O Banco Mundial projeta crescimento de 2,2% para o Brasil em 2026 contra 3,6% da Argentina e avalia que a América Latina tem perspectivas limitadas com ganhos de renda per capita praticamente estagnados enquanto juros altos espaço fiscal limitado e incerteza comercial travam as maiores economias da região
O Banco Mundial divulgou nesta quarta-feira (8) um relatório sobre o panorama econômico da América Latina e do Caribe que não poupa as maiores economias da região. Segundo o organismo, as perspectivas de crescimento da América Latina permanecem “limitadas”, com ganhos de renda per capita praticamente estagnados e investimento contido enquanto empresas aguardam sinais mais claros sobre o ambiente externo e as políticas internas. Brasil e México são apontados como os principais exemplos de perda de dinamismo, sofrendo com condições financeiras restritivas, espaço fiscal limitado e incerteza em relação à política comercial.
O contraste com a Argentina é o ponto mais marcante do relatório. O Banco Mundial projeta crescimento de 3,6% para a economia argentina em 2026, contra 2,2% para o Brasil e destaca que a Argentina “emergiu como a principal exceção positiva” da América Latina, à medida que estabilização e reformas melhoraram expectativas e condições financeiras. A análise coloca a política econômica de Javier Milei sob holofotes positivos num momento em que o restante da região patina.
O que o Banco Mundial diz sobre a estagnação da América Latina
Segundo informações postadas pelo portal do G1, o diagnóstico do organismo internacional é direto: apesar de condições financeiras globais ligeiramente mais favoráveis e de preços de commodities sustentados, a América Latina não consegue traduzir esses fatores em crescimento significativo.
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O relatório afirma que a falta de melhora em relação a 2025 “oculta perspectivas mais fracas para muitos países” e que o consumo, embora lidere a atividade econômica, tem impulso modesto com renda real se recuperando gradualmente e custos de crédito ainda elevados.
O principal gargalo identificado pelo Banco Mundial é o investimento. Na América Latina, as empresas estão segurando decisões de investimento porque não têm clareza sobre o ambiente externo marcado por tensões comerciais e incertezas geopolíticas nem sobre as políticas econômicas internas de seus próprios países.
É um ciclo que se retroalimenta: sem investimento, não há crescimento robusto; sem crescimento, não há confiança para investir. A renda per capita estagnada significa que, na prática, os cidadãos da América Latina não estão ficando mais ricos.
Por que o Banco Mundial destaca a Argentina como exceção positiva na América Latina
O relatório é explícito ao afirmar que a Argentina se destaca no contexto da região. A explicação está no ajuste fiscal conduzido pelo governo de Javier Milei, que levou o país de um grande déficit em 2023 para superávits primários e globais.
Segundo o Banco Mundial, isso foi alcançado por meio da racionalização de gastos, combate ao desperdício e ineficiências administrativas e redirecionamento de subsídios energéticos deixando de contemplar famílias de maior renda.
O organismo cita medidas específicas: reforma tributária, o Regime de Incentivo a Grandes Investimentos (RIGI) voltado ao setor de energia com redução de tributos e estímulo a exportações, aprovação da reforma do mercado de trabalho e esforços para melhorar o ambiente de negócios.
O Banco Mundial destaca ainda que os Estados Unidos e a Argentina lançaram em fevereiro de 2026 uma estrutura estratégica para fortalecer cadeias de suprimento de minerais críticos, vinculando financiamento americano ao RIGI argentino. A projeção é de crescimento de 3,6% em 2026, após alta de 4,4% em 2025 e queda de 1,3% em 2024 uma recuperação em V que o restante da América Latina não está replicando.
O que o relatório diz sobre a desaceleração do Brasil
O diagnóstico para o Brasil é o oposto do argentino. O Banco Mundial avalia que a queda dos juros no começo do ano e os preços favoráveis de commodities “permanecem insuficientes para superar o entrave causado por tensões comerciais persistentes, incertezas em matéria de políticas, espaço fiscal limitado e demanda privada fraca”.
A projeção é de crescimento de 2,2% em 2026, abaixo dos 2,8% de 2025 e dos 3,4% de 2024 uma trajetória de desaceleração contínua.
O relatório identifica as taxas de juros elevadas como o principal obstáculo. As condições financeiras restritivas que permaneceram até o início de 2026 pressionam crédito, investimento e comércio simultaneamente.
O Banco Mundial aponta que a inadimplência vem aumentando gradualmente no Brasil, refletindo os efeitos defasados dos juros altos sobre tomadores mais vulneráveis embora os níveis permaneçam moderados em termos históricos. A avaliação é que uma melhora perceptível só deve ocorrer se as condições monetárias se normalizarem e as pressões globais diminuírem.
O contraste entre ajuste fiscal argentino e expansão de gastos no Brasil
O relatório do Banco Mundial, ao colocar Argentina e Brasil lado a lado na América Latina, evidencia trajetórias opostas de política econômica.
Enquanto Milei cortou gastos, eliminou o déficit e produziu superávit fiscal o que, segundo o organismo, ancorou expectativas e melhorou condições financeiras, o governo Lula elevou tributos sem alcançar o superávit primário almejado, com despesas crescentes em benefícios sociais.
Analistas avaliam que o aumento de gastos no Brasil contribuiu para pressionar a inflação, obrigando o Banco Central a elevar a taxa básica de juros e impedindo cortes mais rápidos posteriormente.
O governo brasileiro trabalha agora em um programa para reduzir o endividamento da população, unificando dívidas de cartão, cheque especial e crédito pessoal com descontos de 30% a 80% nos juros, e analisa autorizar uso de recursos do FGTS para pagamento de dívidas.
São medidas de alívio de curto prazo que o Banco Mundial não mencionou como solução estrutural para os problemas da América Latina.
O que o relatório do Banco Mundial sinaliza para o futuro da América Latina
O alerta do Banco Mundial vai além de números de PIB. A estagnação da renda per capita significa que, apesar de a economia crescer em termos absolutos, os ganhos não estão chegando aos cidadãos da América Latina na forma de poder de compra, emprego de qualidade ou melhora nas condições de vida. A região cresce, mas não o suficiente para mudar a realidade econômica de seus habitantes.
O Banco Mundial ressalva que a Argentina também enfrenta riscos. As necessidades de financiamento externo permanecem significativas, as reservas internacionais líquidas são negativas e o acesso aos mercados internacionais de dívida ainda é limitado.
Mas o tom do relatório é claro: na América Latina de 2026, a Argentina caminha numa direção enquanto Brasil e México caminham na outra. O Banco Mundial não diz qual caminho está certo apenas mostra os resultados de cada um.
O que você acha: o modelo de ajuste fiscal de Milei deveria ser replicado no Brasil ou a realidade dos dois países é diferente demais?

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