Crescimento do PIB do agro, safra recorde e busca por proteção patrimonial explicam avanço nas vendas acima de R$ 2 milhões, reforçando protagonismo de Itapema no mercado imobiliário alto padrão
O litoral de Santa Catarina sustenta em 2025 a imagem de um dos endereços mais desejados do país. O que aparece nas vitrines, porém, é apenas parte da história. Enquanto o mercado imobiliário de alto padrão segue aquecido, um motor silencioso vindo do campo ajuda a explicar o avanço nas compras de imóveis milionários.
Agro impulsiona imóveis de alto padrão
Com safra recorde e exportações aquecidas, produtores rurais e empresários do setor passaram a figurar entre os compradores mais ativos de unidades acima de R$ 2 milhões.
A relação entre esses dois mundos ganha respaldo em números. No primeiro trimestre de 2025, o PIB do agronegócio avançou 6,49%, de acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, a CNA.
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A própria CNA projeta que o agro movimente R$ 3,79 trilhões neste ano. Desse total, R$ 2,57 trilhões pertencem ao ramo agrícola e R$ 1,22 trilhão à pecuária.
Parte relevante dessa riqueza tem sido canalizada para ativos imobiliários, vistos como instrumentos de diversificação e proteção patrimonial.
A procura combina lazer, estabilidade e visão estratégica. Investidores vindos do interior do Paraná, Mato Grosso e Rio Grande do Sul ampliaram presença em cidades como Balneário Camboriú, Florianópolis e Itapema.
A migração de capital acompanha também uma mudança de estilo de vida, em que descanso e qualidade de vida passam a dividir espaço com decisões financeiras.
Itapema lidera valorização
Os dados mais recentes do Índice FipeZap indicam que Itapema registrou alta de 11,34% no preço dos imóveis nos últimos 12 meses.
Em cinco anos, a valorização acumulada alcançou 114%. O metro quadrado saiu de R$ 6.547 em 2020 para R$ 14.026/m² em abril de 2025.
Hoje, o município possui o segundo metro quadrado mais valorizado do Brasil, atrás apenas de Balneário Camboriú, que registra R$ 14.698/m².
Ainda segundo o FipeZap, cerca de 70% dos investidores em Itapema têm origem no agronegócio, dado que reforça o peso do setor rural no dinamismo local.
A expectativa do mercado é de alta adicional de até 20% em imóveis bem localizados no segundo semestre.
Empreendimentos acompanham essa tendência, com unidades que ultrapassam R$ 10 milhões e ampliam o portfólio de luxo disponível na cidade.
Segurança e visão de longo prazo
Especialistas apontam que investidores do agro enxergam imóveis como reservas sólidas de valor. Além da valorização consistente, pesam fatores como segurança jurídica, proteção contra inflação e possibilidade de uso pessoal.
O imóvel deixa de ser apenas investimento e passa a representar um projeto de vida.
Esse movimento traduz uma transição geracional. Muitos compradores não buscam somente uma segunda residência, mas uma mudança definitiva.
Cidades litorâneas oferecem infraestrutura, lazer e tranquilidade, atributos que dialogam com quem deseja reduzir o ritmo após décadas dedicadas à produção.
Nova fase de vida
O fenômeno é ilustrado pela trajetória de Nelson Luiz Piccoli, produtor rural em Sorriso, no Mato Grosso. Aos 71 anos, após transferir o comando das propriedades ao filho, ele escolheu Itapema como destino estratégico.
“A minha geração busca um local para reunir a família com qualidade de vida. No Mato Grosso encontramos a segurança econômica que buscávamos, agora procuramos mais descanso”, afirma.
Piccoli ressalta que a segurança pública e o potencial de valorização influenciaram diretamente sua decisão.
Imóveis de luxo e novos projetos
O avanço dos imóveis de luxo caminha lado a lado com melhorias urbanas. Entre os destaques estão o alargamento da faixa de areia já autorizado, além de projetos voltados à mobilidade urbana e atrações previstas para fortalecer turismo e economia local.
Nesse contexto, Itapema consolida sua posição como um dos principais destinos de investimento imobiliário de alto padrão.
Ao fundo, a prosperidade do campo segue desempenhando um papel decisivo, conectando safras recordes a edifícios à beira-mar e redesenhando o perfil dos compradores que hoje movimentam o mercado catarinense.
Com informações de Gazeta do Povo.
