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Abrolhos mostra que preservar também dá retorno: estudo aponta R$ 1,9 bilhão movimentados, 100 mil empregos sustentados e turismo, pesca e unidades de conservação transformando biodiversidade em motor econômico no sul da Bahia e norte capixaba

Escrito por Carla Teles
Publicado em 07/04/2026 às 13:43
Atualizado em 07/04/2026 às 13:46
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Abrolhos movimenta R$ 1,9 bi; Unidades de Conservação, turismo e pesca sustentam empregos, aponta WWF-Brasil. Imagem: BahiaTerra
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Estudo do WWF-Brasil e do ICMBio mostra que Abrolhos transforma biodiversidade em negócios com turismo, pesca e unidades de conservação no sul da Bahia e norte do Espírito Santo.

A Abrolhos virou um exemplo direto de como conservação ambiental pode gerar renda sem destruir o que sustenta a própria economia local. Um estudo inédito do WWF-Brasil, em parceria com o ICMBio, aponta que a conservação marinha e costeira na Região de Abrolhos está ligada à geração de empregos e à movimentação econômica.

Segundo o levantamento, Abrolhos movimentou R$ 1,9 bilhão e sustentou 100 mil postos de trabalho em 2024, puxada principalmente por turismo, pesca e pela gestão de Unidades de Conservação. A leitura central é pragmática: proteger o meio ambiente também dá retorno financeiro.

O que o estudo revela sobre a economia de Abrolhos

O estudo conecta diretamente conservação e atividade econômica na Região de Abrolhos, localizada entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo. O recorte inclui setores como turismo e pesca, que dependem da qualidade ambiental para manter fluxo de visitantes, produtividade e renda.

Os dados reforçam uma ideia que costuma ficar abstrata: biodiversidade pode ser um ativo econômico, e não apenas um tema de preservação. Em Abrolhos, isso aparece em reais, empregos e cadeias produtivas que se mantêm justamente porque o território continua preservado.

Unidades de Conservação como “infraestrutura” de emprego e renda

As Unidades de Conservação aparecem como peça estratégica para Abrolhos. De acordo com o estudo, elas foram responsáveis direta e indiretamente por mais de 29 mil empregos e por uma injeção de R$ 536,3 milhões nas economias locais.

Isso representa cerca de 30% dos empregos e 28% da atividade econômica ligada à pesca e ao turismo em Abrolhos. Na prática, as áreas protegidas funcionam como uma espécie de infraestrutura invisível, sustentando trabalho e renda sem precisar abrir mão do patrimônio natural.

Parques e reservas que puxam visitantes, receita e trabalho

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O levantamento também detalha alguns motores específicos dentro de Abrolhos. O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos registrou 16 mil visitantes em 2024, movimentando R$ 7 milhões na economia local.

Já o Parque Municipal Recife de Fora atraiu mais de 73 mil turistas e gerou R$ 51 milhões para a economia. As reservas extrativistas de Canavieiras, Corumbau e Cassurubá respondem por mais de 18 mil postos de trabalho, com R$ 330 milhões em geração econômica.

Esse conjunto mostra que preservar não paralisa a economia, ele organiza e amplia o potencial do território.

Turismo lidera a renda em Abrolhos e a pesca mantém base produtiva

Abrolhos movimenta R$ 1,9 bi; Unidades de Conservação, turismo e pesca sustentam empregos, aponta WWF-Brasil.

Por ser uma região preservada e com beleza natural única, o turismo aparece como principal motor financeiro em Abrolhos. Em 2024, gerou quase 22 mil empregos diretos e R$ 611,5 milhões em renda, além de efeitos indiretos que ampliam esses números.

A pesca artesanal também é descrita como essencial, com mais de 10 mil empregos diretos e forte efeito multiplicador na economia local. Aqui, a lógica é de equilíbrio: turismo impulsiona renda e serviços, e a pesca mantém produção e identidade econômica da região.

Efeitos indiretos podem multiplicar o impacto de Abrolhos

A analista de conservação Marina Corrêa, do WWF-Brasil, aponta que o impacto vai além do que aparece no número “de cara”. Segundo ela, quando se consideram os efeitos indiretos, o total de empregos praticamente triplica e a renda gerada mais que dobra.

Essa é uma parte central do argumento: Abrolhos não movimenta só o setor que está na água, mas também hospedagem, alimentação, transporte, comércio, manutenção de embarcações, cadeia de insumos e serviços ligados ao turismo e à pesca.

Como o estudo mediu os números de Abrolhos

Abrolhos mostra que preservar também dá retorno: estudo aponta R$ 1,9 bilhão movimentados, 100 mil empregos sustentados e turismo, pesca e unidades de conservação

A análise foi baseada em dados oficiais e em uma matriz de insumo-produto, uma metodologia usada para mensurar impactos diretos e indiretos na economia.

Como o levantamento considerou apenas parte das áreas protegidas com dados disponíveis, os pesquisadores indicam que os efeitos reais podem ser ainda maiores.

Esse detalhe reforça a leitura econômica: o número final pode ser subestimado, justamente por limitação de dados em algumas áreas, e não por falta de atividade.

Biodiversidade como ativo: recifes, manguezais e baleias-jubarte

A Região de Abrolhos é descrita como rica em biodiversidade, com ecossistemas estratégicos como recifes de coral e manguezais, além de espécies emblemáticas como as baleias-jubarte.

Reconhecida como “Hope Spot” pela Mission Blue, a área é considerada fundamental para a conservação marinha no Atlântico Sul.

No fim, o recado do estudo é direto: investir em Abrolhos significa proteger a natureza e fortalecer economias locais, com geração de empregos e desenvolvimento sustentável.

Você acha que o Brasil deveria usar Abrolhos como modelo e aumentar investimentos em conservação como estratégia econômica, ou isso ainda enfrenta resistência por causa do curto prazo político?

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Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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