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Adeus aos trabalhadores que montam ferragens nas obras: robô inteligente carrega e posiciona mais de 2,2 toneladas de vergalhão por hora, amarra 1.200 cruzamentos por hora e promete cortar até 50% do cronograma em obras de pontes

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 25/05/2026 às 19:40 Atualizado em 25/05/2026 às 19:45
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Robôs IronBOT e TyBOT automatizam vergalhões em pontes, com 2,2 t/h, 1.200 amarrações por hora e promessa de cortar prazos.

A construção pesada começou a entrar em uma fase em que até uma das tarefas mais duras do canteiro pode ser entregue a máquinas. Nos Estados Unidos, a Advanced Construction Robotics desenvolveu dois robôs voltados à instalação de vergalhões em obras de pontes: o IronBOT, que carrega e posiciona barras de aço, e o TyBOT, que amarra os cruzamentos da armadura.

Segundo a fabricante, o IronBOT trabalha a uma taxa média de 5.000 libras por hora, o equivalente a 2.267,9 kg por hora, ou cerca de 2,27 toneladas de vergalhão por hora. A promessa mais agressiva aparece quando ele atua junto com o TyBOT: a empresa afirma que o conjunto pode gerar até 50% de economia no cronograma de instalação de armaduras.

Robô IronBOT automatiza uma das tarefas mais pesadas da construção de pontes

O IronBOT foi projetado para levantar, transportar e posicionar vergalhões transversais e longitudinais, incluindo barras pretas ou revestidas com epóxi. Em vez de substituir toda a obra, ele entra em uma etapa específica: a montagem da armadura de aço antes da concretagem de tabuleiros de pontes.

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A máquina também não depende, segundo a ACR, de pré-programação, pré-mapeamento ou entrada de dados BIM para operar. A empresa afirma que o robô automatiza o posicionamento dos vergalhões com base nos espaçamentos exigidos no projeto.

Esse detalhe é importante porque a armação de aço é uma etapa repetitiva, pesada e crítica. O erro de posicionamento pode atrasar inspeções, gerar retrabalho e comprometer o avanço da concretagem.

Máquina trabalha com barras de 9 a 60 pés e estrutura expansível para diferentes larguras de ponte

A ACR informa que o IronBOT pode ser expandido para larguras entre 27 e 117 pés, algo equivalente a aproximadamente 8,2 a 35,7 metros. O equipamento também posiciona barras de 9 a 60 pés, ou cerca de 2,7 a 18,3 metros.

A fabricante diz ainda que o robô pode chegar ao canteiro e começar a trabalhar em 4 a 8 horas, além de operar de dia ou de noite, com chuva ou sol. Esses dados são alegações técnicas da própria empresa, não uma medição independente apresentada por órgão público.

Na prática, a proposta é reduzir o esforço físico humano na movimentação de vergalhões, uma das atividades mais pesadas em obras de infraestrutura. O trabalhador deixa de carregar e posicionar manualmente parte do aço e passa a atuar mais no controle, supervisão e ajustes da operação.

TyBOT entra depois para amarrar mais de 1.200 cruzamentos de vergalhão por hora

O segundo robô do conjunto é o TyBOT, uma máquina autônoma voltada à amarração dos cruzamentos de vergalhão. Segundo a ACR, ele se localiza, navega pela área de trabalho e faz as amarrações sem pré-mapeamento, chegando a mais de 1.200 amarrações por hora.

Robôs IronBOT e TyBOT automatizam vergalhões em pontes, com 2,2 t/h, 1.200 amarrações por hora e promessa de cortar prazos.
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A empresa afirma que o TyBOT pode trabalhar por até 10 horas sem reabastecimento, operar sobre formas laterais ou trilhos existentes e lidar com interseções de vergalhão de até #8 por #9, padrão usado no mercado norte-americano.

Em um turno de 8 horas, a própria fabricante calcula produtividade superior a 9.600 amarrações, com economia média mínima de 25% no cronograma para contratantes em projetos de tabuleiros de pontes.

Teste em ponte na Flórida reduziu instalação de vergalhões de 14 para 7 dias, segundo a empresa

O dado mais chamativo vem de um projeto inaugural citado pela própria Advanced Construction Robotics. No Port St. Lucie West Boulevard Bridge, na Flórida, a instalação de vergalhões tinha duração originalmente estimada em 14 dias, mas foi concluída em 7 dias com apoio do conjunto IronBOT e TyBOT, segundo a empresa.

Durante esse piloto, a ACR afirma que o IronBOT posicionou 147.032 libras de vergalhão, equivalente a aproximadamente 66,7 toneladas, enquanto o TyBOT realizou 58.068 amarrações ao longo de 6,5 turnos de produção.

Na média, isso representa cerca de 22.620 libras de vergalhão por turno, ou pouco mais de 10,2 toneladas por turno, além de aproximadamente 8.934 amarrações por turno. Esses números reforçam o impacto operacional, mas continuam vinculados ao caso divulgado pela fabricante.

Robôs não eliminam toda a equipe, mas mudam o tipo de trabalho no canteiro

Apesar do título forte, o ponto central não é que todos os armadores humanos desaparecem imediatamente. A própria ACR descreve o IronBOT como uma máquina que aumenta a capacidade da equipe, retirando dos trabalhadores parte do levantamento e posicionamento pesado dos vergalhões.

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No caso do TyBOT, a automação mira uma tarefa repetitiva: amarrar cruzamentos de barras durante horas, em posição desconfortável e com alto desgaste físico. A promessa é transformar parte da equipe em operadores, supervisores e solucionadores de problemas no canteiro.

É uma mudança parecida com o que já aconteceu em fábricas, portos e armazéns: a máquina assume a repetição pesada, enquanto a mão humana fica mais concentrada em controle, preparação, acabamento, inspeção e tomada de decisão.

Construção civil entra na era dos robôs de produção, não apenas de protótipos

O avanço do IronBOT e do TyBOT mostra uma virada importante: a robótica de construção não está mais limitada a vídeos futuristas de casas impressas em 3D. Ela está entrando em obras de infraestrutura pesada, onde prazo, produtividade e falta de mão de obra qualificada pesam diretamente no custo final.

A diferença é que esses robôs não tentam construir uma ponte inteira sozinhos. Eles atacam uma etapa específica, repetitiva e cara: a instalação da armadura de aço que sustenta o concreto.

É exatamente aí que a automação costuma avançar primeiro. Não no canteiro inteiro de uma vez, mas nas tarefas em que o ganho de produtividade pode ser medido em toneladas, amarrações por hora e dias removidos do cronograma.

A pergunta agora não é mais se robôs vão entrar na construção civil. Eles já entraram. A pergunta é quantas funções pesadas ainda vão continuar humanas por muito tempo.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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