Poucos sabem, mas há um município brasileiro que praticamente renasceu das cinzas após um desastre natural — e hoje guarda vestígios de uma cidade esquecida sob a terra.
Você provavelmente já ouviu falar sobre Pompeia, a cidade romana soterrada por uma erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.C.
Mas o que muita gente não sabe é que o Brasil tem sua própria “Pompeia tropical” — e ela guarda uma história tão surpreendente quanto a da famosa cidade italiana.
Em pleno interior do Nordeste, há um município que precisou ser completamente reconstruído após ser engolido pela força da natureza.
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Estamos falando de Remanso, na Bahia — uma cidade que hoje está literalmente construída sobre suas próprias ruínas.
E sim, isso é mais real do que parece ficção.
Tudo começou com a chegada das águas
A cidade de Remanso foi uma das tantas que sofreram as consequências diretas da construção da gigantesca Usina Hidrelétrica de Sobradinho, nos anos 1970.
Para erguer o reservatório da usina, foi necessário alagar centenas de quilômetros de terra, incluindo cidades inteiras, vilarejos e áreas rurais.
Remanso, com sua população ribeirinha e prédios históricos, foi completamente submersa.
A população foi transferida para um novo local, em uma área mais alta e seca, e uma nova Remanso foi construída do zero, com novas ruas, novos bairros e nova vida.
Mas o que ficou debaixo d’água nunca foi completamente esquecido — especialmente em épocas de seca, quando parte da cidade antiga reaparece entre as margens do lago.
Ruínas visíveis e o mistério submerso
Em anos de estiagem severa, como em 2014 e mais recentemente em 2021, o nível da represa de Sobradinho cai tanto que é possível ver parte das casas antigas, igrejas, praças e até o calçamento original da velha Remanso.
Pessoas que viveram ali e foram obrigadas a se mudar voltam para visitar os escombros de suas antigas casas, agora cobertas de limo, areia e silêncios.
É como visitar um passado engolido — uma memória que ressuscita em meio à seca.
A semelhança com Pompeia vai além da questão visual: assim como a cidade italiana, Remanso se tornou um sítio arqueológico involuntário, um registro congelado de uma era que não existe mais.
Turismo da nostalgia: um atrativo pouco explorado
O fenômeno da antiga cidade ressurgindo do lago atrai curiosos, ex-moradores e turistas.
Mas ainda é um tipo de turismo subestimado no Brasil, ao contrário de Pompeia, que é explorada comercialmente e atrai milhões de visitantes por ano.
Algumas propostas de criar uma espécie de museu a céu aberto foram cogitadas, mas enfrentam barreiras logísticas e ambientais.
Ainda assim, a cidade reconstruída mantém viva a memória da antiga Remanso, com relatos, fotos antigas e uma cultura que nunca se apagou.
Outros casos parecidos no Brasil
Remanso não é um caso isolado.
Petrolândia (PE), Carmo (RJ) e até distritos de Três Marias (MG) também tiveram áreas inteiras submersas por barragens.
Mas o caso de Remanso é um dos mais emblemáticos porque a cidade original está praticamente intacta sob o espelho d’água.
A “Pompeia brasileira” é, portanto, mais do que uma metáfora: é uma realidade escondida entre as águas calmas do Sertão.
Por que isso fascina tanto?
Histórias como a de Remanso ativam um gatilho poderoso: o do mistério sob nossos pés.
Saber que existe uma cidade inteira submersa, com casas, igrejas, ruas e histórias humanas, provoca curiosidade, nostalgia e um certo desconforto existencial.
É a sensação de que algo foi deixado para trás, mas nunca completamente esquecido.
Como Pompeia, Remanso guarda o retrato de um tempo interrompido — um lembrete de que a natureza, ou o progresso, podem mudar tudo em questão de dias.

