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A NASA descobriu algo assustador no fundo de um mar marciano de 3,8 bilhões de anos: as mesmas condições que criaram a vida na Terra existiam em Marte e ninguém estava preparado para isso

Publicado em 24/03/2026 às 13:31
Assista o vídeoA NASA revelou depósitos hidrotermais no fundo de um mar marciano na bacia de Eridania com as mesmas condições que deram origem à vida na Terra há bilhões de anos.
A NASA revelou depósitos hidrotermais no fundo de um mar marciano na bacia de Eridania com as mesmas condições que deram origem à vida na Terra há bilhões de anos.
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Dados do Mars Reconnaissance Orbiter revelaram depósitos hidrotermais com mais de 400 metros de espessura no fundo de um antigo mar marciano, a bacia de Eridania, indicando que o Planeta Vermelho reuniu, há bilhões de anos, os mesmos ingredientes químicos e ambientais que permitiram o surgimento da vida na Terra.

De todos os lugares no Sistema Solar onde a ciência já procurou vestígios de condições favoráveis à vida, poucos se comparam ao que foi encontrado no fundo de um antigo mar marciano. A bacia de Eridania, localizada nas terras altas do hemisfério sul de Marte, abrigou um corpo d’água colossal há aproximadamente 3,8 bilhões de anos. Esse mar continha mais de dez vezes o volume dos Grandes Lagos norte-americanos e cerca de três vezes o volume do Mar Cáspio. Os dados coletados pelo Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) da NASA revelaram, no leito desse mar marciano, depósitos minerais maciços com mais de 400 metros de espessura, formados em um ambiente hidrotermal de águas profundas. Em termos simples: o mesmo tipo de cenário que, na Terra, é considerado um dos mais fortes candidatos ao berço da vida.

A descoberta, publicada na revista Nature Communications e liderada por uma equipe internacional de cientistas com apoio da NASA, não apenas ampliou o catálogo de ambientes úmidos já identificados em Marte, como rios, lagos, deltas e fontes termais, mas criou uma categoria inteiramente nova de alvo astrobiológico no Planeta Vermelho. Os depósitos encontrados no fundo desse mar marciano são contemporâneos às evidências mais antigas de vida na Terra, datadas do mesmo período. E como a crosta terrestre, em constante reciclagem, destruiu quase todo o registro geológico daquela época, é Marte, e não a Terra, que pode guardar as pistas mais bem preservadas sobre como a vida começou.

O olho mais poderoso já enviado a Marte

O Mars Reconnaissance Orbiter é, disparado, a máquina de coleta de dados mais produtiva já enviada ao Planeta Vermelho. Desde que chegou à órbita marciana em 2006, o MRO transmitiu mais informações do que todas as outras missões a Marte somadas.

Com mais de 60 mil órbitas completadas, a sonda carrega três câmeras a bordo: a câmera meteorológica MARCI, que constrói um mapa global diário da atmosfera do planeta; a câmera de contexto CTX, que já cobriu cerca de 99% da superfície marciana em alta resolução; e o espectrômetro CRISM, capaz de identificar a composição mineral das rochas a partir da órbita.

Foi justamente o CRISM que permitiu identificar a composição dos depósitos no fundo da bacia de Eridania. O instrumento detectou minerais como saponita, serpentina rica em ferro e magnésio, carbonatos e provável sulfeto de ferro.

Trata-se de uma assinatura mineral que, na Terra, está diretamente associada a ambientes hidrotermais de águas profundas, como aqueles encontrados ao redor de fontes termais submarinas nos oceanos terrestres. Essa combinação de dados transformou Eridania de uma simples depressão geológica em um dos alvos mais promissores para a astrobiologia marciana.

O que havia no fundo do mar marciano de Eridania

A bacia de Eridania está localizada na fronteira entre as regiões de Terra Cimmeria e Terra Sirenum, uma das porções mais antigas da crosta de Marte. Trata-se de uma bacia fechada, definida por contornos topográficos que indicam que a água atingiu profundidades estimadas entre 500 e 1.500 metros. O volume total de água nesse mar marciano superava o de todos os outros lagos e mares fechados já identificados no planeta, todos combinados.

No fundo dessa bacia, os pesquisadores encontraram depósitos com mais de 400 metros de espessura, compostos por minerais que não apresentam estratificação. Isso significa que não foram depositados em camadas finas como sedimentos comuns, mas formados de maneira maciça, consistente com atividade vulcânica submarina.

A hipótese mais plausível, segundo o estudo publicado na Nature Communications, é que água quente e carregada de minerais era bombeada diretamente para o interior do mar marciano a partir de fraturas na crosta, em um processo muito semelhante ao que ocorre nas dorsais oceânicas terrestres.

A região de Eridania também exibe evidências de forte magnetismo remanescente, o que pode sugerir uma fase inicial de expansão crustal, algo que, na Terra, está associado à tectônica de placas. Grandes volumes de lava do período Hesperiano encontrados na região confirmam que houve atividade vulcânica significativa dentro da bacia, reforçando o cenário de fontes hidrotermais ativas no fundo daquele antigo oceano marciano.

Por que isso muda tudo na busca por vida fora da Terra

A importância da descoberta vai muito além de Marte. Na Terra, fontes hidrotermais submarinas sustentam ecossistemas inteiros que não dependem de luz solar, com organismos que extraem energia química diretamente das rochas.

Muitos cientistas consideram esses ambientes como o cenário mais provável para o surgimento da vida terrestre, há cerca de 3,7 a 3,8 bilhões de anos. O problema é que a crosta da Terra está em constante movimento: placas tectônicas reciclam o fundo oceânico, e praticamente nenhum registro geológico daquela época primordial sobreviveu intacto.

Marte, por outro lado, tem uma crosta sólida e geologicamente estável há bilhões de anos. A erosão é mínima. Isso significa que os depósitos no fundo do mar marciano de Eridania podem funcionar como uma cápsula do tempo, preservando condições que na Terra já foram completamente apagadas.

Como destacou Paul Niles, cientista planetário do Johnson Space Center da NASA: mesmo que nunca se encontre evidência de que houve vida em Marte, esse local pode revelar o tipo de ambiente em que a vida começou aqui na Terra.

A descoberta também tem implicações diretas para a exploração de outros mundos. Ambientes hidrotermais submarinos semelhantes podem existir sob as crostas de gelo de Europa, lua de Júpiter, e Encélado, lua de Saturno. Se as condições encontradas no mar marciano de Eridania realmente favoreceram a química pré-biótica, ou até mesmo a vida, as chances de encontrar algo semelhante nessas luas geladas aumentam consideravelmente.

A maior cachoeira do Sistema Solar e o fim do mar marciano

Se a existência de um vasto mar marciano com atividade hidrotermal já é impressionante, o que aconteceu depois é igualmente espetacular. Há aproximadamente 3,7 bilhões de anos, Marte passou por uma transformação climática drástica: as temperaturas despencaram, a água líquida começou a congelar e a se acumular nas calotas polares. Ao mesmo tempo, a atividade vulcânica se intensificou em algumas regiões, gerando inundações catastróficas.

Uma dessas inundações esculpiu um dos cenários mais dramáticos de todo o Sistema Solar: a Echus Chasma, um cânion com aproximadamente 100 quilômetros de extensão e 10 quilômetros de largura, onde as águas despencavam de penhascos com quatro quilômetros de altura.

Para efeito de comparação, o Salto Ángel, a cachoeira mais alta da Terra, tem pouco menos de um quilômetro. As imagens capturadas pela sonda Mars Express da Agência Espacial Europeia revelaram os vestígios dessa queda d’água colossal, considerada a maior cachoeira já identificada no Sistema Solar.

Depois que as inundações cessaram, a água desapareceu. O vale foi posteriormente coberto por lava basáltica, selando para sempre o registro daquele evento. Hoje, a Echus Chasma é um lembrete árido e silencioso de que Marte já foi um planeta aquático, com oceanos, mares profundos e cachoeiras que fariam qualquer formação terrestre parecer modesta.

Dois planetas, a mesma janela para a vida

O que torna a descoberta do mar marciano de Eridania tão perturbadora não é apenas o fato de que Marte tinha água, pois isso já era conhecido. O que surpreendeu os pesquisadores foi a constatação de que, há 3,8 bilhões de anos, Terra e Marte compartilhavam condições notavelmente semelhantes: atividade vulcânica submarina, água em abundância, calor geotérmico e uma química rica em minerais essenciais. Na Terra, essas condições levaram ao surgimento da vida. Em Marte, elas existiram por centenas de milhões de anos antes que o planeta perdesse sua atmosfera e sua água.

A pergunta que permanece é inevitável: se dois planetas vizinhos apresentaram os mesmos ingredientes, na mesma época, será que o processo que gerou vida na Terra poderia ter se repetido no mar marciano de Eridania? A ciência ainda não tem essa resposta.

Mas a existência de depósitos hidrotermais tão bem preservados em Marte abre uma possibilidade concreta: a de que, um dia, uma missão robótica possa perfurar esse leito antigo e encontrar, ou descartar definitivamente, os vestígios moleculares de vida marciana.

O que você acha: Marte já teve vida?

A cada nova descoberta, a linha entre “Marte poderia ter tido vida” e “Marte provavelmente teve vida” fica mais tênue. O mar marciano de Eridania é, até agora, o exemplo mais completo de um ambiente que reuniu todas as condições necessárias: água profunda, calor vulcânico, minerais reativos e tempo suficiente para que algo pudesse acontecer. A questão não é mais se Marte tinha os ingredientes. A questão é se a receita funcionou.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Com informações do Canal Ciência da Terra da BBC.

E você, o que pensa sobre tudo isso? Acredita que a vida surgiu apenas na Terra, ou acha possível que o mesmo processo tenha se repetido no fundo desse antigo mar marciano? Deixe sua opinião nos comentários. Queremos saber o que a descoberta de Eridania significa para você.

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Valdo Aloquio
Valdo Aloquio
26/03/2026 00:01

Faltou explicação de como a água, que existia em Marte, desapareceu…
Ela foi removida aos poucos da superfície e do planeta por dois grandes processos combinados: perda para o espaço e aprisionamento dentro das rochas do solo marciano.
1. Perda da atmosfera e escape para o espaço:
No início da história de Marte, o planeta tinha uma atmosfera mais densa e campos magnéticos que protegiam o ar e a água.
Quando Marte perdeu seu campo magnético global, o vento solar e radiação intensa começaram a “arrancar” a atmosfera, processo chamado, em alguns estudos, de pulverização catódica (atmospheric sputtering).
Com a atmosfera mais fina e a pressão baixa, a água líquida na superfície deixou de ser estável e começou a:
subir como vapor,
se decompor em hidrogênio e oxigênio pelos raios UV do Sol,
e o hidrogênio leve escapar para o espaço, enquanto o oxigênio foi, em parte, absorvido por rochas e m i n e r a i s.
2. Água “engolida” pela crosta de rochas
Além de ir para o espaço, uma fração muito grande da água de Marte não evaporou, mas foi incorporada às rochas do solo.
Estudos mostram que rochas basálticas de Marte, ricas em óxido de ferro, conseguem reter em seus m i n e r a i s muito mais água que rochas equivalentes na Terra.
Quando a água líquida em contato com essas rochas entrou em reação química, ocorreu:
a quebra das moléculas de água em hidrogênio e oxigênio,
o oxigênio ficou preso nos m i n e r a i s (formando óxidos, hidróxidos etc.),
o hidrogênio subiu para a atmosfera e escapou para o espaço.
Estima‑se que esse processo tenha “consumido” água equivalente a um oceano com mais de 3 km de profundidade, deixando a superfície cada vez mais seca.
3. O que restou hoje:
Hoje, Marte ainda tem água, mas:
em forma de gelo, nas calotas polares e em camadas subterrâneas,
e em pequenas quantidades líquidas (salgadas) em locais muito específicos, onde sais permitem que a água permaneça líquida por pouco tempo.
Em resumo: a água de Marte desapareceu da superfície porque o planeta perdeu proteção magnética → sua atmosfera foi erodida → a água começou a evaporar e ser quebrada quimicamente, parte escapando para o espaço e parte sendo definitivamente “guardada” e destruída dentro das rochas.

Última edição em 2 meses atrás por Valdo Aloquio
Valdo Aloquio
Valdo Aloquio
25/03/2026 23:40

Faltou explicação de como a água, que existia em Marte, desapareceu…
Ela foi removida aos poucos da superfície e do planeta por dois grandes processos combinados: perda para o espaço e aprisionamento dentro das rochas do solo marciano.
1. Perda da atmosfera e escape para o espaço:
No início da história de Marte, o planeta tinha uma atmosfera mais densa e campos magnéticos que protegiam o ar e a água.
Quando Marte perdeu seu campo magnético global, o vento solar e radiação intensa começaram a “arrancar” a atmosfera, processo chamado, em alguns estudos, de pulverização catódica (atmospheric sputtering).
Com a atmosfera mais fina e a pressão baixa, a água líquida na superfície deixou de ser estável e começou a:
subir como vapor,
se decompor em hidrogênio e oxigênio pelos raios UV do Sol,
e o hidrogênio leve escapar para o espaço, enquanto o oxigênio foi, em parte, absorvido por rochas e ****.
2. Água “engolida” pela crosta de rochas
Além de ir para o espaço, uma fração muito grande da água de Marte não evaporou, mas foi incorporada às rochas do solo.
Estudos mostram que rochas basálticas de Marte, ricas em óxido de ferro, conseguem reter em seus **** muito mais água que rochas equivalentes na Terra.
Quando a água líquida em contato com essas rochas entrou em reação química, ocorreu:
a quebra das moléculas de água em hidrogênio e oxigênio,
o oxigênio ficou preso nos **** (formando óxidos, hidróxidos etc.),
o hidrogênio subiu para a atmosfera e escapou para o espaço.
Estima‑se que esse processo tenha “consumido” água equivalente a um oceano com mais de 3 km de profundidade, deixando a superfície cada vez mais seca.
3. O que restou hoje:
Hoje, Marte ainda tem água, mas:
em forma de gelo, nas calotas polares e em camadas subterrâneas,
e em pequenas quantidades líquidas (salgadas) em locais muito específicos, onde sais permitem que a água permaneça líquida por pouco tempo.
Em resumo: a água de Marte desapareceu da superfície porque o planeta perdeu proteção magnética → sua atmosfera foi erodida → a água começou a evaporar e ser quebrada quimicamente, parte escapando para o espaço e parte sendo definitivamente “guardada” e destruída dentro das rochas.

**** (m i n e r a i s)

Última edição em 2 meses atrás por Valdo Aloquio
Evandro
Evandro
24/03/2026 21:29

Eu acredito que Marte foi q nem a terra teve vida. +sofreu uma grande transformação.
E nosso planeta está indo pra o mesmo caminho.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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