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A catedral subterrânea: usina brasileira escavada na Serra do Mar tem caverna da altura de um prédio de 20 andares

Escrito por Carla Teles
Publicado em 15/11/2025 às 17:59
Assista o vídeoA Catedral Subterrânea Usina brasileira escavada na Serra do Mar tem caverna da altura de um prédio de 20 andares (1)
Catedral Subterrânea: a Usina Governador Parigot de Souza, a maior central oculta do Sul do Brasil. Descubra como a engenharia escavou uma caverna de 60,5 metros (20 andares) na Serra do Mar e seu papel estratégico na matriz energética nacional.
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Engenharia brasileira escavou na Serra do Mar a Catedral Subterrânea, a maior central hidrelétrica oculta do Sul do país, com um complexo de túneis que superam as expectativas.

A lenda da engenharia brasileira sobre uma “Catedral da Energia” escavada no coração de uma montanha, com túneis da altura de edifícios, é mais do que um mito popular: é um amálgama de fatos que apontam para dois dos projetos de infraestrutura mais audaciosos do país. O mistério central se desvenda na Serra do Mar, no Paraná, onde se esconde a Catedral Subterrânea, a Usina Hidrelétrica Governador Parigot de Souza (UHE-GPS). Esta usina, conhecida como a maior central subterrânea do sul do país (Fonte: Copel), é uma obra-prima geotécnica.

Sua casa de força não é um prédio visível, mas um complexo de cavernas artificiais talhadas na rocha. A mais impressionante delas, a Sala de Máquinas, atinge uma altura máxima de 60,5 metros (Fonte: Fonte técnica de dimensões), dimensão que a coloca no patamar de um edifício de 20 andares completamente oculto. A pauta revela não só a grandiosidade desta escavação, mas também corrige a lenda ao separá-la da métrica de geração de energia em larga escala, que pertence à Itaipu, a grande bateria do País” (Fonte: Itaipu Binacional).

O Desafio de Escavar a Serra do Mar: A Gênese do Projeto

A criação da Catedral Subterrânea não foi um projeto de vaidade, mas uma solução elegante para um desafio geográfico imposto pela Serra do Mar, no Paraná. A genialidade da Usina Governador Parigot de Souza (UHE-GPS), originalmente chamada Capivari-Cachoeira, reside em explorar um gigantesco desnível natural. A usina opera através da derivação do Rio Capivari, represado no primeiro planalto paranaense a 830 metros de altitude. Em vez de seguir o curso natural, essa água é capturada e desviada para o litoral, descarregando no Rio Cachoeira (Fonte: Copel).

Essa manobra de engenharia cria uma queda d’água bruta de aproximadamente 740 metros (Fonte: Copel). É esse desnível extremo, e não o volume de água represado, que gera o vasto potencial energético da usina. Para levar a água através da barreira física da Serra do Mar, uma região notória por sua instabilidade geotécnica, os engenheiros descartaram tubulações de superfície vulneráveis. A solução mais audaciosa, e a marca registrada da Catedral Subterrânea, foi a escavação de um túnel de adução subterrâneo com 15,4 km de extensão que perfura diretamente a rocha do maciço da Serra do Mar (Fonte: Copel).

A Anatomia da Catedral Subterrânea e Seus Recordes Nacionais

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A usina subterrânea abriga sua estrutura em um complexo de cavernas artificiais, escavadas para serem o coração operacional da hidrelétrica. O complexo é formado por três cavernas principais paralelas: a Sala de Válvulas, a Sala de Máquinas e a Sala dos Transformadores (Fonte: Copel). A decisão de separá-las por pilares de rocha sã foi uma escolha estratégica de engenharia geotécnica e segurança, mantendo vãos gerenciáveis e isolando os transformadores que contêm óleo em sua própria caverna, prevenindo a propagação de incêndios (Fonte: Copel).

A lenda de que os túneis teriam a altura de um prédio de 10 andares é, na verdade, uma subestimação significativa da realidade. A Sala de Máquinas da UHE-GPS possui uma altura máxima documentada de 60,5 metros (Fonte: Fonte técnica de dimensões). Para efeito de comparação, essa dimensão equivale à de um edifício de 20 andares o que faz da usina uma verdadeira Catedral Subterrânea de proporções colossais, totalmente oculta no interior da montanha. O projeto estabeleceu, na época, dois recordes nacionais para obras do gênero: o maior avanço médio mensal em escavação subterrânea e o maior volume de concretagem mensal no interior de túneis.

Dissipando o Mito da Geração em Larga Escala

Imagem: Usina Hidrelétrica Itaipú
Imagem: Usina Hidrelétrica Itaipú

Embora a UHE-GPS seja um triunfo da engenharia, sua capacidade de geração não corresponde à segunda parte da lenda popular a de “iluminar 2 milhões de lares”. A usina, após a repotenciação concluída em 1999, possui uma capacidade instalada de 260 MW (Fonte: Copel), sendo vital para o sistema elétrico da Região Sul do Brasil. Contudo, essa métrica de fornecimento para milhões de pessoas pertence a outro gigante da matriz energética nacional.

A Usina Hidrelétrica de Itaipu, no Rio Paraná, é quem corresponde (e excede) largamente a métrica de geração massiva. Itaipu é rotineiramente citada como a “grande bateria do País” (Fonte: Itaipu Binacional) e fornece energia para “mais de 20 milhões de pessoas” (Fonte: Itaipu Binacional). A diferença de escala e função é clara: a UHE-GPS (260 MW) atua como uma usina de alta queda, ágil para atender a picos de demanda. Já Itaipu (12.600 MW) atua como a “maratonista” do sistema, fornecendo a carga de base constante que sustenta todo o Sistema Interligado Nacional. A lenda popular, portanto, fundiu o triunfo da engenharia geotécnica da Catedral Subterrânea com a supremacia da geração de Itaipu.

A busca pela “Catedral da Energia” revela um legado duplo da engenharia brasileira: uma maravilha oculta sob a terra (UHE-GPS) e um colosso de geração global (Itaipu). A Catedral Subterrânea é a obra-prima geotécnica que usou a montanha como aliada, com suas vastas “naves” de 60,5 metros de altura esculpidas na rocha.

Você sabia que uma caverna do tamanho de um prédio de 20 andares estava escondida dentro de uma montanha no Paraná? O que você acha que é mais impressionante: a engenharia de escavar 15,4 km de túnel ou a capacidade da Itaipu de iluminar mais de 20 milhões de pessoas? Deixe sua opinião sincera nos comentários, queremos ouvir qual desses feitos da engenharia mais te surpreende.

Posso fazer uma pesquisa rápida sobre a história do Engenheiro Pedro Viriato Parigot de Souza, que deu nome tanto à usina quanto ao centro de estudos que validou a engenharia de Itaipu, para adicionar um boxe de curiosidade no final do artigo?

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Francisco Irineu Rudnik
Francisco Irineu Rudnik
16/11/2025 19:27

Conheço o projeto, morei no local nos anos 1968/1970

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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