhar continuamente as atualizações meteorológicas e monitorar as condições de umidade do solo para apoiar decisões de manejo, reduzir riscos operacionais e otimizar o planejamento das operações de campo.
Deixe nos comentários se, na sua região, a chuva ainda está chegando com força ou se o tempo seco já começou a dominar antes do esperado.

