Inaugurado em 2022 no distrito de Wuchang, o complexo soma cerca de 800 mil metros quadrados e treze pavimentos. O título de maior shopping do mundo é disputado, mas o centro de equitação na cobertura e a pista de esqui coberta o transformam em algo mais perto de um parque temático do que de uma loja comum.
Um prédio comercial tão grande que cabe um centro de hipismo no telhado e uma estação de esqui no meio dele soa improvável, mas existe e fica em Wuhan, na China. Trata-se do Wushang Dream Plaza, também chamado de Wuhan Dream Times Plaza, frequentemente apontado como o maior shopping do mundo em uma única edificação. Inaugurado em novembro de 2022 no distrito de Wuchang, o complexo soma cerca de 800 mil metros quadrados de área comercial.
O que chama atenção não é só o tamanho, mas o que foi enfiado lá dentro. Segundo o empreendimento e os escritórios de arquitetura responsáveis, o lugar reúne um centro de equitação na cobertura, uma pista de esqui coberta de cerca de 30 mil metros quadrados com neve o ano inteiro, um parque de diversões fechado e mais de 600 lojas. O custo informado foi de cerca de 12 bilhões de yuans, algo em torno de 8,6 bilhões de reais.
O shopping que virou uma cidade dentro da cidade

De acordo com os projetos de arquitetura e iluminação, a área comercial vai do primeiro subsolo ao nono andar, e o conjunto chega a treze pavimentos quando se contam os níveis subterrâneos.
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Foi desenvolvido pelo grupo Wushang e concebido ainda em 2017, dentro do planejamento quinquenal da cidade.
O rótulo de maior do mundo, porém, pede cautela.
Embora o próprio empreendimento e parte da imprensa o descrevam como o maior shopping do mundo, o título é disputado por outros gigantes, como o Dubai Mall, o Iran Mall e shoppings chineses, que reivindicam o posto por métricas diferentes.
Os escritórios envolvidos no projeto adotam uma definição mais cautelosa e o tratam como o maior prédio comercial único da China Central, o que já é impressionante para um único endereço com mais de 600 lojas.
Um centro de equitação na cobertura e esqui no meio do calor

Segundo relatos de visitantes e da imprensa de viagens, é possível fazer aulas de equitação ali no alto, em uma estrutura climatizada que abriga desde cavalos de grande porte até pôneis treinados para crianças.
Colocar estábulos, animais e toneladas de água a dezenas de metros do chão exige um reforço estrutural fora do comum, distribuído pelas colunas do edifício.
Quase no extremo oposto, o complexo enfrenta o calor famoso de Wuhan com uma estação de esqui coberta.
A pista tem cerca de 30 mil metros quadrados e foi construída pelo grupo Sunac, mantida em torno de cinco graus abaixo de zero, com neve de verdade o ano inteiro e rampas que vão do nível iniciante ao profissional.
Em uma cidade conhecida pelos verões sufocantes, esquiar dentro do maior shopping do mundo deixou de ser fantasia, e a pista virou um dos maiores atrativos do lugar.
Montanha-russa, floresta vertical e diversão coberta
A lista de atrações do maior shopping do mundo segue em ritmo de parque temático.
O Wushang Dream Plaza tem um parque de diversões coberto de cerca de 36 mil metros quadrados, com mais de vinte brinquedos, entre eles uma montanha-russa suspensa que serpenteia sob a estrutura, carrosséis e até cinema com efeitos.
É bom registrar que circulam números exagerados sobre esse espaço, como uma suposta área de 540 mil metros quadrados, que não corresponde aos dados do projeto.
O coração do complexo é um átrio central de nove andares.
Nele, um enorme painel de LED domina o ambiente e serve de palco para desfiles e eventos, enquanto uma floresta vertical de cerca de 15 metros, com projeções de água, cria um respiro verde no meio do concreto.
A combinação de mídia digital e espaço físico é justamente o que diferencia esse tipo de empreendimento dos shoppings tradicionais.
Mais do que comprar, um shopping pensado como praça pública
Apesar de toda a tecnologia, a proposta do lugar é social.
O empreendimento se apresenta como uma plataforma de encontros familiares e vende a ideia de uma microférias dentro da cidade.
Nos andares superiores há amplas áreas de descanso, com arquibancadas voltadas para grandes janelas que dão vista para o histórico Templo Baotong, do outro lado da via, convidando as pessoas a ficarem sem a obrigação de gastar.
Na prática, o shopping virou ponto de convívio de várias gerações.
Pela manhã, é comum ver avós passeando com os netos enquanto os pais trabalham, idosos reunidos para conversar e até praticantes de Tai Chi se exercitando no átrio.
Conectado diretamente ao metrô, o complexo dispensa o mar de estacionamentos dos shoppings dependentes de carro e se firma como um modelo de centro de compras experiencial em tempos de comércio eletrônico, ainda que o título de maior shopping do mundo siga mais ligado ao marketing do que a um consenso.
O Wushang Dream Plaza mostra até onde vai a ambição da arquitetura comercial quando o objetivo deixa de ser apenas vender.
Entre o centro de equitação na cobertura, a pista de esqui coberta e a montanha-russa interna, o lugar borra a fronteira entre shopping, parque e praça pública.
Mais do que disputar o posto de maior shopping do mundo, ele aponta para uma ideia de espaço urbano em que comprar é só uma das muitas coisas que se pode fazer.
E você, visitaria um shopping onde dá para esquiar e andar a cavalo no mesmo dia? Acha que esse modelo de megacomplexo faria sentido em grandes cidades do Brasil, ou prefere os shoppings do jeito que conhecemos? Deixe sua opinião nos comentários, com respeito às diferentes visões, e compartilhe esta matéria com quem curte arquitetura e curiosidades.


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