Contexto do estudo e sua relevância
Segundo reportagem do Meio Filtrante, um estudo apresentou a percepção dos brasileiros sobre a energia renovável.
Esses resultados ilustram um paradoxo importante: o alto valor atribuído às fontes limpas contra a baixa adoção prática.
Esse tipo de pesquisa é fundamental para entender por que a transição energética no Brasil, ainda que tenha forte base teórica, encontra barreiras no uso real da população.
-
Axia Energia investe R$ 1,4 bilhão no 1º trimestre, amplia aportes em 36% e reverte prejuízo com lucro de R$ 3,7 bilhões
-
Um reservatório que já guardou petróleo pode voltar a produzir energia: projeto na Califórnia quer armazenar calor no subsolo, gerar 100 kW e fornecer eletricidade por mais de 12 horas
-
Em vez de deixar o calor de uma fábrica de papel escapar, porto francês usa resíduos industriais e tubulações para levar energia a até 30 mil moradias
-
Enquanto navios de cruzeiro ficam parados no cais, mas continuam queimando diesel para manter hotelaria e refrigeração, porto na Bélgica instala energia em terra para ligar dois gigantes ao mesmo tempo em 2027, reduzir até 5% das emissões dos cais e antecipar uma obrigação europeia
Em outras palavras, não basta acreditar nas energias limpas — é preciso que mais gente tenha acesso e condições para adotá-las.
Os números que chamam a atenção
De acordo com o estudo “ESG Trends 2025”, conduzido pela Demanda Pesquisa e Desenvolvimento de Mercado, 76% dos brasileiros declararam que valorizam o uso de fontes renováveis.
No entanto, apenas 26% afirmaram praticar ativamente essa adoção.
Esse hiato de 50 pontos percentuais é o maior identificado entre os hábitos sustentáveis avaliados na pesquisa.
Segundo Silvio Pires de Paula, presidente da Demanda, os motivos para essa discrepância incluem acesso limitado a fornecedores de energia limpa.
Barreiras para a adoção e desafios estruturais
Um dos principais obstáculos apontados no estudo é justamente a disponibilidade de fornecedores de energia renovável. Muitas pessoas gostariam de migrar para fontes limpas, mas não encontram ofertas acessíveis.
Além disso, há um aspecto cultural e informativo: para muitos, ainda falta clareza sobre como instalar energia solar ou outras fontes limpas em casa, o que inibe a ação, ainda que a vontade exista.
Também pesa o custo. Mesmo para quem acredita nas renováveis, a percepção é de que os investimentos iniciais são altos — o que reduz a adesão, especialmente entre famílias de menor poder aquisitivo.
Contraste com o cenário energético nacional
Por outro lado, o Brasil tem dados muito positivos quando olhamos para a matriz energética: segundo o MME (Ministério de Minas e Energia), cerca de 88% da eletricidade gerada no país em 2024 veio de fontes renováveis.
No setor industrial, essa aposta nas fontes limpas também aparece com força. O Balanço Energético Nacional (BEN) de 2025 indica que 64,4% da energia usada pela indústria provém de fontes renováveis.
Esses dados mostram que a transição energética no Brasil não é apenas um discurso: há estrutura para que mais famílias façam parte dela.
A lacuna, portanto, não é técnica, mas sim social e de acesso.
O papel das empresas e da indústria
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), quase metade das indústrias brasileiras já investe em fontes renováveis, como solar, biomassa, eólica ou hidrogênio de baixo carbono.
Esse movimento industrial é estratégico: além de reduzir a pegada de carbono, permite que empresas melhorem sua reputação e se adaptem às expectativas globais de ESG (Ambiental, Social e Governança).
Além disso, essas empresas podem se tornar fornecedores de conhecimento para residências: ao escalar as tecnologias renováveis, contribuem para reduzir os custos e tornar a adoção mais viável para a população.
Percepção pública e implicações para o futuro
A discrepância entre percepção e prática apontada pelo estudo tem implicações profundas para políticas públicas e estratégias de mercado.
Se 76% dos brasileiros valorizam a energia renovável, isso representa um potencial de demanda que ainda não foi plenamente explorado.
Para que esse potencial vire realidade, é urgente trabalhar em educação energética: explicar como a energia limpa funciona, mostrar incentivos para instalações residenciais e facilitar o acesso a fornecedores.
Além disso, políticas que reduzam o custo de instalação — como incentivos fiscais, financiamento ou subsídios — podem transformar a intenção em ação.
