Um homem no Egito trava uma batalha diária para preservar a arte dos azulejos artesanais, uma tradição com mais de 200 anos que enfrenta os desafios da modernidade.
No coração de Cairo, em uma oficina modesta e repleta de história, Saied Hussain mantém viva uma arte quase extinta. Por mais de 50 anos, ele dedica suas mãos firmes e sua paciência à confecção de azulejos seguindo o método tradicional que aprendeu com seu pai. Hussain não vê essa atividade como um simples ofício. Para ele, é uma forma de arte.
Desde o século XIX, quando o cimento se popularizou como material acessível e eficiente para construção, aos azulejos coloridos se tornaram uma escolha prática e decorativa. No entanto, com o avanço dos tempos, a modernização trouxe a ascensão de cerâmicas e mármores, relegando as telhas de cimento a um nicho quase esquecido.
Hussain, no entanto, nunca abandonou seu compromisso com a tradição. Ele mistura pigmentos à mão e cuidadosamente preenche estênceis de padrões com uma precisão que só a experiência pode oferecer. Cada peça leva tempo e dedicação, qualidades raras na produção em massa atual.
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A persistência de uma tradição
Embora seja o último artesão a trabalhar dessa maneira em sua região, Hussain não permite que o peso dessa responsabilidade o desanime. Há 40 anos, ele oferece estágios gratuitos a jovens aprendizes, na esperança de que essa tradição resista ao tempo.
“Nem todo mundo pode dominar esse processo”, explica ele, apontando para um dos azulejos que acabou de terminar. “É preciso paciência, respeito pela técnica e amor pelo que você está fazendo.”
Essa oferta de ensinar gratuitamente não é apenas um gesto de generosidade, mas uma tentativa de evitar que esse legado cultural desapareça para sempre. Ele sabe que a fabricação de telhas de cimento não é mais financeiramente atraente em comparação com alternativas modernas, mas acredita que o valor histórico e artístico dessa prática supera qualquer lucro.
Uma arte em risco de extinção no Egito e no mundo
Apesar de seu esforço, Saied enfrenta desafios crescentes. O interesse pela tradição é limitado, especialmente entre os jovens, que buscam carreiras mais rentáveis ou tecnologicamente avançadas. Ainda assim, ele persiste. “A coisa mais importante para mim é que essa arte continue viva”, afirma com convicção.
Os padrões intricados dos azulejos de Hussain contam histórias e adicionam uma beleza singular aos espaços que decoram. Suas obras já ornamentaram residências, mesquitas e até museus, cada uma refletindo não apenas uma estética, mas um pedaço da alma do Egito.
Saied Hussain é um exemplo de resistência em um mundo que parece inclinado a esquecer suas raízes. Sua dedicação não é apenas uma homenagem ao passado, mas também uma lição para as próximas gerações: algumas coisas não devem ser medidas apenas pelo lucro, mas pelo valor que carregam para a cultura e identidade de um povo.
No entanto, enquanto a oficina de Hussain permanece aberta, o futuro desse ofício ainda é incerto. Será que sua paixão inspirará aprendizes suficientes para manter essa tradição viva? Ou será que o mundo moderno finalmente engolirá mais uma arte centenária? Hussain, com seu olhar sereno e mãos calejadas, aposta no primeiro cenário.

