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78 mil toneladas, 310 metros e quase R$ 59 bilhões: França coloca em marcha o maior navio de guerra já construído na Europa, uma fortaleza nuclear flutuante com 2 mil tripulantes, catapultas eletromagnéticas, drones, 30 caças e operação prevista até a década de 2080

Escrito por Ana Alice
Publicado em 12/06/2026 às 18:06
Atualizado em 12/06/2026 às 18:08
Assista o vídeoFrança prepara o porta-aviões nuclear France Libre, sucessor do Charles de Gaulle, com tecnologia militar e estreia prevista para 2038. (Imagem: Ilustrativa)
França prepara o porta-aviões nuclear France Libre, sucessor do Charles de Gaulle, com tecnologia militar e estreia prevista para 2038. (Imagem: Ilustrativa)
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Programa do novo porta-aviões nuclear francês reúne tecnologia de defesa, orçamento bilionário e simbolismo histórico, em um projeto que deve substituir o Charles de Gaulle e redesenhar a presença naval da França até 2038.

A França avançou no projeto de seu futuro porta-aviões nuclear, previsto para substituir o Charles de Gaulle a partir de 2038 e preservar a capacidade do país de operar aviação embarcada em missões de longa distância.

O programa, conhecido inicialmente como PA-NG, recebeu uma atualização em 18 de março de 2026, quando Emmanuel Macron anunciou que o navio se chamará France Libre, durante visita ao site da Naval Group em Nantes-Indret.

O anúncio de construção havia sido feito por Macron em dezembro de 2025, durante a tradicional celebração de fim de ano com militares franceses nos Emirados Árabes Unidos.

Em uma base próxima a Abu Dhabi, o presidente francês justificou o projeto em um discurso voltado à defesa e à soberania do país.

“Em uma era de predadores, devemos ser fortes para sermos temidos”, afirmou.

A nova embarcação substituirá o Charles de Gaulle, único porta-aviões nuclear em operação na Europa.

O navio atual entrou em serviço em 2001 e deve ser retirado da função quando o sucessor estiver apto a assumir as operações.

O projeto começou a ser estudado em 2018 e foi aprovado para construção no contexto do orçamento francês de defesa de 2025.

Novo porta-aviões nuclear da França terá porte maior que o Charles de Gaulle

O France Libre terá dimensões superiores às do Charles de Gaulle.

Dados divulgados pela Naval Group indicam 310 metros de comprimento, 90 metros de largura, velocidade máxima de 27 nós, deslocamento de 78 mil toneladas e cerca de 17 mil metros quadrados de convés de voo.

A tripulação prevista é de aproximadamente 2 mil pessoas.

Esses números explicam por que o programa exige planejamento de longo prazo.

O Charles de Gaulle tem cerca de 261 metros de comprimento e deslocamento aproximado de 42 mil toneladas, segundo dados citados pela imprensa internacional.

Porta-aviões francês Charles de Gaulle
Porta-aviões francês Charles de Gaulle

Com a nova configuração, a Marinha francesa terá mais área para operar aeronaves, drones e sistemas eletrônicos integrados.

A previsão é que o porta-aviões embarque cerca de 30 caças, além de aeronaves de vigilância, drones aéreos e equipamentos de guerra eletrônica.

O desenho do navio também considera sistemas que demandam alto fornecimento de energia, como radares, bloqueadores eletrônicos e tecnologias de defesa em desenvolvimento.

A propulsão nuclear foi mantida como elemento central do projeto.

No campo operacional, esse tipo de propulsão permite missões mais longas sem necessidade de reabastecimento frequente para a navegação.

A vantagem, citada por analistas militares e por documentos oficiais franceses em debates sobre autonomia estratégica, está ligada à capacidade de manter presença naval em áreas distantes do território nacional por períodos prolongados.

Nome France Libre remete à história militar francesa

O nome France Libre faz referência à França Livre, movimento associado à resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial e liderado pelo general Charles de Gaulle após a ocupação nazista.

Ao anunciar a escolha em março de 2026, Macron vinculou o futuro porta-aviões à ideia de independência nacional e liberdade de ação militar.

A decisão também cria continuidade simbólica entre o atual porta-aviões e seu sucessor.

O Charles de Gaulle homenageia diretamente o ex-presidente e líder militar francês; o France Libre, por sua vez, remete ao movimento histórico que marcou sua trajetória política e militar.

No discurso oficial, Macron afirmou que o navio deverá apoiar a capacidade francesa de agir em mares e oceanos quando a defesa dos interesses nacionais exigir.

A escolha do nome reforça o modo como o governo francês apresenta o programa: não apenas como uma plataforma naval, mas como parte da política de defesa e de autonomia estratégica do país.

Essa formulação aparece em comunicados oficiais e em declarações do governo sobre a necessidade de manter capacidade militar própria em um ambiente internacional marcado por tensões entre potências.

Naval Group, Chantiers de l’Atlantique e TechnicAtome participam do projeto

O programa envolve a Naval Group, a Chantiers de l’Atlantique e a TechnicAtome, com participação da Direção-Geral do Armamento da França e do Comissariado à Energia Atômica.

Segundo a Presidência francesa, mais de 800 empresas, incluindo pequenas e médias companhias, participarão das etapas industriais.

A construção reúne áreas como propulsão nuclear, arquitetura naval, integração de sistemas, aviação embarcada e eletrônica de defesa.

A Naval Group informa que o projeto foi pensado para uma vida útil de cerca de 45 anos, o que levaria sua operação até a década de 2080 se o cronograma for mantido.

O custo estimado do programa fica em torno de € 10 bilhões a € 10,2 bilhões, de acordo com as informações divulgadas por fontes oficiais e pela imprensa internacional.

A reportagem original do Le Monde citou previsão de € 10,2 bilhões e informou que a construção havia sido aprovada no orçamento francês de 2025, com contratos iniciais vinculados ao avanço do projeto.

O financiamento deve se distribuir ao longo de vários anos.

Segundo o Le Monde, embora o programa tenha sido destravado, parte relevante dos pagamentos deve ocorrer depois de 2027.

Esse modelo permite o início de etapas industriais antes da quitação integral dos contratos, algo comum em programas militares de grande duração.

Catapultas eletromagnéticas ampliam a operação de aeronaves e drones

Uma das mudanças em relação ao Charles de Gaulle será o uso de catapultas eletromagnéticas, conhecidas pela sigla EMALS.

O sistema, de concepção norte-americana, substituirá as catapultas a vapor utilizadas no porta-aviões atual.

A tecnologia permite lançar aeronaves com controle mais preciso de energia, característica considerada relevante para operar equipamentos de diferentes pesos.

O navio foi projetado para receber caças Rafale Marine, aeronaves de alerta aéreo e drones.

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Essa combinação acompanha mudanças observadas nas doutrinas navais, nas quais sensores, comunicações protegidas, coleta de dados e guerra eletrônica têm papel crescente nas operações.

Especialistas em defesa costumam apontar que a integração entre aeronaves tripuladas e não tripuladas tende a orientar a próxima geração de grupos aeronaval.

A construção das estruturas ligadas às caldeiras nucleares começou antes da revelação do nome France Libre.

Conforme a reportagem original do Le Monde, o aval industrial para essa fase ocorreu em 25 de setembro de 2025, no site da Naval Group em Cherbourg, com a soldagem da primeira chapa das estruturas de confinamento das duas caldeiras nucleares.

Projeto reforça debate sobre defesa e autonomia estratégica na Europa

A França é o único país europeu que opera um porta-aviões com propulsão nuclear.

Essa característica permite à Marinha francesa manter presença em áreas distantes sem depender de combustível convencional para mover a embarcação.

A operação de um porta-aviões, no entanto, exige um grupo naval de apoio, aeronaves, escoltas, submarinos e infraestrutura de manutenção.

No cenário internacional, os Estados Unidos seguem como principal operador de porta-aviões nucleares.

A França mantém uma capacidade menor, mas considerada estratégica por seu governo por permitir operações independentes em crises internacionais.

Em março de 2026, a Reuters informou que o France Libre será o maior navio de guerra já construído na Europa, com previsão de testes no mar em 2036 e entrada em operação plena em 2038.

O programa também aparece em meio a debates sobre o futuro da defesa europeia.

A guerra na Ucrânia, a ampliação dos gastos militares no continente e as discussões sobre autonomia estratégica aumentaram a pressão para que países europeus invistam em capacidades próprias.

Nesse contexto, o porta-aviões é apresentado pelo governo francês como uma peça de longo prazo da política de defesa.

Para além do uso militar imediato, o projeto reúne números que ajudam a dimensionar sua complexidade técnica: 310 metros de comprimento, 78 mil toneladas de deslocamento, 2 mil pessoas a bordo, dezenas de aeronaves e um convés de voo de 17 mil metros quadrados.

Esses dados indicam o tamanho do desafio industrial assumido por empresas francesas e pelo Estado ao longo das próximas décadas.

A entrada em serviço ainda dependerá de etapas de engenharia, construção, integração de sistemas, testes no mar e decisões orçamentárias futuras.

Até 2038, o France Libre deverá passar por ajustes técnicos e validações operacionais antes de substituir o Charles de Gaulle.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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