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Agricultores americanos estão no sufoco com diesel quase dobrando de preço, seca travando o plantio e tarifas bilionárias deixando pequenas fazendas cada vez mais perto do limite

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 09/05/2026 às 18:41
Atualizado em 09/05/2026 às 20:18
Agricultores dos EUA sofrem com diesel caro, seca, tarifas e crédito difícil em meio ao plantio e risco para pequenas fazendas.
Agricultores dos EUA sofrem com diesel caro, seca, tarifas e crédito difícil em meio ao plantio e risco para pequenas fazendas.
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Agricultores americanos enfrentam alta do diesel em plena época de plantio, após perdas bilionárias com tarifas, estoques pressionados de fertilizantes, seca em áreas produtivas e dificuldades de crédito que atingem com mais força pequenas propriedades familiares e fazendas operadas por pessoas negras.

Os agricultores americanos enfrentam pressão financeira com aumento do diesel, à seca e aos efeitos das tarifas comerciais, durante o período de plantio da primavera. Uma reportagem do The Guardiam mostrou que o avanço dos custos ameaça pequenas propriedades familiares, reduz margens de lucro e amplia dificuldades nos últimos anos.

Os últimos anos foram difíceis para agricultores nos Estados Unidos. No ano passado, produtores perderam cerca de US$ 34,6 bilhões depois que antigos parceiros comerciais deixaram de comprar produtos americanos em meio às tarifas. Agora, a guerra com o Irã também afetou os estoques de fertilizantes e elevou os preços do diesel.

A agricultura americana depende fortemente de motores movidos a diesel para operar tratores, caminhões e máquinas agrícolas. O aumento ocorre justamente no período de plantio da primavera.

Rear view of senior farmer with his grandson standing in green soybean field examining crop at sunset.

Agricultores enfrentam alta do diesel durante período de plantio

Blake Gendebien, dono de uma fazenda leiteira de 485 hectares em Lisbon, no estado de Nova York, disse que os custos crescentes chegaram em um momento difícil. Sua propriedade possui 500 vacas, e ele utiliza cerca de 75.700 litros de combustível para plantar e colher culturas.

Em abril do ano passado, Gendebien pagava US$ 2,65 por galão de diesel destinado ao uso fora de estrada. Esse combustível é utilizado por veículos agrícolas e equipamentos que não circulam em vias públicas, sendo isento de impostos federais e estaduais.

Neste ano, o diesel fora de estrada se aproxima de US$ 5 por galão. Dados recentes mostram que 86% dos agricultores americanos administram pequenas propriedades familiares com renda bruta anual de US$ 350 mil ou menos.

Muitas dessas propriedades operam com margens de lucro de até 10%. Segundo Gendebien, o aumento do combustível representa ameaça direta para fazendas que já enfrentavam dificuldades.

Seca e custos reduzem margem de produtores rurais

No Vale de Fountain Creek, ao sul de Colorado Springs, Sam Frost também acompanha o avanço dos preços do combustível. Fazendeiro de quarta geração e CEO da Frost Livestock Company, ele trabalha com produção de feno, atividade que gera receita bruta próxima de US$ 200 mil.

Seu irmão, Will Frost, é responsável pela produção de carne orgânica e vegetais vendidos em feiras e cestas locais.

Juntos, eles operam dois caminhões movidos a diesel e oito tratores usados para arar, plantar e colher aproximadamente 425 acres. Em 2 de março, Frost pagou US$ 3,13 por galão de diesel rodoviário e US$ 3,08 pelo diesel fora de estrada.

No mês passado, o combustível agrícola em sua região alcançou US$ 4,43 por galão. Frost normalmente teria comprado o dobro do diesel, mas a seca atrasou o início da preparação dos campos para o plantio.

Para enfrentar os custos mais altos, ele pretende reduzir outros gastos da fazenda. Mesmo assim, afirmou que parte das despesas provavelmente será repassada aos consumidores.

No nordeste da Carolina do Norte, o produtor de algodão Julius Tillery mudou seu processo de plantio para reduzir o consumo de diesel. Proprietário de uma fazenda de 125 acres iniciada por seu tataravô no começo do século XX, ele afirmou estar mais cuidadoso com as datas de plantio.

Tillery explicou que não pode correr o risco de plantar em clima ruim e perder combustível com uma geada precoce. Antes da alta dos preços, ele utilizava parte de seu estoque para tentar iniciar o plantio mais cedo.

Agora, segundo ele, essa margem de segurança deixou de existir. Para economizar dinheiro, Tillery disse que passou a consumir alimentos mais baratos, incluindo macarrão instantâneo.

Agricultores negros relatam mais dificuldades financeiras

As dificuldades são maiores para agricultores negros que operam pequenas propriedades rurais. Dados do Censo Agrícola de 2022 mostram que 55% das propriedades operadas por pessoas negras faturavam menos de US$ 5 mil por ano, enquanto apenas 12% alcançavam US$ 100 mil ou mais.

Entre 2017 e 2022, o número total de agricultores caiu 4%, ficando abaixo de 47 mil produtores. As propriedades operadas por pessoas negras tiveram queda ainda maior, com redução de 8%.

Das 1,9 milhão de propriedades rurais americanas, apenas 32,6 mil eram operadas por pessoas negras. Críticos do levantamento afirmam que o número real pode variar entre 5 mil e 18 mil propriedades.

Segundo Tillery, muitos agricultores negros enfrentam dificuldades para conseguir crédito. Por isso, depender de empréstimos para comprar combustível não é considerado alternativa viável.

Mesmo durante o governo Biden, o USDA concedeu empréstimos diretos para apenas 36% dos agricultores negros que fizeram solicitações. Entre agricultores brancos, o índice chegou a 72%.

O governo Trump cancelou recentemente um programa de US$ 300 milhões voltado para agricultores negros e outros grupos sub-representados. O objetivo era ampliar capital e evitar perda de terras.

John Boyd, fundador da Associação Nacional de Agricultores Negros, cria gado Angus e cultiva soja, milho, trigo e cânhamo em 800 hectares na Virgínia. Ele estima pagar aproximadamente US$ 6 por galão de diesel.

Boyd afirmou que um trator de 100 cavalos de potência consome cerca de 100 galões de combustível em apenas um dia ou um dia e meio de plantio. Segundo ele, existem quase 200 notificações de execução hipotecária pendentes para propriedades de agricultores negros.

Agricultores cobram ações do governo americano

Gendebien acredita existir uma desconexão entre Washington e a população rural. Ele afirmou que faltam agricultores no Congresso americano e criticou a demora para aprovação de um novo projeto agrícola.

A Câmara aprovou sua versão do projeto em 30 de abril, enquanto o Senado ainda deve apresentar outra proposta nas próximas semanas. Gendebien também anunciou candidatura ao Congresso contra Elise Stefanik.

Entre as medidas defendidas pelos agricultores está o fim da guerra tarifária. Gendebien afirmou que os produtores preferem obter renda por meio do comércio justo, sem depender de dinheiro público.

Sam Frost também pediu reforço em agências federais que sofreram demissões em massa. Segundo ele, a falta de funcionários dificulta o acesso a subsídios e avaliações técnicas necessárias para projetos agrícolas.

Apesar das dificuldades financeiras, do avanço da seca e do aumento do diesel, agricultores continuam determinados a permanecer no campo. Boyd afirmou que a agricultura lhe proporciona liberdade e garantiu que não pretende desistir neste momento.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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