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A ponte que começa debaixo d’água e termina suspensa no mar: são 16 km entre túnel, ilha e ponte em uma obra-prima da engenharia

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 13/07/2025 às 22:29
Ponte, Mar, Ponte de Øresund
Imagem de Arild Vågen, via Wikimedia Commons, sob licença CC BY-SA 4.0
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Com início submerso e fim suspenso, a Ponte de Øresund transforma uma simples travessia entre países em experiência de engenharia e paisagem

Viajar de Copenhague, na Dinamarca, até Malmö, na Suécia, é uma experiência diferente de qualquer outra. Essa viagem envolve uma travessia única, feita por uma das obras de engenharia mais marcantes da Europa. Trata-se da Ponte de Øresund, uma estrutura que mistura ponte e túnel em um mesmo trajeto.

O trajeto começa embaixo do mar. Depois, a estrada emerge e se transforma em uma ponte imponente sobre o Mar Báltico.

A estrutura conecta mais que dois países: une ideias de engenharia, inovação e meio ambiente em um único caminho.

Começo submerso, fim suspenso

A jornada inicia no lado dinamarquês com um túnel submerso. São mais de quatro quilômetros de estrada embaixo do mar.

Esse túnel desemboca em uma ilha artificial. De lá, a estrada sobe para uma ponte com quase oito quilômetros de extensão.

Essa ponte elevada é sustentada por cabos e pilares robustos. Além dos carros, trens também utilizam a estrutura.

O projeto foi pensado para equilibrar custo, funcionalidade e preservação. Uma ponte completa dificultaria a navegação marítima. Um túnel inteiro sairia muito caro. A solução foi combinar os dois.

O projeto também foi desenhado para resistir ao clima local. Ventos, chuva, mudanças bruscas de temperatura — tudo foi levado em conta para garantir segurança e funcionamento pleno durante todo o ano.

A ilha invisível do turismo

Entre o túnel e a ponte está Peberholm, uma ilha artificial de 4,5 quilômetros. Ela não aparece em roteiros turísticos. O motivo: não foi feita para visitantes, mas sim para a ciência. Sem moradores, o local virou um laboratório natural.

Pesquisadores vão até lá para estudar a colonização natural da ilha. Sem interferência humana direta, a fauna e a flora se desenvolveram de forma espontânea.

Já foram registradas mais de 500 espécies de plantas e cerca de vinte tipos de aves. A ilha também serve como ponto de transição entre o trecho subterrâneo e o elevado da travessia.

Ponte de Øresund: números que impressionam

A ponte de Øresund impressiona pelos dados técnicos. A estrutura elevada pesa mais de 80 mil toneladas. Seu vão principal tem 490 metros.

Os cabos que sustentam a ponte foram desenvolvidos com tecnologia avançada para aguentar vibrações e rajadas de vento.

O pilar central da ponte ultrapassa 200 metros de altura. A obra foi construída entre 1995 e 2000. Foram cinco anos até a inauguração.

O custo total do projeto foi de aproximadamente US$ 1,5 bilhão. Desde então, encurtou o tempo entre as duas cidades. Antes, o trajeto só podia ser feito por balsas demoradas ou por avião.

Além da funcionalidade, o projeto se destaca por ser a ponte mais longa da Europa com transporte rodoviário e ferroviário simultâneo. Uma conquista técnica que ainda serve de referência em todo o mundo.

De cenário a símbolo cultural

A ponte também virou símbolo cultural. Foi cenário da série “The Bridge”, uma produção policial sueco-dinamarquesa.

A história usou a ligação entre os países como metáfora para as diferenças culturais e linguísticas.

A série ganhou popularidade internacional e levou a Ponte de Øresund ao conhecimento de pessoas do mundo todo.

Muitos turistas passaram a visitar a ponte após assistir à série. O impacto cultural foi tão grande quanto o impacto técnico.

Tecnologia com consciência

A escolha de unir túnel, ilha e ponte também teve outra motivação. A solução ajuda a evitar interferências nas rotas aéreas do aeroporto de Copenhague e reduz o impacto ambiental da construção.

A ponte é hoje símbolo de cooperação, inovação e respeito ambiental. Atravessar seus 16 quilômetros pode ser mais do que um simples deslocamento.

É uma oportunidade de ver como engenharia e natureza podem conviver no mesmo espaço.

Além de encurtar distâncias, a ponte virou parte da paisagem, da cultura e até da identidade entre Dinamarca e Suécia. Um marco técnico que se tornou também um marco humano.

Com informações de Tempo.com.

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Romário Pereira de Carvalho

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