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União Europeia dobra as tarifas sobre aço importado de 25 para 50 por cento e corta quase pela metade o volume de importações permitidas para proteger uma indústria que já perdeu 100 mil empregos desde 2008

Publicado em 14/04/2026 às 10:09
Atualizado em 14/04/2026 às 10:43
A União Europeia dobra tarifas sobre aço importado para 50% e corta importações quase pela metade para proteger a indústria siderúrgica.
A União Europeia dobra tarifas sobre aço importado para 50% e corta importações quase pela metade para proteger a indústria siderúrgica.
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A União Europeia fechou acordo para elevar as tarifas sobre aço importado de 25% para 50% e reduzir as importações isentas em 47%, limitando-as a 18,3 milhões de toneladas por ano. A medida visa proteger uma indústria que perdeu 100 mil empregos desde 2008 e opera com apenas 65% da capacidade.

As tarifas sobre aço importado pela União Europeia vão dobrar. O bloco fechou um acordo preliminar nesta segunda-feira (13) para elevar de 25% para 50% as tarifas aplicadas sobre embarques de aço que excedam as cotas permitidas, ao mesmo tempo em que reduz quase pela metade o volume de importações isentas de taxa. As importações livres de tarifas serão limitadas a 18,3 milhões de toneladas métricas por ano, uma redução de 47% em relação a 2024, segundo o acordo firmado entre representantes do Parlamento Europeu e do Conselho da União Europeia.

A decisão de aumentar as tarifas é uma resposta direta à crise que a indústria siderúrgica europeia enfrenta. A Comissão Europeia informou que o setor perdeu cerca de 100 mil empregos desde 2008, e os produtores de aço do bloco operam atualmente com apenas 65% da capacidade total, pressionados pelo aumento de importações baratas e pelas tarifas de 50% que os Estados Unidos impuseram sobre envios de aço europeu. Sem a prorrogação e o endurecimento das restrições, a produção europeia continuaria diminuindo, segundo a Comissão.

Por que a União Europeia decidiu dobrar as tarifas sobre aço

Segundo o portal do G1, as tarifas atuais de 25% sobre aço importado foram criadas durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump, quando os Estados Unidos impuseram restrições comerciais que forçaram outros países a buscar mercados alternativos para seu aço excedente. A Europa se tornou destino preferencial para esse aço desviado, e as salvaguardas de 25% que o bloco implementou em resposta estavam programadas para expirar em 30 de junho. O novo acordo não apenas prorroga as proteções, mas as dobra, elevando as tarifas para 50%.

O argumento da Comissão Europeia é que as tarifas anteriores não foram suficientes para conter o fluxo de aço barato que deprime os preços europeus e empurra as siderúrgicas do bloco para uma espiral de baixa utilização. Com a indústria operando a apenas 65% da capacidade, o objetivo das novas tarifas é elevar esse índice para 80%, um patamar considerado sustentável para manter empregos e investimentos no setor. As principais fontes de importação de aço para a União Europeia em 2025 foram Turquia, Coreia do Sul, Indonésia, China, Índia, Ucrânia e Taiwan.

O que muda na prática com as novas tarifas de 50%

A mudança mais significativa é a combinação entre tarifas mais altas e cotas mais baixas. As importações isentas de tarifas caem de cerca de 34,5 milhões de toneladas em 2024 para 18,3 milhões de toneladas por ano, uma redução de 47% que estreita drasticamente o espaço para aço estrangeiro no mercado europeu. Qualquer tonelada que ultrapasse essa cota será taxada em 50%, o dobro do que era cobrado antes.

As novas regras também incluem mecanismos para combater a evasão. As medidas passarão a considerar o local onde o aço foi originalmente fundido e moldado, não apenas o país de onde é exportado, para impedir que produtores de países com tarifas mais altas reenviem seu aço através de terceiros. Além disso, as tarifas serão revisadas regularmente para garantir que continuem eficazes diante de mudanças no mercado global. Essas medidas anticontorno são uma resposta a práticas que vinham minando a eficácia das salvaguardas anteriores.

O compromisso de eliminar gradualmente o aço russo e o impacto das tarifas

Outro ponto relevante do acordo é o compromisso de eliminar progressivamente as importações de aço da Rússia, possivelmente até setembro de 2028. Cerca de 3,7 milhões de toneladas de placas de aço vieram da Rússia para a União Europeia no ano passado, um volume que as novas regras pretendem reduzir a zero como parte das sanções econômicas contra Moscou. A eliminação do aço russo criará espaço adicional no mercado europeu que, em tese, será ocupado por produtores locais.

Para os exportadores de aço que dependem do mercado europeu, as novas tarifas representam uma barreira significativa. Países como Turquia e Coreia do Sul, que lideraram as exportações de aço para a União Europeia em 2025, terão que pagar 50% sobre qualquer volume que exceda as cotas reduzidas, o que pode tornar seus produtos inviáveis comercialmente em muitos segmentos. A China e a Índia, que já enfrentam restrições em outros mercados, também serão afetadas pela redução das cotas e pelo aumento das tarifas.

Como as tarifas se encaixam na guerra comercial global sobre o aço

As novas tarifas europeias não existem em um vácuo. Elas são parte de uma escalada protecionista global que começou com as tarifas de 25% impostas por Trump em seu primeiro mandato e se intensificou com os 50% que os Estados Unidos cobram atualmente sobre parte dos envios de aço europeu. O resultado é um mercado global fragmentado em que cada bloco econômico ergue barreiras para proteger sua indústria, enquanto o aço excedente busca qualquer mercado que ainda esteja aberto.

Para a indústria siderúrgica europeia, as tarifas são uma tábua de salvação. Os 100 mil empregos perdidos desde 2008 representam comunidades inteiras que dependiam de siderúrgicas para sua sobrevivência econômica, e a operação a 65% da capacidade significa que as fábricas existentes estão produzindo muito menos do que poderiam. Se as novas tarifas conseguirem elevar a utilização para 80%, os efeitos se espalharão por cadeias de fornecedores, transportadoras e serviços que giram em torno da produção de aço.

O que ainda precisa acontecer para as tarifas entrarem em vigor

O acordo de segunda-feira é preliminar. O Parlamento Europeu e o Conselho da União Europeia ainda precisam votar a aprovação formal das medidas para que as novas tarifas entrem em vigor antes da expiração das salvaguardas atuais em 30 de junho. Considerando que ambas as partes já concordaram com os termos, a expectativa é de aprovação, mas o processo legislativo europeu pode incluir ajustes de última hora que alterem detalhes das cotas ou dos mecanismos de revisão.

Para o mercado global de aço, a mensagem é clara: a Europa não pretende ser o destino de dumping para o excedente que outros mercados não absorvem. As tarifas de 50% e a redução de 47% nas cotas representam a proteção comercial mais agressiva que a União Europeia já implementou no setor siderúrgico, e o sinal enviado a exportadores de todo o mundo é que o acesso ao mercado europeu ficou significativamente mais caro e mais restrito.

A União Europeia vai dobrar as tarifas sobre aço importado para 50% e cortar quase pela metade as importações permitidas. Você acha que o protecionismo é a saída certa para salvar a indústria europeia? Como isso pode afetar o Brasil? Deixe sua opinião nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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