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3I/ATLAS, cometa interestelar mais antigo já visto, tem camada externa rompida perto do Sol, revela água, metanol, carbono e ácido cianídrico ao passar por Júpiter e reforça a hipótese de que a vida pode ter ingredientes espalhados pelo universo

Escrito por Carla Teles
Publicado em 19/03/2026 às 10:21
3IATLAS, cometa interestelar mais antigo já visto, tem camada externa rompida perto do Sol, revela água, metanol, carbono e ácido cianídrico ao passar por Júpiter e reforça a hipótese
3I/Atlas, cometa interestelar que passou por Júpiter, revela metanol e ácido cianídrico e amplia o debate sobre a vida no universo.
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O 3I/Atlas, cometa interestelar observado após Júpiter, expôs metanol e ácido cianídrico ao romper sua crosta perto do Sol e ampliou o debate científico.

O 3I/Atlas vem sendo tratado como um dos objetos mais fascinantes já observados no Sistema Solar não apenas por sua origem interestelar, mas pelo que carrega em seu interior. Depois de cruzar a órbita da Terra e seguir em direção a Júpiter, o cometa revelou sinais de que guardava sob sua superfície uma mistura química valiosa, formada por água, metanol, carbono e ácido cianídrico.

Essa descoberta elevou ainda mais a importância científica do 3I/Atlas. Mais do que um visitante raro, ele passou a funcionar como uma espécie de cápsula cósmica, capaz de mostrar como substâncias essenciais para processos biológicos podem sobreviver por bilhões de anos protegidas por uma crosta endurecida, até serem liberadas novamente quando um corpo celeste se aproxima de uma estrela.

O que torna o 3I/Atlas tão especial

O 3I/Atlas já chamava atenção antes mesmo da nova leitura sobre sua composição interna. Descoberto em julho de 2025 pelo telescópio ATLAS no Chile, ele foi classificado como um cometa ativo e rapidamente se destacou por seu comportamento incomum, sua órbita hiperbólica e por vir de fora do Sistema Solar.

Segundo a base apresentada, o objeto pode ter entre 10 e 12 bilhões de anos, o que significa que ele provavelmente é mais antigo do que o próprio Sistema Solar, cuja idade estimada gira em torno de 4,6 bilhões de anos.

Isso transforma o 3I/Atlas em um visitante de valor excepcional, porque ele pode ter preservado materiais de uma era muito anterior à formação do ambiente em que a Terra surgiu.

A passagem por Júpiter deu nova dimensão ao caso

No dia 16 de março, o 3I/Atlas alcançou seu ponto mais próximo de Júpiter, aproximando-se a cerca de 0,358 unidade astronômica do planeta.

Durante essa passagem, o cometa chegou a atravessar brevemente a esfera de Hill de Júpiter, região em que a atração gravitacional do gigante gasoso pode superar a do Sol para objetos estacionários naquele limite.

Mesmo assim, o 3I/Atlas não tinha qualquer chance real de ser capturado. Sua velocidade, estimada em cerca de 68 quilômetros por segundo em relação ao Sol, é alta demais para isso. O máximo que ocorre é uma mudança muito pequena em sua trajetória durante as duas semanas em que ele passa pelas imediações do planeta.

É uma visita breve, mas cientificamente importante, porque acontece em um momento em que os pesquisadores tentam entender melhor o comportamento físico e químico desse visitante interestelar.

A camada externa do 3I/Atlas funcionava como uma armadura

Um dos grandes enigmas do 3I/Atlas era seu comportamento químico inicial. Embora já estivesse claramente ativo, ele liberava sobretudo monóxido de carbono, dióxido de carbono e metanol, mas apresentava relativamente pouco vapor de água.

Isso intrigava os pesquisadores porque, de acordo com o conhecimento atual, a água costuma ser um dos componentes mais importantes dos cometas.

A explicação mais aceita agora é que o 3I/Atlas carregava uma camada externa endurecida, descrita na base como uma espécie de armadura cósmica.

Ao longo de centenas de milhões de anos vagando no espaço interestelar sem se aproximar de uma estrela, o cometa teria sido bombardeado por raios cósmicos galácticos. Essa exposição prolongada teria densificado e transformado quimicamente a parte mais externa do material congelado.

A hipótese é que essa camada tivesse cerca de 20 metros de espessura. Ela funcionava como um escudo natural, selando em seu interior substâncias congeladas que só puderam escapar depois de meses sob a influência do calor e da luz solar.

O Sol rompeu a crosta e liberou os compostos escondidos

Foi a aproximação do 3I/Atlas em relação ao Sol que mudou tudo. Durante meses, o cometa permaneceu em uma faixa de aquecimento suficiente para evaporar primeiro as moléculas mais tolerantes ao calor.

Só depois desse processo inicial a radiação solar conseguiu romper a crosta endurecida e abrir caminho para a sublimação das substâncias mais protegidas no interior.

Esse momento foi decisivo porque revelou o conteúdo químico que o 3I/Atlas guardava havia muito tempo. Assim que os gases romperam a barreira externa, jatos e coma passaram a expor um conjunto de compostos que chamou atenção dos cientistas por seu potencial para processos ligados à química prebiótica.

Em outras palavras, o cometa deixou de ser apenas um corpo antigo e passou a ser visto como portador de um verdadeiro tesouro molecular.

O que havia dentro do 3I/Atlas

Entre as substâncias associadas ao 3I/Atlas estão metanol, ácido cianídrico, água e carbono, além de outros componentes como dióxido de carbono, monóxido de carbono, sulfeto de carbonila, níquel ionizado, poeira de silicato e moléculas orgânicas.

O metanol aparece como uma molécula importante por servir de matéria-prima para processos mais complexos. A base explica que ele pode participar da construção de moléculas mais elaboradas, como aminoácidos e açúcares. Já o ácido cianídrico está ligado à síntese de aminoácidos, que por sua vez se relacionam às estruturas de DNA e RNA conhecidas pela ciência.

A água também foi identificada no 3I/Atlas, embora em concentrações menores do que as vistas na maioria dos cometas do Sistema Solar. O carbono, por sua vez, aparece como parte dominante da massa do visitante, principalmente na forma de dióxido de carbono.

Essa combinação não equivale a vida pronta, mas reúne ingredientes que ajudam a sustentar a ideia de que os blocos fundamentais da química biológica podem estar amplamente distribuídos pelo cosmos.

Por que isso reforça a hipótese sobre os ingredientes da vida

O ponto mais forte da descoberta em torno do 3I/Atlas é justamente o que ela sugere em escala maior. Se um objeto vindo aleatoriamente do espaço interestelar carrega uma mistura desse tipo, então a distribuição de compostos fundamentais para a vida pode ser muito mais comum no universo do que parecia.

A conclusão apresentada na base é cautelosa, mas provocadora. Não há qualquer afirmação de que o 3I/Atlas carregue vida ou que prove a existência de seres vivos fora da Terra.

O que ele reforça é outra hipótese: a natureza pode espalhar pelo universo os ingredientes necessários para a formação de uma sopa primordial, deixando aberta a possibilidade de que processos biológicos emerjam em diferentes ambientes, em tempos distintos.

Um cometa mais velho que o Sistema Solar muda a perspectiva científica

O fato de o 3I/Atlas ser tratado como possivelmente mais antigo do que o Sistema Solar amplia ainda mais o alcance dessa descoberta. Isso porque o cometa pode ter preservado compostos e estruturas químicas oriundas de uma fase muito remota da história galáctica.

Sua origem provável no disco espesso da Via Láctea e a chance de ter vindo de uma estrela hospedeira muito antiga reforçam essa dimensão.

Observar o 3I/Atlas é, de certa forma, olhar para uma memória química extremamente antiga do universo, algo que ajuda a conectar astrofísica, química e a discussão sobre a origem dos ingredientes da vida.

O comportamento do 3I/Atlas também desafia comparações simples

Outro aspecto importante é que o 3I/Atlas não se encaixa facilmente no comportamento típico dos cometas mais familiares ao Sistema Solar. Ele apresentou aceleração não gravitacional, mudança de cor, emissão relevante de gases, coma extensa e múltiplas estruturas visíveis, como duas caudas e uma anticauda.

Essa combinação reforça a ideia de que o 3I/Atlas deve ser estudado não apenas como curiosidade astronômica, mas como um objeto que obriga os cientistas a reverem comparações fáceis entre visitantes interestelares e cometas locais.

Cada nova observação parece acrescentar uma camada ao enigma, mostrando que ainda há muito a aprender sobre como esses corpos se formam, envelhecem e reagem quando atravessam sistemas estelares diferentes.

O presente que o 3I/Atlas deixa para a ciência

Depois da passagem por Júpiter, o 3I/Atlas seguirá viagem e voltará à escuridão do espaço interestelar. Ele evita encontros próximos com outros planetas externos e continuará sua trajetória sem ficar preso ao Sistema Solar.

Ainda assim, sua passagem deixa um legado importante. O 3I/Atlas mostrou que materiais associados aos processos que antecedem a vida podem sobreviver por bilhões de anos sob uma crosta endurecida e voltar a aparecer quando as condições mudam.

Esse é o verdadeiro presente científico do cometa: não a promessa de uma resposta definitiva, mas uma pista cada vez mais forte de que os ingredientes da vida talvez não sejam exceção, e sim parte de uma distribuição cósmica muito mais ampla do que imaginávamos.

Você acha que descobertas como a do 3I/Atlas fortalecem a ideia de que os ingredientes da vida estão espalhados por todo o universo?

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Carla Teles

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