O transporte da plataforma P 70 mostra como um navio semissubmersível usa água nos tanques, baixa o convés e atravessa o oceano com 91.118 toneladas apoiadas sobre a embarcação até o Rio de Janeiro.
Um navio gigante pareceu afundar no mar para receber a plataforma P 70, mas cada movimento foi calculado. O BOKA Vanguard colocou água em tanques internos, baixou o convés e levou 91.118 toneladas de Qingdao, na China, ao Rio de Janeiro.
Os dados do sistema de lastro aparecem na ficha técnica BOKA Vanguard, documento técnico publicado pela Boskalis, empresa de serviços marítimos e dragagem. O arquivo registra quatro bombas principais de lastro de 5.300 metros cúbicos por hora a 50 metros e uma bomba de lastro de 1.500 metros cúbicos por hora a 50 metros.
A operação chama atenção porque não depende apenas de força. A água ajuda o navio a mudar de altura, receber a estrutura flutuando e recuperar o nível necessário para seguir viagem pelo mar.
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Como o BOKA Vanguard baixa o convés sem afundar de verdade
O BOKA Vanguard é um navio semissubmersível, uma embarcação criada para baixar parte do corpo na água sem perder estabilidade. Ele usa tanques internos que podem receber ou liberar água.
Essa água recebe o nome de lastro. Quando os tanques ficam cheios, o navio desce e o convés se aproxima da superfície. Quando a água sai, a embarcação sobe novamente com a carga apoiada na parte superior.

Boskalis, empresa de dragagem e transporte marítimo internacional, lista quatro bombas principais de lastro com capacidade de 5.300 metros cúbicos por hora e uma bomba adicional de 1.500 metros cúbicos por hora no BOKA Vanguard.
A plataforma entrou flutuando até a área de carga
Com o convés rebaixado, a P 70 conseguiu flutuar até o ponto em que seria apoiada. Em vez de o navio receber a plataforma por cima, a própria água ajudou a levar a estrutura até a posição correta.
Depois do encaixe, o BOKA Vanguard retirou a água dos tanques. O convés voltou a subir lentamente, deixando a plataforma apoiada sobre a embarcação para o início da travessia.
O processo faz o mar funcionar como parte do embarque. A plataforma entra na área planejada enquanto o navio está mais baixo e, depois, passa a viajar em uma posição elevada e segura.
Por que a plataforma P 70 não cruzou o oceano sozinha
A P 70 é uma unidade flutuante usada para produzir, armazenar e transferir petróleo e gás. Ela foi construída para operar em alto mar, mas a travessia entre a China e o Brasil exigiu uma embarcação voltada ao transporte de estruturas gigantes.
Petrobras, empresa estatal brasileira do setor de energia, registra que a P 70 iniciou a produção no campo de Atapu, no pré-sal da Bacia de Santos, em junho de 2020.
O transporte no BOKA Vanguard separou duas tarefas diferentes. O navio levou a plataforma até o Brasil, enquanto a P 70 passou a cumprir sua função ligada à produção de petróleo e gás no pré-sal.
A travessia exigiu equilíbrio diante de ondas e vento
Uma carga de 91.118 toneladas muda completamente o comportamento de um navio no mar. A embarcação precisa manter o peso bem distribuído para reduzir movimentos que podem afetar a estrutura apoiada no convés.
A ficha técnica do BOKA Vanguard inclui equipamentos para acompanhar o movimento do navio e auxiliar decisões durante a navegação. Esse controle é importante em uma viagem longa, com variações de ondas, vento e correnteza.

A estabilidade também depende da rota escolhida e da forma como a plataforma fica presa ao convés. Não basta transportar uma estrutura enorme, é preciso manter a carga firme durante toda a viagem.
Da China ao Rio de Janeiro, uma etapa antes do pré-sal brasileiro
A jornada começou em Qingdao, na China, e terminou no Rio de Janeiro. O BOKA Vanguard levou a P 70 em uma rota marítima que conectou um estaleiro asiático à cadeia de produção de petróleo no Brasil.
O pré-sal é uma região localizada abaixo de uma grande camada de sal no fundo do mar. Atapu integra essa área da Bacia de Santos, onde a P 70 passou a operar após a chegada ao país.
A travessia mostra como grandes plataformas podem depender de navios especializados antes de entrar em atividade. O BOKA Vanguard baixou o convés, recebeu a estrutura pela água e levou uma carga de proporções gigantescas até o Rio de Janeiro.
Você imaginava que a água usada para baixar um navio poderia ser justamente o recurso que permite transportar uma plataforma inteira pelo oceano? Conte nos comentários e compartilhe esta história.
