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Ações de terras raras podem transformar investimento pequeno em fortuna? Projeto nos EUA envolve mina com milhões de toneladas e mercado que pode triplicar em 10 anos

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 04/03/2026 às 12:50
USA Rare Earth planeja produzir 5.000 toneladas de ímãs por ano e desenvolver mina no Texas que pode gerar US$ 400 milhões anuais. Debate cresce sobre ações de terras raras.
USA Rare Earth planeja produzir 5.000 toneladas de ímãs por ano e desenvolver mina no Texas que pode gerar US$ 400 milhões anuais. Debate cresce sobre ações de terras raras.
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Com valor de mercado superior a US$ 4 bilhões, a USA Rare Earth prepara o início de operações industriais em Stillwater, Oklahoma, com capacidade anual de 5.000 toneladas de ímãs, enquanto desenvolve o projeto mineral Round Top, no Texas, que pode conter dezenas de milhões de toneladas de elementos de terras raras e gerar cerca de US$ 400 milhões por ano ao longo de duas décadas

Investir em ações de terras raras nos Estados Unidos voltou ao centro do debate entre investidores após o avanço da USA Rare Earth (NASDAQ: USAR), empresa pré-operacional que pretende iniciar atividades industriais ainda neste ano e explora um grande projeto mineral no Texas.

A discussão surge porque, embora muitas ações gerem retornos moderados ao longo do tempo, algumas oportunidades raras aparecem no mercado com potencial de transformar investimentos relativamente pequenos em valores muito maiores. Nesse cenário, as ações de terras raras passaram a chamar atenção de investidores em busca de crescimento acelerado.

Entretanto, esse potencial de valorização vem acompanhado de riscos elevados. No caso da USA Rare Earth, a combinação entre perspectivas de expansão do setor e os custos necessários para desenvolver suas operações cria um cenário de expectativa e incerteza ao mesmo tempo.

Projeto industrial pretende produzir 5.000 toneladas de ímãs por ano

A USA Rare Earth atua no setor de minerais de terras raras e planeja iniciar operações industriais em sua unidade localizada em Stillwater, no estado de Oklahoma. A expectativa da empresa é colocar a planta em funcionamento ainda no primeiro semestre deste ano.

Quando estiver em operação, a unidade terá capacidade para fabricar até 5.000 toneladas de ímãs de terras raras por ano.

Esse tipo de material é usado em diversas tecnologias modernas e faz parte de um mercado que, segundo o presidente da companhia, Thayer Smith, pode triplicar de tamanho ao longo da próxima década.

A possibilidade de crescimento desse mercado é um dos fatores que alimentam o interesse nas ações de terras raras ligadas à empresa. Para investidores, o aumento da demanda global por esses minerais pode abrir espaço para novas fontes de produção fora da Ásia.

Propriedade Round Top no Texas concentra principal ativo da empresa

Embora a fábrica em Oklahoma seja parte importante da estratégia industrial, o ativo considerado mais valioso da USA Rare Earth está localizado no oeste do Texas. Trata-se da propriedade conhecida como Round Top, que ainda está sendo preparada para atividades de mineração.

Estudos preliminares sugerem que o local pode conter dezenas de milhões de toneladas de elementos de terras raras. No entanto, essas estimativas ainda precisam ser confirmadas, já que a quantidade real só poderá ser determinada após o início da escavação e extração.

Além dos minerais raros, o terreno também pode possuir grandes quantidades de hidróxido de lítio. Esse material é utilizado na produção de baterias para veículos elétricos e, segundo estimativas citadas no projeto, poderia permitir uma produção de 20.000 toneladas por dia durante mais de 100 anos.

Projeções de receita reforçam interesse nas ações de terras raras

A Texas Mineral Resources, mineradora que já participou de avaliações sobre o potencial do projeto, estimou anteriormente que a área poderia gerar aproximadamente US$ 400 milhões por ano. Os cálculos consideram preços praticados em 2019.

Com base nessa estimativa, a receita ao longo da vida útil esperada da mina, calculada em cerca de 20 anos, poderia ultrapassar US$ 8 bilhões. Esses números ajudam a explicar por que as ações de terras raras associadas ao projeto despertam interesse no mercado financeiro.

Mesmo assim, as projeções dependem de fatores como o desenvolvimento completo da mina e a viabilidade econômica da operação. A exploração mineral exige investimentos elevados e envolve etapas complexas antes que a produção comercial comece.

Custos elevados e tempo de desenvolvimento levantam dúvidas

Um dos principais desafios do projeto Round Top é o tempo necessário para iniciar a produção. A estimativa é que ainda sejam necessários alguns anos de trabalho e investimentos de centenas de milhões de dólares antes que a extração efetiva comece.

A empresa também garantiu acesso a financiamento de até US$ 1,3 bilhão por meio de empréstimos do governo federal. Além disso, existe a possibilidade de até US$ 1,5 bilhão em financiamento privado, o que pode diluir a participação dos acionistas atuais.

Esses números demonstram o tamanho do investimento necessário para transformar o projeto mineral em uma operação produtiva. Para analistas do mercado, esse fator influencia diretamente a avaliação das ações de terras raras da companhia.

Valor de mercado atual já incorpora parte do potencial futuro

Outro ponto levantado no debate é o valor de mercado da USA Rare Earth, que atualmente ultrapassa os US$ 4 bilhões. Para alguns observadores do setor, esse valor já pode refletir parte significativa das expectativas de crescimento do projeto.

Isso significa que parte do potencial de valorização de longo prazo pode já estar incorporada ao preço atual das ações. Nesse caso, futuros ganhos dependeriam mais do avanço concreto da mineração e da geração de receita efetiva.

Mesmo assim, existe um argumento favorável ao projeto. Os Estados Unidos dependem atualmente da China para grande parte do fornecimento de elementos de terras raras, o que aumenta o interesse por fornecedores nacionais.

Ainda assim, o desenvolvimento de novas minas historicamente envolve longos prazos e custos elevados. Considerando esses fatores e a capitalização atual da empresa, alguns analistas avaliam que o risco pode ser alto para investidores que buscam ganhos rápidos com ações de terras raras.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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