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A Rússia gastou US$ 5 bilhões e 28 anos modernizando um navio de guerra nuclear parado desde 1997, o Admiral Nakhimov voltou ao mar em agosto de 2025 como o navio de combate de superfície mais pesado do mundo, com 176 lançadores de mísseis, incluindo Zircon hipersônicos

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 29/03/2026 às 16:10 Atualizado em 29/03/2026 às 16:17
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Admiral Nakhimov retorna após 28 anos e US$ 5 bilhões como o navio de guerra mais poderoso do mundo com 176 mísseis e propulsão nuclear
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Admiral Nakhimov retorna após 28 anos e US$ 5 bilhões como o navio de guerra mais poderoso do mundo com 176 mísseis e propulsão nuclear

No dia 18 de agosto de 2025, segundo o Naval News, o cruzador nuclear Admiral Nakhimov deixou o dique seco em Severodvinsk e navegou pelo Mar Branco sob seu próprio poder pela primeira vez desde 1997. Após um processo de modernização que durou 28 anos e consumiu cerca de 200 bilhões de rublos, equivalente a aproximadamente US$ 5 bilhões, o navio retornou com um arsenal completamente reconfigurado e capacidades que o colocam como o navio de combate de superfície mais pesado e mais armado em operação no mundo.

Equipado com 176 lançadores de mísseis, incluindo sistemas hipersônicos Zircon, o Admiral Nakhimov representa não apenas uma atualização tecnológica, mas uma tentativa de reposicionamento estratégico da Marinha russa no cenário naval global.

Classe Kirov: o cruzador nuclear que redefiniu o conceito de navio de guerra

Para compreender o impacto do Admiral Nakhimov, é necessário entender a classe Kirov. Desenvolvida durante a Guerra Fria, essa classe foi projetada como um híbrido entre cruzador e couraçado moderno.

Com 252 metros de comprimento e deslocamento de 28.000 toneladas, os navios da classe Kirov eram grandes demais para qualquer categoria tradicional. Analistas da OTAN chegaram a classificá-los como “cruzadores de batalha”, uma designação que não era utilizada desde a Segunda Guerra Mundial.

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O armamento original incluía 20 mísseis P-700 Granit, cada um com cerca de 7 toneladas, projetados para atacar grupos de porta-aviões com ataques coordenados.

A lógica operacional era baseada em saturação de defesa, onde múltiplos mísseis seriam lançados simultaneamente para garantir que parte deles atingisse o alvo.

Impacto estratégico dos Kirov levou os EUA a reativarem couraçados da Segunda Guerra

A introdução dos Kirov teve impacto direto no planejamento militar dos Estados Unidos. Durante a administração Reagan, a Marinha americana decidiu reativar os couraçados da classe Iowa.

Os USS New Jersey, Wisconsin, Missouri e Iowa voltaram ao serviço entre 1982 e 1988. A justificativa era clara: apenas navios de grande porte e blindagem significativa poderiam sobreviver a um confronto direto com os cruzadores soviéticos.

Esse movimento evidencia o nível de ameaça percebido pelos estrategistas ocidentais diante da classe Kirov.

Modernização do Admiral Nakhimov: 28 anos, sete prazos e US$ 5 bilhões investidos

O processo de modernização do Admiral Nakhimov é marcado por sucessivos atrasos. Inicialmente previsto para conclusão em 2002, o projeto foi adiado diversas vezes, passando por previsões em 2012, 2018, 2019, 2020, 2021, 2022, 2023 e 2024.

A modernização efetiva começou apenas entre 2013 e 2014, quando Moscou decidiu investir recursos significativos no programa.

O navio foi praticamente reconstruído. Sistemas soviéticos obsoletos foram substituídos por tecnologias modernas de radar, guerra eletrônica e armamento.

Não se tratou de uma reforma, mas de uma reconstrução completa de um dos maiores navios militares do mundo.

Armamento do Admiral Nakhimov: 176 mísseis com Zircon hipersônico e sistema S-400 naval

A modernização transformou completamente o arsenal do navio. Os antigos lançadores inclinados foram substituídos por 80 células do sistema UKSK, capazes de disparar mísseis Kalibr, Oniks e Zircon. Além disso, foram adicionadas 96 células de defesa aérea com sistema equivalente ao S-400 naval.

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O navio também recebeu sistemas Pantsyr-M para defesa de curto alcance e o canhão moderno AK-192M.

O total de 176 lançadores coloca o Admiral Nakhimov acima de qualquer outro navio de superfície em operação, superando modelos como o Type 055 chinês e o Ticonderoga americano.

Zircon hipersônico e capacidade nuclear elevam poder de combate do navio russo

O míssil Zircon, um dos destaques do novo arsenal, possui velocidade declarada de até Mach 9 e alcance aproximado de 1.000 quilômetros.

Essa capacidade reduz drasticamente o tempo de reação de sistemas de defesa inimigos. Combinado com propulsão nuclear, que permite operação prolongada sem reabastecimento, o navio possui alcance praticamente ilimitado.

Isso posiciona o Admiral Nakhimov como uma das plataformas mais letais já construídas para combate naval.

Caso Moskva revela vulnerabilidade de grandes navios de guerra modernos

Apesar de sua capacidade, o histórico recente levanta questionamentos. Em abril de 2022, o cruzador Moskva foi afundado por dois mísseis Neptune ucranianos.

A Rússia gastou US$ 5 bilhões e 28 anos modernizando um navio de guerra nuclear parado desde 1997, o Admiral Nakhimov voltou ao mar em agosto de 2025 como o navio de combate de superfície mais pesado do mundo, com 176 lançadores de mísseis, incluindo Zircon hipersônicos
Admiral Nakhimov retorna após 28 anos e US$ 5 bilhões como o navio de guerra mais poderoso do mundo com 176 mísseis e propulsão nuclear

O ataque revelou falhas operacionais, como sistemas de defesa inativos no momento do impacto. O episódio demonstrou que mesmo navios grandes e bem armados podem ser vulneráveis.

A lição central não é a obsolescência dos grandes navios, mas a importância da operação correta de seus sistemas.

Guerra moderna e drones colocam em xeque navios de bilhões de dólares

Conflitos recentes mostram uma mudança na dinâmica naval. Drones de baixo custo e mísseis antinavio têm sido capazes de danificar ou destruir embarcações muito mais caras.

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No Mar Negro e no Mar Vermelho, ataques assimétricos mostraram que a relação custo-benefício favorece o atacante. Um navio de US$ 5 bilhões torna-se simultaneamente um ativo estratégico e um alvo prioritário.

Diante desses riscos, a tendência é que o Admiral Nakhimov opere principalmente em regiões como o Ártico e o Atlântico Norte, onde o ambiente é mais controlado e previsível. A embarcação deve assumir o papel de capitânia da Frota do Norte, substituindo o Pyotr Velikiy.

Essa estratégia reduz exposição a ameaças assimétricas e maximiza o uso do navio como plataforma de projeção de poder.

Paradoxo do século XXI: maior navio de guerra também pode ser o mais vulnerável

O Admiral Nakhimov representa um paradoxo da guerra moderna. Ao mesmo tempo em que é uma das plataformas mais poderosas já construídas, também é um ativo único e insubstituível.

Analistas destacam que sua principal fraqueza é justamente essa singularidade. Um único navio não pode ser replicado rapidamente em caso de perda.

Isso levanta dúvidas sobre a viabilidade estratégica de investir bilhões em plataformas únicas em um cenário dominado por guerra assimétrica.

O navio completou a primeira fase de testes em setembro de 2025 e avançou para estágios mais complexos até dezembro do mesmo ano.

O comissionamento operacional está previsto para 2026, quando assumirá oficialmente o papel de principal navio da Frota do Norte.

Após 28 anos de модернизаção e US$ 5 bilhões investidos, o Admiral Nakhimov retorna ao mar como o maior e mais armado navio de combate de superfície em operação no planeta.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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