Com 462 metros de altura, o Lakhta Center é a nova sede da Gazprom e gira quase 90 graus da base ao topo. Construído entre 2012 e 2018 por cerca de US$ 2 bilhões, o prédio mais alto da Europa exigiu fundações ancoradas a 25 metros de profundidade.
A Rússia ergueu o prédio mais alto da Europa, o Lakhta Center, sobre um solo mole como areia movediça, à beira do Golfo da Finlândia, em São Petersburgo, usando 264 estacas de 25 metros, 30 mil toneladas de aço e cerca de 16.500 painéis de vidro curvados um a um. Com 462 metros de altura, a torre não é apenas a mais alta da Rússia: é oficialmente a estrutura mais alta de todo o continente europeu.
Por trás da fachada de vidro está uma obra que precisou inventar soluções a cada etapa. O Lakhta Center é a nova sede mundial da Gazprom, a maior empresa de gás natural da Rússia, e foi construído entre 2012 e finalizado em dezembro de 2018, a um custo próximo de US$ 2 bilhões. Projetado por um arquiteto britânico Tony Kettle (pelo escritório RMJM), e posteriormente detalhado pela empresa russa Gorproject, o edifício gira quase 90 graus da base ao topo, em um formato inspirado nas velas dos navios do Báltico e na chama de uma queima de gás natural, e erguer a torre sobre o terreno instável de São Petersburgo exigiu fundações profundas e peças desenhadas uma a uma.
Uma torre torcida à beira do Golfo da Finlândia

imagem: © Slava Korolev/
Segundo informações divulgadas pelo portal Idealista, erguer o prédio mais alto da Europa foi, desde o início, um desafio quase impossível. O terreno escolhido, à beira do Golfo da Finlândia, tem um solo mole que mais parece areia movediça, ventos vindos do mar que já derrubaram estruturas inteiras e um clima em que a temperatura despenca para 20 graus negativos por meses a fio.
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Como se não bastasse, a torre não podia ser reta. Ela precisava girar 90 graus do chão até o topo, como se estivesse sendo torcida por uma mão invisível. Projetado por um arquiteto britânico, o Lakhta Center ganhou esse formato a partir de duas imagens, as velas dos navios que cruzam o Mar Báltico e a chama de uma queima de gás natural, uma inspiração nada casual, já que a torre é a nova sede mundial da Gazprom, a gigante russa do gás.

A batalha contra o solo instável
Antes de qualquer coluna subir, a verdadeira batalha estava escondida debaixo da terra. O solo de São Petersburgo é traiçoeiro, com camadas e camadas de terreno mole e instável, inadequado para suportar uma estrutura de mais de 460 metros, e as fundações do prédio mais alto da Europa tiveram de descer muito mais para encontrar apoio firme.
A solução foi cravar estacas até uma camada sólida no subsolo. Os engenheiros instalaram 264 estacas, perfurando o solo até atingir, a cerca de 25 metros de profundidade, uma camada geológica chamada argila vendiana, quase tão rígida quanto rocha sólida e capaz de funcionar como uma âncora natural para toda a edificação. Antes disso, foi erguida uma enorme parede diafragma de concreto armado, um escudo subterrâneo que impedia a água do mar de invadir a escavação, e o concreto foi bombeado para dentro das perfurações pelo método do tubo tremie, que o injeta direto no fundo do furo para evitar bolhas e falhas. Quando testadas, as estacas se mostraram duas vezes e meia mais resistentes do que o projeto previa.
Uma fundação que entrou para o Guinness
Sobre as estacas, nasceu uma das fundações mais robustas já feitas na Rússia. Os engenheiros construíram uma fundação em caixão gigantesca, cobrindo 5.600 m² e com 16,5 metros de altura, a base sobre a qual o prédio mais alto da Europa se apoiaria.
O coração dessa base bateu um recorde mundial. A estrutura é formada por uma laje superior, uma laje inferior e 10 paredes radiais de concreto, em um formato de duplo T que distribui o peso descomunal do núcleo central, e no centro está uma laje de base com 3,6 metros de espessura. A concretagem dessa laje entrou para o Guinness World Records como a maior concretagem contínua já feita para um prédio super alto, um feito que, no inverno russo, corria o risco de rachar pelo calor da cura, e por isso os engenheiros levantaram abrigos temporários gigantescos sobre a obra e instalaram sistemas de aquecimento para controlar a temperatura centímetro a centímetro.
Subir 462 metros com precisão milimétrica
Segundo o portal do lakhta, Com a fundação pronta, começava a parte que mais assustava os engenheiros. Era preciso subir mais de 460 metros em linha quase reta, em meio aos ventos do Báltico. O coração estrutural do prédio mais alto da Europa é o seu núcleo central de concreto, a coluna vertebral que sustenta tudo, erguida com um sistema de formas autoascendentes.
Em vez de desmontar e remontar as formas a cada andar, o sistema se erguia sozinho. Ele usava macacos hidráulicos guiados por trilhos fixados na estrutura já concretada e foi dividido em duas frentes independentes, uma ao norte e outra ao sul, para acelerar a obra, enquanto outras equipes instalavam as 15 colunas estruturais principais e as vigas de aço. Conforme a torre se aproximava dos 462 metros, a precisão virou uma questão de vida ou morte: um desvio de poucos milímetros nos andares baixos poderia deixar o topo deslocado vários metros, então os engenheiros montaram um sistema de monitoramento 24 horas por dia, com sensores de altíssima precisão e posicionamento via satélite.
A torção de 90 graus e o aço sob medida
Vista de cima, a planta do prédio mais alto da Europa tem o formato de uma estrela de cinco pontas. São essas pontas que giram lentamente em torno do eixo central, fazendo o edifício inteiro completar uma volta de quase 90 graus entre a base e o topo.
Para sustentar esse movimento, os projetistas abandonaram as colunas convencionais. Eles apostaram em colunas compostas, cada uma com um núcleo de aço estrutural envolto por armadura e concreto de altíssima resistência, a primeira vez que a tecnologia foi aplicada em escala tão grande na Rússia. Como cada andar tem uma geometria diferente do anterior, a maioria das peças de aço é única, desenhada individualmente para um único ponto exato, somando 189.000 componentes metálicos e 30.000 toneladas de aço.
A agulha e a maior fachada de vidro curvado a frio do mundo
A parte mais delicada de todas era o topo. A agulha do prédio mais alto da Europa foi erguida em torno do núcleo de concreto, e só a sua estrutura de aço pesa mais de 2.000 toneladas; montada previamente no solo, ela foi içada por guindastes gigantes a centenas de metros de altura, formando uma pirâmide afunilada com oito níveis principais, tubos de aço de até 1,5 metro de diâmetro e um elemento de 8 metros que marca o ponto mais alto.

Mas o que de fato diferencia a torre é a sua pele de vidro. A fachada é formada por cerca de 16.500 painéis de vidro curvados a frio, cada um com uma forma diferente, no maior sistema de fachada em vidro curvado a frio já aplicado em um edifício alto no mundo, com módulos de 4,2 metros de altura, 11 m² de área e quase 740 quilos cada.

Em vez de moldar as curvas com calor em fábrica, a maior parte da curvatura foi feita durante a instalação, dobrando o vidro suavemente dentro de molduras de alumínio no próprio canteiro para reduzir custos, e, por trás dessa camada externa, um sistema de pele dupla com um colchão de ar ajudou a economizar, segundo os engenheiros do projeto, cerca de 40% de energia em relação ao vidro convencional, em uma torre servida por 38 elevadores de alta velocidade.

Erguido a 462 metros sobre um solo mole como areia movediça, ventos do Báltico e frio extremo, o prédio mais alto da Europa, o Lakhta Center, se tornou uma torre de vidro torcida e a sede mundial da Gazprom, provando que um dos projetos super altos mais complexos do mundo podia ser construído em um dos climas mais hostis do planeta.
Da fundação que entrou para o Guinness à maior fachada de vidro curvado a frio já feita, cada etapa marcou um avanço na construção moderna, e a torre transformou não só o horizonte secular de São Petersburgo, mas todo o entorno do bairro de Lakhta, com novas estradas, terminais de transporte e espaços públicos em uma área antes esquecida. Concluído em 2018, o edifício se firmou como um símbolo da ambição de modernização da Rússia no século XXI.
E você, o que acha? Prédios super altos como esse realmente representam o futuro das cidades modernas ou são, no fundo, apenas símbolos de poder e ambição nacional? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre engenharia e construção, com respeito às diferentes visões.


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