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Donos reformam um bar de 202 m² e, ao retirar o revestimento das abóbadas, descobrem um banho islâmico do século XII com 88 claraboias de diferentes formatos e pinturas geométricas preservadas, que incorporam ao salão para manter clientes bebendo dentro de uma estrutura de mais de 800 anos

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 16/07/2026 às 00:24 Atualizado em 16/07/2026 às 00:26
Reforma em bar de Sevilha revela banho islâmico do século XII, 88 claraboias e pinturas medievais preservadas sob revestimentos modernos.
Reforma em bar de Sevilha revela banho islâmico do século XII, 88 claraboias e pinturas medievais preservadas sob revestimentos modernos.
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Reforma na Cervecería Giralda, no centro histórico de Sevilha, revelou um banho islâmico do século XII escondido sob revestimentos modernos, com pinturas geométricas e 88 claraboias preservadas, transformando uma obra de modernização em uma descoberta arqueológica incorporada ao funcionamento do tradicional bar espanhol.

Uma reforma planejada para modernizar um conhecido bar no centro histórico de Sevilha revelou uma estrutura escondida havia séculos, quando a retirada de revestimentos das paredes e das abóbadas expôs um banho islâmico do século XII preservado no interior da Cervecería Giralda.

A poucos metros da Catedral de Sevilha, o estabelecimento ocupa uma área de 202 metros quadrados e, segundo o El País, abriga 88 claraboias de tamanhos e formatos variados, entre estrelas, octógonos e desenhos lobulados distribuídos pelas antigas salas do hammam.

Reforma revela banho islâmico escondido em Sevilha

O primeiro indício surgiu quando os trabalhadores abriram uma parte do teto falso e encontraram uma claraboia em forma de estrela de oito pontas, descoberta que alterou imediatamente o projeto e transformou a obra em uma intervenção voltada à preservação histórica.

Até então, parte dos especialistas atribuía o interior do imóvel a uma decoração neomudéjar, estilo inspirado na arquitetura islâmica que ganhou força na Espanha entre os séculos XIX e XX, embora documentos antigos já mencionassem a possível existência de banhos naquele endereço.

Conforme as camadas de revestimento eram removidas, apareceram extensos trechos de pinturas em ocre vermelho sobre uma base branca, formando círculos, quadrados, estrelas de oito pontas e rosetas adaptadas às curvas das abóbadas e aos contornos das claraboias.

Responsável pela supervisão dos trabalhos, o arqueólogo Álvaro Jiménez classificou o achado como excepcional pela quantidade de decoração conservada, já que o hammam apresentava ornamentação desde a base das paredes até os tetos, diferentemente de outros banhos islâmicos conhecidos na Península Ibérica.

Hammam do século XII pertence ao período almóada

Construída durante o período do Califado Almóada, a estrutura pertence a uma fase em que Sevilha dividia importância política com Marrakech, enquanto o banho funcionava próximo à principal mesquita da cidade, erguida onde hoje se encontra a catedral.

Essa localização ajuda a explicar a riqueza decorativa identificada no edifício, pois os banhos públicos islâmicos integravam a organização urbana e social de Al-Andalus, território da Península Ibérica governado por autoridades muçulmanas durante parte da Idade Média.

Organizado em ambientes com diferentes temperaturas, o hammam seguia uma divisão comum nesse tipo de construção, e o salão principal onde atualmente funciona o balcão do bar correspondia à antiga sala morna, coberta por uma abóbada octogonal apoiada sobre quatro colunas.

Ao lado desse espaço, os pesquisadores localizaram uma sala retangular de 4,10 metros de largura e 13 metros de comprimento, coberta por uma abóbada de berço e usada originalmente como sala fria antes de receber mesas e clientes do estabelecimento.

Já a área ocupada pela cozinha teria abrigado a sala quente, embora apenas parte de um arco tenha permanecido incorporada à construção atual, enquanto o acesso original aos banhos se voltava para outra rua, onde funcionava a chamada área seca.

Claraboias e pinturas preservam a arquitetura medieval

Entre os elementos mais incomuns, destaca-se a organização das claraboias da sala fria, cujo teto apresenta cinco fileiras de aberturas, enquanto outros banhos islâmicos do mesmo período costumavam ter três fileiras ou, em alguns casos, apenas uma.

Além de iluminar os ambientes, essas aberturas participavam da composição visual criada pelas pinturas, pois formas geométricas se alternavam ao redor das claraboias e acompanhavam a arquitetura das salas, enquanto linhas em zigue-zague encontradas nos arcos representavam a água.

Sucessivas transformações realizadas no imóvel mantiveram o conjunto escondido, sobretudo após uma grande reforma no século XVII, quando a abóbada da sala morna foi rebaixada, as colunas originais foram substituídas por mármore genovês e todas as claraboias acabaram fechadas.

Séculos mais tarde, o arquiteto Vicente Traver converteu o prédio em hotel e preservou as estruturas antigas sob novas camadas decorativas, evitando demolir abóbadas e arcos, ainda que esses elementos permanecessem fora da vista dos frequentadores.

Cervecería Giralda funcionou por décadas sobre o antigo banho

Instalada no local desde 1923, a Cervecería Giralda tornou-se um estabelecimento conhecido no centro histórico de Sevilha, onde clientes comeram e beberam durante décadas sob antigas abóbadas sem enxergar as pinturas medievais protegidas pelo revestimento aplicado no interior.

Quando a dimensão da descoberta foi confirmada, o projeto de modernização precisou ser reformulado para preservar tanto os elementos do hammam quanto partes da decoração do século XX, incluindo os azulejos tradicionais das paredes e o balcão de madeira.

Para separar visualmente as diferentes fases da construção, uma cornija metálica foi instalada acima dos azulejos, solução que permitiu expor pinturas e abóbadas sem eliminar elementos já incorporados à identidade comercial do bar ao longo de décadas.

Tecnologia registra detalhes do banho islâmico

Durante a restauração, técnicas de fotogrametria registraram digitalmente o conjunto e ajudaram a reconstruir a provável aparência dos ambientes quando Sevilha ainda era conhecida como Isbilia, usando fotografias de diferentes ângulos para representar formas e dimensões com precisão.

Registros cristãos do século XIII já citavam no local os chamados banhos de García Jofre, mas historiadores de diferentes períodos questionaram se as abóbadas pertenciam realmente a um hammam, e alguns atribuíram a construção a épocas posteriores.

Foi a retirada do revestimento que forneceu evidências materiais para confirmar a origem islâmica do conjunto, reunindo pinturas, claraboias, arcos e uma disposição interna compatível com a arquitetura dos banhos medievais preservados em outras partes da Península Ibérica.

Atualmente, o balcão permanece instalado na antiga sala morna, enquanto as mesas ocupam parte do espaço que funcionou como sala fria, integrando ao cotidiano comercial pinturas restauradas e 88 claraboias pertencentes a uma estrutura construída há mais de oito séculos.

Você entraria em um bar sabendo que as paredes, os arcos e o teto ao seu redor pertencem a um banho medieval que permaneceu escondido durante centenas de anos sob sucessivas camadas inteiras de revestimento?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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