Iniciada em junho de 2026 em Yichang, na província de Hubei, a obra acrescenta uma eclusa de cinco estágios e linha dupla ao lado da atual e ainda moderniza a barragem de Gezhouba. A China prevê mais de nove anos de construção, no primeiro grande projeto de seu novo plano quinquenal.
A China deu início, em 8 de junho de 2026, à construção de uma nova via navegável no rio Yangtzé, que inclui o que deve se tornar a maior eclusa fluvial do mundo. A cerimônia de lançamento ocorreu em Yichang, na província central de Hubei, onde fica a barragem das Três Gargantas, a maior usina hidrelétrica do planeta. O objetivo é responder à demanda crescente de transporte de carga no Yangtzé, o terceiro rio mais longo do mundo.
O megaprojeto tem investimento estimado em 77,2 bilhões de yuans, cerca de 11,3 bilhões de dólares ou aproximadamente 58 bilhões de reais. Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, a obra tem duas frentes, uma nova eclusa de cinco estágios e linha dupla ao norte da atual, nas Três Gargantas, projetada para navios de 10 mil toneladas, e a modernização da barragem de Gezhouba, rio abaixo. É o primeiro grande projeto nacional lançado no 15º Plano Quinquenal chinês, válido de 2026 a 2030.
Por que a China decidiu construir uma nova eclusa

Desde que a eclusa das Três Gargantas entrou em operação, em 2003, o tráfego de cargas disparou muito além do previsto.
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Segundo dados oficiais, a vazão anual saltou de 13,77 milhões de toneladas, em 2003, para 173 milhões de toneladas em 2025, e a infraestrutura, projetada para 100 milhões de toneladas por ano, atingiu essa marca quase duas décadas antes do esperado.
O resultado prático é uma fila cada vez maior de embarcações.
Com o volume de carga subindo ano após ano, o tempo médio de espera dos navios para atravessar a barragem aumentou, e mais embarcações se acumulam a cada dia.
Por trás dessa pressão está a faixa econômica do Yangtzé, que reúne onze regiões de nível provincial e responde por mais de 40% da população e da produção econômica da China.
Como será a maior eclusa fluvial do mundo

Pensada para receber navios de até 10 mil toneladas, ela e seus canais de acesso vão somar cerca de 6.680 metros, o que fará dela uma das maiores obras de navegação da China.
De acordo com a Xinhua, o conjunto deve levar 112 meses para ficar pronto, incluindo um ano de preparação, o que coloca a conclusão a mais de nove anos de distância.
A obra tem ainda uma segunda frente, rio abaixo, na barragem de Gezhouba.
Lá, a comporta número 3 será demolida e substituída por duas novas eclusas de estágio único, em um trabalho previsto para cerca de 95 meses.
Segundo Niu Xinqiang, acadêmico da Academia Chinesa de Engenharia citado pela imprensa estatal, o projeto deve estabelecer recordes mundiais de construção de eclusas fluviais em dimensão das embarcações, tamanho das câmaras e volume de escavação, o que sustenta a expectativa de que se torne a maior do tipo no planeta.
Como os navios sobem a barragem, entre a eclusa e o elevador
Para vencer o desnível de uma barragem gigante, existem dois métodos principais.
O primeiro é a eclusa, que funciona como uma escada de água, enchendo e esvaziando câmaras para que o navio suba ou desça degrau por degrau.
O segundo é o elevador de navios, baseado em princípios mecânicos, que ergue a embarcação de uma só vez, como um elevador comum.
As Três Gargantas já contam com uma eclusa de cinco estágios e um elevador desse tipo.
Com a expansão, a capacidade do sistema dá um salto.
Segundo a Xinhua, ao final das obras a barragem das Três Gargantas passará a ter quatro linhas de eclusa mais o elevador de navios, com capacidade anual total de 336 milhões de toneladas, enquanto Gezhouba ficará com quatro linhas de eclusa e capacidade de 360 milhões de toneladas por ano.
Na prática, as autoridades chinesas projetam mais que dobrar a capacidade atual de transporte no corredor, um dos mais movimentados da China.
Mais carga, custos menores e a questão ambiental
Os ganhos esperados vão além do volume transportado.
A expectativa oficial é de que a nova via reduza custos logísticos e melhore a eficiência, permitindo que regiões a montante, no interior da China, como Sichuan, Chongqing e Yunnan, se conectem de forma mais fluida com o litoral e com os mercados internacionais.
Por se tratar de um início de obra, porém, esses benefícios são projeções de longo prazo, e não resultados já alcançados.
O projeto também tenta responder às críticas ambientais que cercam grandes barragens.
Ainda segundo a imprensa estatal, o desenho inclui passagens dedicadas para peixes e métodos de construção que buscam reduzir o impacto sobre as espécies aquáticas.
As autoridades afirmam que a construção da nova via não vai interromper a operação das eclusas atuais, embora a passagem por um canal da região de Gezhouba fique sujeita a controles durante as obras, com impactos localizados na navegação.
O novo canal do Yangtzé mostra a escala com que a China encara a sua infraestrutura de transporte fluvial.
Se as projeções se confirmarem, o país terá a maior eclusa fluvial do mundo e um corredor capaz de mover centenas de milhões de toneladas de carga por ano, ligando o interior ao litoral.
Por enquanto, no entanto, o que existe é o começo de uma obra de quase uma década, com números ainda a serem comprovados na prática.
E você, imaginava o tamanho da operação de navegação que passa por uma barragem como a das Três Gargantas? Acha que o Brasil, com seus grandes rios, deveria investir mais em hidrovias e eclusas para escoar a produção? Deixe sua opinião nos comentários, com respeito às diferentes visões, e compartilhe esta matéria com quem se interessa por engenharia e infraestrutura.


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