A Coreia do Sul revelou um míssil capaz de voar a velocidade hipersônica e afundar navios a centenas de quilômetros de distância, lançado do alto de um caça, num salto que coloca o país numa corrida mundial dominada até agora por pouquíssimas potências.
Existe uma corrida armamentista silenciosa que vem mudando o equilíbrio de poder no mundo, a corrida pelas armas hipersônicas. São mísseis tão rápidos que voam a mais de cinco vezes a velocidade do som, difíceis demais de interceptar. Agora, a Coreia do Sul mostrou que entrou de vez nesse jogo, ao revelar um míssil hipersônico antinavio que pode ser lançado do ar.
O projeto está ligado ao programa Hycore, que desenvolve veículos movidos a um motor especial chamado scramjet, capaz de funcionar em velocidades absurdas. A ideia é ter uma arma que voe rápido demais para ser barrada e que ameace navios inimigos a grandes distâncias, dando à Coreia do Sul uma carta poderosa para se defender no mar.
O que torna um míssil hipersônico tão temido
Um míssil comum, mesmo veloz, costuma seguir uma trajetória mais ou menos previsível, o que dá às defesas uma chance de calcular onde ele vai passar e tentar derrubá-lo. Já um míssil hipersônico voa tão rápido, e muitas vezes de forma tão manobrável, que os sistemas de defesa simplesmente não têm tempo de reagir. Quando o radar percebe a ameaça, ela já está praticamente em cima do alvo.
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Confesso que é um pouco assustador pensar na velocidade dessas armas. Voar a mais de cinco vezes a velocidade do som significa cruzar centenas de quilômetros em poucos minutos, gerando tanto calor pelo atrito com o ar que o míssil precisa de materiais especiais para não derreter. É justamente esse domínio sobre a velocidade extrema que faz dos hipersônicos as armas mais cobiçadas do momento.

Um caça que vira caçador de navios
O detalhe de o míssil ser lançado do ar muda bastante as contas. Em vez de partir de uma base fixa em terra ou de um navio, ele é carregado por um caça, que pode decolar, voar até uma posição vantajosa e disparar a arma de onde for mais difícil para o inimigo prever. Isso dá à Coreia do Sul uma flexibilidade enorme na hora de ameaçar uma frota.
Na prática, é transformar um caça num caçador de navios de longo alcance. A aeronave não precisa chegar perto do alvo nem se expor ao perigo, porque o míssil hipersônico faz o trabalho pesado, percorrendo sozinho a distância em altíssima velocidade. Para um país cercado por mares estratégicos e por vizinhos poderosos, ter essa capacidade é uma forma de dizer que qualquer frota que se aproxime estará em risco.
Vale entender por que a Coreia do Sul investe tão pesado nesse tipo de arma. O país vive numa região tensa, cercado de marinhas poderosas, e há tempos aposta em desenvolver sua própria tecnologia militar em vez de depender só de comprar armas de fora. Dominar a fabricação de um míssil hipersônico em casa significa não ficar refém de fornecedores estrangeiros num momento crítico, além de colocar a indústria coreana num seleto grupo capaz de produzir armas que poucos países do mundo conseguem fazer.

A corrida que move as grandes potências
A revelação coreana entra numa disputa global acirrada. Estados Unidos, China e Rússia há anos correm para desenvolver e implantar armas hipersônicas, e cada novo país que domina essa tecnologia mexe um pouco no tabuleiro mundial. Ver a Coreia do Sul mostrar um míssil desses é sinal de que o clube dos hipersônicos está crescendo.
Esse avanço também tem um lado de dissuasão. Ter uma arma capaz de afundar navios a grande distância faz qualquer adversário pensar duas vezes antes de provocar. Não se trata necessariamente de querer a guerra, mas de mostrar que se tem força suficiente para responder a uma ameaça. É a velha lógica de que, às vezes, a melhor forma de evitar um conflito é deixar claro que você está preparado para ele.
Há também um efeito de cascata que costuma acompanhar esses anúncios. Quando um país revela uma arma nova e poderosa, os vizinhos sentem que precisam responder com algo à altura, o que acelera os investimentos de todo mundo na mesma direção. Por isso, cada míssil hipersônico que aparece não muda só a posição de quem o fabricou, mas empurra uma região inteira a correr atrás, num ciclo difícil de frear depois que começa. A revelação da Coreia do Sul entra justamente nesse jogo de espelhos, em que ninguém quer ser o último a dominar a tecnologia do momento.

Velocidade como nova moeda de poder
Fico imaginando o tamanho do esforço técnico por trás de uma arma dessas, capaz de voar tão rápido que o ar à sua volta vira fogo, e ainda assim acertar um navio a centenas de quilômetros de distância. É o tipo de tecnologia que define o lugar de um país no mundo, separando os que dependem dos outros dos que conseguem se defender sozinhos.
Ao revelar seu míssil hipersônico antinavio, a Coreia do Sul manda um recado claro de que quer estar do lado de quem domina o próprio destino militar. Num tempo em que a velocidade virou uma nova moeda de poder, ter armas que voam mais rápido que qualquer defesa consegue acompanhar é, cada vez mais, uma questão de soberania. E a corrida, ao que tudo indica, está só esquentando.
Você acha que armas tão rápidas tornam o mundo mais seguro pelo medo, ou só mais perigoso?

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