Reservas de gelo lunar no pólo sul da Lua podem gerar combustível para foguetes e tornar bases lunares autossuficientes.
A água na Lua passou de hipótese científica a peça central da nova corrida espacial.
Estados Unidos e China planejam, nos próximos anos, instalar bases lunares no pólo sul da Lua, região estratégica onde missões orbitais já identificaram indícios relevantes de gelo lunar.
A aposta ocorre porque a água pode ser usada para consumo humano, cultivo de alimentos e produção de combustível para foguetes, reduzindo drasticamente os custos das missões espaciais e abrindo caminho para viagens mais longas, inclusive a Marte.
-
O primeiro trilionário da história, Elon Musk, abre o bolso e paga o equivalente a R$ 306 bilhões, ou US$ 60 bilhões, pela startup de programação com inteligência artificial Cursor, em mais uma aposta na IA feita por meio da SpaceX, sua empresa de foguetes
-
O futuro dos computadores pode mudar antes do esperado: Amazon aposta em computação quântica comercial em até sete anos, enquanto qubits, chip Ocelot, IA e simulações científicas entram no centro da nova corrida das big techs
-
O que uma vacina contra Covid-19 tem a ver com infarto e AVC? Estudo com mais de 1 milhão de veteranos revela uma ligação inesperada entre imunização, coração e idosos acima de 75 anos
-
Helicópteros despejam 6.000 troncos em 38 km de rios remotos de Washington para reverter décadas em que biólogos retiravam madeira da água achando que faziam o certo
A escolha do pólo sul lunar não é casual.
Ademais, Diferentemente de outras áreas da Lua, essa região abriga crateras permanentemente sombreadas, onde as temperaturas extremamente baixas permitem a preservação de água sob forma sólida ou misturada ao solo.
Assim, o local pode se tornar muito mais do que um posto científico temporário.
Por que o pólo sul da Lua é considerado o “ouro branco” do espaço
A superfície lunar enfrenta extremos térmicos severos.
Quando iluminada, pode ultrapassar 120 °C; na escuridão, despenca para cerca de −245 °C. Sem atmosfera para reter vapor, qualquer água exposta desapareceria rapidamente.
Por outro lado, nas crateras que nunca recebem luz solar, o ambiente permanece estável e frio o suficiente para conservar gelo lunar por milhões de anos.
Segundo a cientista Julie Stopar, do Instituto Lunar e Planetário, essas áreas oferecem “as melhores probabilidades de encontrarmos grandes quantidades de água que possa ser utilizada como recurso”.
Ainda assim, não se espera encontrar lagos congelados. “A água não está exactamente exposta como se fosse um ringue de gelo.
Está misturada no solo”, explica Stopar. Isso exige tecnologias específicas para localização e extração.
Água na Lua como base para combustível para foguetes
Além de sustentar astronautas, a água na Lua tem um papel estratégico ainda maior.
Ao ser submetida à eletrólise processo que separa hidrogénio e oxigénio por meio de corrente elétrica , ela se transforma na base do combustível para foguetes.
“Quando liquefeitos, ambos os elementos podem incendiar-se e ser utilizados para propulsionar eficazmente naves espaciais”, explica o engenheiro George Sowers, da Escola de Minas do Colorado. Para ele, o impacto é comparável ao do petróleo na Terra.
“A água é o petróleo do espaço.”
Se produzida localmente, a água eliminaria a necessidade de transportar grandes volumes da Terra, algo extremamente caro devido à gravidade terrestre.
Assim, Como a Lua tem gravidade reduzida e nenhuma atmosfera, lançar foguetes a partir de lá é muito mais barato.
Como cientistas pretendem extrair o gelo lunar
O primeiro desafio é localizar a água com precisão. Até agora, nenhuma missão tripulada explorou diretamente o pólo sul lunar.
As evidências vêm de sondas da NASA e da agência espacial indiana.
Uma vez confirmada a presença de gelo lunar em quantidade suficiente, entram em cena métodos de extração baseados no aquecimento do solo.
A ideia central é simples: aquecer a rocha para liberar a água aprisionada.
“Se houver gelo suficiente perto da superfície, poderemos aplicar calor directamente e capturar o vapor”, afirma Sowers.
Depois disso, o sistema resfria o vapor e o transforma novamente em gelo ou água utilizável.
Tecnologia europeia aposta em mineração inteligente de água na Lua
Entre as soluções mais avançadas está o projeto LUWEX (Lunar Water Extraction), da Agência Espacial Europeia.
O sistema utiliza um cadinho giratório que aquece o solo lunar de forma eficiente, mesmo em vácuo extremo.
A ausência de atmosfera torna o aquecimento muito difícil”, explica Paul Zabel, investigador do Instituto de Sistemas Espaciais da Alemanha.
Após a extração, a água passa por uma câmara fria e, depois, por um processo de purificação, já que fica contaminada por partículas finíssimas de poeira lunar. “Conseguimos fazer água potável”, garante Zabel.
Bases lunares e o futuro das missões a Marte
No curto prazo, as primeiras bases lunares dependerão fortemente de suprimentos enviados da Terra. Com o tempo, porém, a autossuficiência será essencial para reduzir custos e riscos.
Além de abastecer foguetes, o combustível derivado da água lunar poderá alimentar veículos não tripulados e máquinas de alto consumo energético.
“Uma missão humana a Marte poderá custar até menos 12.000 milhões utilizando combustível lunar”, estima Sowers.
Ademais, Segundo Stopar, toda a estratégia de exploração interplanetária depende do sucesso desses testes. “Todo o plano da Lua-para-Marte depende de algo que está a ser demonstrado na superfície lunar.”
Disputa por recursos pode gerar conflitos no espaço
Apesar do otimismo, há preocupações.
A água na Lua não é infinita, e a concentração de gelo lunar em áreas específicas pode gerar disputas geopolíticas.
“Poderá haver um conflito a dada altura”, alerta Zabel, ao mencionar a possibilidade de extração simultânea por potências rivais no mesmo setor do pólo sul da Lua.
Ainda assim, especialistas concordam que a água lunar será o recurso-chave que definirá o ritmo da próxima era da exploração espacial e poderá transformar a Lua no primeiro verdadeiro entreposto da humanidade fora da Terra.

-
-
-
-
11 pessoas reagiram a isso.