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A Unilever está negociando a venda da Hellmann’s, da Knorr e de toda a sua divisão de alimentos em um acordo que pode chegar a R$ 186 bilhões para se transformar em uma empresa focada exclusivamente em beleza e cuidados pessoais

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 31/03/2026 às 15:11
Atualizado em 31/03/2026 às 15:14
A Unilever negocia vender a Hellmann's, a Knorr e toda a divisão de alimentos por até R$ 186 bilhões para focar em beleza. Entenda o que muda para o consumidor.
A Unilever negocia vender a Hellmann’s, a Knorr e toda a divisão de alimentos por até R$ 186 bilhões para focar em beleza. Entenda o que muda para o consumidor.
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A Unilever confirmou negociações com a McCormick & Company para vender a Hellmann’s, a Knorr e toda a divisão de alimentos, em um acordo que analistas do Barclays estimam entre 28 e 31 bilhões de euros (até R$ 186 bilhões), marcando uma reestruturação que transformaria a multinacional britânica em empresa focada em beleza e cuidados pessoais

A Hellmann’s pode deixar de pertencer à Unilever.

A multinacional britânica confirmou nesta terça-feira (31) que está em negociações avançadas com a McCormick & Company para a venda de toda a sua divisão de alimentos, incluindo a Hellmann’s e a Knorr.

Se o acordo for fechado, a Hellmann’s, que é uma das marcas de maionese mais vendidas do mundo, será transferida para a McCormick, empresa americana dona do molho picante Cholula, em uma transação que pode chegar a R$ 186 bilhões.

A venda da Hellmann’s e do restante da divisão de alimentos faz parte de uma estratégia do CEO Fernando Fernandez para reposicionar a Unilever como empresa focada exclusivamente em beleza e cuidados pessoais.

A divisão de alimentos que inclui a Hellmann’s representou cerca de 25% das vendas totais da Unilever em 2025, com receita superior a R$ 77 bilhões.

Apesar do estágio avançado das conversas, as empresas afirmam que não há garantia de fechamento do acordo.

Quanto vale a divisão de alimentos que inclui a Hellmann’s e a Knorr

Analistas do Barclays estimam que a divisão de alimentos da Unilever, que inclui a Hellmann’s e a Knorr, possa ser avaliada entre 28 bilhões e 31 bilhões de euros.

Em reais, isso pode chegar a R$ 186 bilhões, valor que supera com folga a própria capitalização de mercado da McCormick, atualmente em torno de US$ 14,5 bilhões.

A Unilever como um todo é avaliada em cerca de R$ 711 bilhões, o que significa que a divisão de alimentos com a Hellmann’s corresponde a mais de um quarto do valor total da empresa.

A unidade de alimentos gerou receita superior a R$ 77 bilhões em 2025.

Se o acordo for confirmado, será uma das maiores transações corporativas do setor alimentício em anos, e a Hellmann’s passará a fazer parte do portfólio da McCormick junto com marcas como Cholula, French’s e Old Bay.

A combinação colocaria sob o mesmo teto a maionese mais famosa do mundo e um dos maiores fabricantes de temperos e condimentos.

Por que a Unilever quer se desfazer da Hellmann’s e de toda a divisão de alimentos

A decisão de vender a Hellmann’s e a Knorr não é improviso. Faz parte de uma estratégia deliberada do CEO Fernando Fernandez para transformar a Unilever em uma empresa concentrada em beleza e cuidados pessoais.

Esses segmentos têm margens de lucro mais altas e crescimento mais rápido do que o setor de alimentos, que enfrenta pressão de consumidores, reguladores de saúde e concorrência de marcas menores e mais ágeis.

A venda da Hellmann’s dá sequência a outras decisões recentes da Unilever, como a separação do negócio de sorvetes e a revisão global do portfólio.

A lógica é simples: em vez de ser uma empresa gigante que faz de tudo, a Unilever quer ser uma empresa grande que faz poucas coisas muito bem.

A Hellmann’s, apesar de ser uma marca icônica e lucrativa, pertence a um setor que não se encaixa mais na visão de futuro da companhia, e por isso está na mesa de negociação.

Para a Unilever, vender a Hellmann’s por até R$ 186 bilhões liberaria recursos enormes para investir em marcas de beleza e cuidados pessoais que crescem mais rápido.

A pressão sobre ultraprocessados que empurra a Hellmann’s para a porta de saída

A venda da Hellmann’s e da divisão de alimentos acontece em um momento de transformação no setor alimentício global.

A demanda por produtos ultraprocessados enfrenta pressão crescente de consumidores que buscam alimentação mais saudável e de autoridades de saúde que alertam sobre os impactos desses alimentos na obesidade e em doenças crônicas.

Nos Estados Unidos, o secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr. tem reforçado alertas públicos sobre os riscos dos ultraprocessados.

Além da pressão regulatória, o avanço de medicamentos para perda de peso baseados em GLP-1 está mudando os hábitos de consumo de milhões de pessoas, o que afeta diretamente as vendas de produtos como maionese e caldos prontos.

A Hellmann’s não é um produto saudável na percepção do consumidor moderno, e essa mudança de mentalidade é um dos fatores que torna a divisão de alimentos menos atrativa para a Unilever a longo prazo.

Vender a Hellmann’s agora, enquanto a marca ainda é extremamente valiosa, pode ser mais inteligente do que esperar que a pressão sobre ultraprocessados corroa o valor da divisão ao longo dos anos.

O que muda para quem compra Hellmann’s no mercado se o acordo for fechado

Para o consumidor que compra Hellmann’s no mercado, a mudança de dono não deve alterar o produto no curto prazo.

A Hellmann’s continuaria sendo fabricada com a mesma receita, na mesma embalagem e vendida nos mesmos supermercados. O que muda é quem recebe o lucro.

A McCormick é uma empresa especializada em temperos, condimentos e molhos, o que torna a Hellmann’s um encaixe natural em seu portfólio.

No longo prazo, a nova dona pode fazer ajustes de marketing, posicionamento e até lançar versões da Hellmann’s combinadas com temperos e sabores da McCormick.

O que o consumidor precisa saber é que a Hellmann’s não vai desaparecer. Ela apenas trocaria de dono, passando de uma empresa que quer focar em shampoo e creme para uma empresa que entende de molhos e temperos.

Se o acordo for fechado, a Hellmann’s continuará nas prateleiras. A diferença é que o logotipo no relatório anual será outro.

R$ 186 bilhões, adeus aos alimentos e uma Unilever que só quer beleza

A Unilever negocia a venda da Hellmann’s, da Knorr e de toda a divisão de alimentos para a McCormick em um acordo que pode chegar a R$ 186 bilhões.

Se o acordo se concretizar, a Hellmann’s passará a pertencer a uma empresa americana de temperos, enquanto a Unilever se tornará focada exclusivamente em beleza e cuidados pessoais, abandonando o setor de alimentos que ajudou a construir sua história.

A negociação ainda não tem garantia de fechamento, mas o recado já está dado: a Unilever decidiu que o futuro da empresa não inclui maionese.

Você sabia que a Hellmann’s pode trocar de dono? Acha que o produto vai mudar se for vendido para a McCormick? O que pensa da Unilever largando alimentos para focar em beleza? Deixe nos comentários e compartilhe este artigo com quem consome Hellmann’s e precisa saber o que está acontecendo.

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Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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