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Alerta da Islândia: colapso de corrente oceânica pode congelar a Europa, levar temperaturas a -45°C e provocar crise climática global

Publicado em 19/02/2026 às 11:58
Atualizado em 19/02/2026 às 11:59
Corrente oceânica, AMOC, Colapso
Imagem: Ilustração
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Classificação do colapso da AMOC como risco à segurança nacional eleva alerta na Islândia, diante de projeções de enfraquecimento da corrente e impacto climático severo nas próximas décadas

A Islândia colocou no centro de sua estratégia de segurança nacional a possibilidade de colapso da AMOC, sistema que transporta calor pelo Atlântico. Modelos indicam que, se houver ruptura nas próximas décadas, o país pode enfrentar invernos de até -45°C e gelo marinho ao redor da ilha.

AMOC: a engrenagem climática que sustenta o norte da Europa

A Circulação Meridional do Atlântico, conhecida pela sigla AMOC, funciona como uma esteira de calor que leva águas quentes dos trópicos ao Atlântico Norte.

Ao perder calor para a atmosfera, essas águas tornam-se mais densas, afundam e retornam em profundidade para latitudes mais baixas, mantendo um ciclo ativo há cerca de 10 mil anos.

Esse mecanismo é decisivo para o equilíbrio climático. Ele ajuda a manter o norte da Europa relativamente ameno, mesmo em latitudes elevadas.

Sem esse aquecimento oceânico central, Reykjavik, situada no paralelo 64ºN, teria clima semelhante ao de áreas quase inabitadas do Canadá.

Além da Europa, a AMOC influencia as monções na África Ocidental e no Sul da Ásia, interfere no regime de chuvas na Amazônia e impacta a produtividade agrícola global.

Por isso, o enfraquecimento da AMOC não é visto apenas como um fenômeno regional, mas como um fator com potenciais efeitos em cadeia sobre cadeias alimentares, eventos extremos e estabilidade geopolítica.

Risco crescente e divergências científicas sobre o futuro da AMOC

Em 2021, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas classificou como “muito improvável” um colapso da AMOC antes de 2100.

No entanto, pesquisas mais recentes ampliaram o debate. Um estudo publicado em 2024 analisou nove modelos climáticos sob cenários de altas emissões.

Em todos, a AMOC enfraqueceu de forma significativa e acabou interrompida no longo prazo.

Mesmo em cenários compatíveis com as metas do Acordo de Paris, os autores estimaram até 25% de chance de colapso.

O oceanógrafo Stefan Rahmstorf, apontado como um dos principais especialistas no tema, declarou que o risco foi subestimado por anos e alertou para a possibilidade de o sistema atingir um ponto de não retorno nas próximas décadas.

Outros pesquisadores, por sua vez, pedem cautela. Estudos recentes indicam que mecanismos de estabilização podem tornar a AMOC mais resiliente do que se imagina.

Ainda assim, há consenso de que a circulação vem enfraquecendo desde meados do século 20, segundo dados observacionais compilados por instituições como a NOAA e o Met Office britânico.

Impactos diretos para a Islândia e o papel do aquecimento global

O principal fator de instabilidade da AMOC é o aquecimento acelerado do planeta. O derretimento da Groenlândia despeja grandes volumes de água doce no Atlântico Norte, alterando salinidade e densidade, elementos essenciais para o funcionamento da corrente.

Paralelamente, o aumento da temperatura atmosférica reduz a troca de calor entre oceano e ar, prejudicando o processo que impulsiona o afundamento das águas frias e salinas.

Caso a AMOC entre em colapso, o planeta continuaria a aquecer em média, mas partes da Europa poderiam sofrer resfriamento abrupto.

Modelos climáticos indicam que a Islândia poderia registrar invernos próximos de -45°C, além da possibilidade de formação de gelo marinho ao redor da ilha, algo que não ocorre desde o início da ocupação humana no território.

Com cerca de 400 mil habitantes, a Islândia depende fortemente da pesca e de condições climáticas relativamente estáveis. Um esfriamento intenso poderia comprometer agricultura, infraestrutura e a própria habitabilidade.

Diante desse cenário, o governo islandês classificou oficialmente o colapso da AMOC como ameaça à segurança nacional e informou que incorporará o risco em seu planejamento até 2028.

No debate público, surgem propostas como investimentos em geoengenharia, incluindo técnicas para refletir parte da radiação solar e reduzir artificialmente a temperatura global. A ideia divide a comunidade científica e enfrenta resistência política.

Especialistas alertam que ignorar sinais precoces pode ser o maior perigo. Halldór Björnsson, pesquisador do Escritório Meteorológico da Islândia, afirmou que, quando houver certeza absoluta de que a AMOC colapsou, provavelmente já será tarde demais.

Em um mundo pressionado por ondas de calor recordes, secas prolongadas e enchentes devastadoras, a possibilidade de cruzar um ponto de inflexão amplia a preocupação global e reforça o alerta em torno da AMOC como fator estratégico e climático de primeira ordem.

Com informações de Veja.

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Richard
Richard
21/02/2026 16:53

Doesnt Iceland have more than 400 inhabitants?

Mark Coulter
Mark Coulter
Em resposta a  Richard
21/02/2026 22:46

The original, in Portuguese, says 400,000. Their translation software doesn’t understand numbers. I often see mistakes like this.

K Mcmaugh
K Mcmaugh
20/02/2026 11:09

It would be very nice

Romário Pereira de Carvalho

Já publiquei milhares de matérias em portais reconhecidos, sempre com foco em conteúdo informativo, direto e com valor para o leitor. Fique à vontade para enviar sugestões ou perguntas

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