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Adeus ao carimbo clássico no passaporte e bem-vindo ao controle digital total: o novo sistema de fronteiras da União Europeia já está funcionando com biometria obrigatória, e quem baixar o aplicativo Travel to Europe antes da viagem pode economizar tempo

Publicado em 11/04/2026 às 01:08
Atualizado em 11/04/2026 às 19:45
Assista o vídeoO carimbo no passaporte acabou na União Europeia. Biometria é obrigatória desde hoje. O app Travel to Europe agiliza a entrada. Veja o que muda.
O carimbo no passaporte acabou na União Europeia. Biometria é obrigatória desde hoje. O app Travel to Europe agiliza a entrada. Veja o que muda.
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O carimbo no passaporte deixou de existir nas fronteiras da União Europeia a partir desta sexta-feira (10). O novo sistema digital exige biometria obrigatória de viajantes não europeus, incluindo brasileiros, e o aplicativo Travel to Europe permite pré-cadastro para agilizar a entrada.

O passaporte de quem viaja para a Europa nunca mais será o mesmo. A partir desta sexta-feira (10 de abril), o carimbo que marcava cada entrada e saída do continente deixa de existir. Em seu lugar, a União Europeia ativou o Entry/Exit System (EES), um sistema digital de controle de fronteiras que registra eletronicamente os dados biométricos de todos os viajantes não europeus que chegam ao espaço Schengen. Na prática, quem desembarcar na Europa precisará escanear o passaporte em um tótem de autoatendimento, fornecer impressões digitais e ter o rosto fotografado antes de seguir para o agente de imigração. Brasileiros estão incluídos.

O sistema entrou em operação gradual em outubro de 2025 e se tornou totalmente obrigatório em 29 países nesta sexta-feira. Irlanda e Chipre são as exceções, pois não fazem parte do espaço Schengen. Desde o início da implantação, mais de 24 mil pessoas já foram impedidas de entrar na Europa por documentos expirados, fraudulentos ou por não justificarem o motivo da viagem, segundo a Comissão Europeia. Para quem viaja com frequência, há um recurso que pode reduzir o tempo na fila: o aplicativo oficial Travel to Europe permite pré-cadastrar dados biométricos e informações do passaporte até 72 horas antes da chegada.

Como o novo sistema funciona na prática para quem carrega um passaporte brasileiro

Segundo o Canal do G1, o processo é simples, embora mais demorado do que o antigo carimbo no passaporte. Ao desembarcar em um aeroporto europeu, o viajante brasileiro se dirige a um tótem de autoatendimento onde escaneia o passaporte. Em seguida, fornece as impressões digitais e tem uma foto do rosto capturada para reconhecimento facial. Somente depois dessa etapa biométrica o passageiro segue para o agente de imigração, que pode fazer perguntas adicionais sobre o motivo e a duração da viagem.

Na primeira visita, o processo tende a ser mais longo porque todos os dados precisam ser registrados do zero. Nas viagens seguintes, o sistema já reconhece o viajante, pois as informações ficam armazenadas por três anos, o que deve acelerar significativamente as próximas passagens pela fronteira. Crianças menores de 12 anos não precisam fornecer impressões digitais, mas terão o rosto fotografado. Quem possui passaporte biométrico pode usar os quiosques de autoatendimento para um processo mais rápido, enquanto portadores de passaporte convencional precisam passar pelos guichês com atendentes.

Por que a União Europeia decidiu abolir o carimbo no passaporte

O carimbo manual no passaporte era um sistema do século XX que a Europa manteve por conveniência até não poder mais. O problema central era a impossibilidade de controlar com precisão quanto tempo cada viajante permanecia no espaço Schengen, já que a regra dos 90 dias em um período de 180 dias era monitorada manualmente. Com o carimbo, fraudes documentais passavam despercebidas, overstayers não eram identificados sistematicamente e o controle dependia da atenção individual de cada agente de fronteira.

O EES resolve isso automatizando o rastreamento. O sistema calcula automaticamente quantos dias o viajante ainda pode permanecer na Europa dentro da regra dos 90/180 dias, eliminando a margem de erro humano. Além do controle migratório, o novo sistema serve como ferramenta de segurança: a biometria permite identificar passaportes fraudulentos, detectar entradas não autorizadas e cruzar dados com bases de informações de segurança. A Organização Mundial do Turismo reconheceu que o tempo adicional gasto agora deve trazer benefícios no futuro, à medida que o sistema se consolida.

O aplicativo Travel to Europe e como ele pode agilizar a passagem com seu passaporte

Para quem quer evitar filas longas na chegada, a União Europeia desenvolveu o aplicativo oficial Travel to Europe, disponível para download nas lojas da Apple e do Google. O app permite que o viajante pré-cadastre a foto do rosto, os dados do passaporte e preencha um questionário de entrada até 72 horas antes de chegar à Europa. Esse pré-registro não elimina a necessidade de passar pelo controle de fronteira, mas reduz o tempo gasto no tótem biométrico.

Atualmente, o aplicativo está disponível em alguns países como Portugal e Suécia, com planos de expansão para todo o espaço Schengen. É importante ressaltar que o Travel to Europe não substitui o controle presencial nem dispensa a apresentação do passaporte ao agente de imigração, mas funciona como uma etapa antecipada que agiliza o processamento. Para brasileiros que viajam com frequência à Europa, o app pode se tornar uma ferramenta essencial, especialmente durante períodos de alta temporada, quando as filas nos aeroportos tendem a ser mais longas.

O que aconteceu durante os testes e por que as filas podem aumentar no início

A implantação do EES não foi sem problemas. Durante a fase de testes em 2025, aeroportos como o de Lisboa enfrentaram filas enormes que geraram reclamações generalizadas de passageiros e companhias aéreas.

O Conselho Internacional de Aeroportos (ACI) relatou que os tempos de processamento aumentaram em até 70% em alguns locais devido às etapas adicionais de coleta biométrica. A experiência variou enormemente de país para país, com alguns aeroportos operando de forma fluida enquanto outros enfrentavam falhas de sistema e procedimentos inconsistentes.

A Comissão Europeia reconheceu esses desafios e incluiu na legislação uma válvula de escape: países do Schengen podem suspender parcialmente as verificações do EES por até 90 dias após a ativação total, com possibilidade de extensão por mais 60 dias.

Essa flexibilidade visa evitar que as filas se tornem incontroláveis durante o verão europeu, quando o fluxo de turistas atinge o pico. Na França, por exemplo, alguns pontos de fronteira ainda não estavam operando com biometria completa até a semana passada. A recomendação para quem viaja agora é chegar ao aeroporto com pelo menos uma hora e meia a duas horas de antecedência adicional em relação ao habitual.

Esse sistema não é o ETIAS e a diferença importa para quem tem passaporte brasileiro

Um ponto de confusão frequente é a diferença entre o EES e o ETIAS, dois sistemas que a União Europeia está implementando em paralelo.

O EES, que entrou em vigor agora, substitui o carimbo no passaporte por registros digitais e biométricos no momento da chegada à fronteira. Já o ETIAS será uma autorização prévia de viagem, semelhante ao ESTA americano, que exigirá pré-cadastro online e pagamento de uma taxa de 20 euros antes do embarque.

O ETIAS ainda não está em vigor e deve ser lançado no segundo semestre de 2026. Quando entrar em operação, brasileiros e outros viajantes de países isentos de visto precisarão obter essa autorização antes de viajar, além de passar pelo controle biométrico do EES na chegada.

Sites que atualmente vendem ETIAS estão operando de forma fraudulenta, pois o sistema oficial ainda não existe. Para o momento, o que muda para quem tem passaporte brasileiro é apenas o EES: biometria obrigatória, fim do carimbo e dados armazenados digitalmente por três anos.

O que muda de verdade para quem guarda o passaporte como lembrança de viagem

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Para além da tecnologia e da segurança, o fim do carimbo no passaporte tem um significado emocional que muitos viajantes sentem na pele.

O carimbo era quase um souvenir, uma marca tangível de cada país visitado que transformava o passaporte em um diário de viagens. Com o sistema digital, essa tradição desaparece. O documento continuará sendo necessário para viajar, mas suas páginas permanecerão em branco.

A troca tem um lado prático inegável. Passaportes que antes precisavam ser renovados por falta de páginas em branco agora durarão mais tempo, e o controle de permanência ficará mais transparente para o próprio viajante, que poderá consultar seus dados no sistema.

A nostalgia do carimbo será substituída pela conveniência de fronteiras mais rápidas, pelo menos quando o sistema estiver plenamente rodado. Como resumiu um correspondente brasileiro na Europa: a lembrança da viagem fica para sempre na cabeça, mesmo que o passaporte não carregue mais nenhuma marca.

O carimbo no passaporte virou história na Europa. Você acha que a biometria digital é um avanço necessário ou uma perda de charme nas viagens? Já usou o aplicativo Travel to Europe? Conte nos comentários como foi sua experiência com o novo sistema.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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