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A visão dos brasileiros sobre energia renovável: estudo revela contradições e oportunidades

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Escrito por Paulo H. S. Nogueira Publicado em 18/11/2025 às 08:26
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Contexto do estudo e sua relevância

Segundo reportagem do Meio Filtrante, um estudo apresentou a percepção dos brasileiros sobre a energia renovável.

Esses resultados ilustram um paradoxo importante: o alto valor atribuído às fontes limpas contra a baixa adoção prática.

Esse tipo de pesquisa é fundamental para entender por que a transição energética no Brasil, ainda que tenha forte base teórica, encontra barreiras no uso real da população.

Em outras palavras, não basta acreditar nas energias limpas — é preciso que mais gente tenha acesso e condições para adotá-las.


Os números que chamam a atenção

De acordo com o estudo “ESG Trends 2025”, conduzido pela Demanda Pesquisa e Desenvolvimento de Mercado, 76% dos brasileiros declararam que valorizam o uso de fontes renováveis.

No entanto, apenas 26% afirmaram praticar ativamente essa adoção.

Esse hiato de 50 pontos percentuais é o maior identificado entre os hábitos sustentáveis avaliados na pesquisa.

Segundo Silvio Pires de Paula, presidente da Demanda, os motivos para essa discrepância incluem acesso limitado a fornecedores de energia limpa.


Barreiras para a adoção e desafios estruturais

Um dos principais obstáculos apontados no estudo é justamente a disponibilidade de fornecedores de energia renovável. Muitas pessoas gostariam de migrar para fontes limpas, mas não encontram ofertas acessíveis.

Além disso, há um aspecto cultural e informativo: para muitos, ainda falta clareza sobre como instalar energia solar ou outras fontes limpas em casa, o que inibe a ação, ainda que a vontade exista.

Também pesa o custo. Mesmo para quem acredita nas renováveis, a percepção é de que os investimentos iniciais são altos — o que reduz a adesão, especialmente entre famílias de menor poder aquisitivo.


Contraste com o cenário energético nacional

Por outro lado, o Brasil tem dados muito positivos quando olhamos para a matriz energética: segundo o MME (Ministério de Minas e Energia), cerca de 88% da eletricidade gerada no país em 2024 veio de fontes renováveis.

No setor industrial, essa aposta nas fontes limpas também aparece com força. O Balanço Energético Nacional (BEN) de 2025 indica que 64,4% da energia usada pela indústria provém de fontes renováveis.

Esses dados mostram que a transição energética no Brasil não é apenas um discurso: há estrutura para que mais famílias façam parte dela.

A lacuna, portanto, não é técnica, mas sim social e de acesso.


O papel das empresas e da indústria

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), quase metade das indústrias brasileiras já investe em fontes renováveis, como solar, biomassa, eólica ou hidrogênio de baixo carbono.

Esse movimento industrial é estratégico: além de reduzir a pegada de carbono, permite que empresas melhorem sua reputação e se adaptem às expectativas globais de ESG (Ambiental, Social e Governança).

Além disso, essas empresas podem se tornar fornecedores de conhecimento para residências: ao escalar as tecnologias renováveis, contribuem para reduzir os custos e tornar a adoção mais viável para a população.


Percepção pública e implicações para o futuro

A discrepância entre percepção e prática apontada pelo estudo tem implicações profundas para políticas públicas e estratégias de mercado.

Se 76% dos brasileiros valorizam a energia renovável, isso representa um potencial de demanda que ainda não foi plenamente explorado.

Para que esse potencial vire realidade, é urgente trabalhar em educação energética: explicar como a energia limpa funciona, mostrar incentivos para instalações residenciais e facilitar o acesso a fornecedores.

Além disso, políticas que reduzam o custo de instalação — como incentivos fiscais, financiamento ou subsídios — podem transformar a intenção em ação.

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Paulo H. S. Nogueira

Sou Paulo Nogueira, formado em Eletrotécnica pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), com experiência prática no setor offshore, atuando em plataformas de petróleo, FPSOs e embarcações de apoio. Hoje, dedico-me exclusivamente à divulgação de notícias, análises e tendências do setor energético brasileiro, levando informações confiáveis e atualizadas sobre petróleo, gás, energias renováveis e transição energética.

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