A subsidiária AeroHT, criada pela XPeng para o segmento de mobilidade aérea pessoal, prepara o primeiro lote em escala de um veículo que combina carro elétrico convencional com módulo aéreo dobrável capaz de decolagem vertical, em um conceito que a empresa batizou de Land Aircraft Carrier e que já acumula milhares de encomendas preliminares.
A XPeng, fabricante chinesa de veículos elétricos baseada em Cantão, anunciou que sua subsidiária AeroHT vai começar em 2027 a entrega em escala do primeiro carro voador híbrido do mundo. O modelo, batizado como Land Aircraft Carrier, combina um carro elétrico e um módulo aéreo dobrável que decola vertical.

O conceito divulgado pela XPeng difere dos eVTOLs puros que outras chinesas estão desenvolvendo. Em vez de um único veículo aéreo, são dois corpos integrados, com o carro funcionando como base de transporte e plataforma de pouso para o módulo voador.
A AeroHT informou que registrou milhares de encomendas preliminares antes mesmo do início da produção. O Airshow China de 2024 sinalizou interesse comercial mais cedo do que o setor estimava possível.
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A regulamentação chinesa para mobilidade aérea urbana segue em construção em paralelo. A AeroHT espera a aprovação final do projeto pelas autoridades de aviação civil do país.
O que separa o Land Aircraft Carrier do eVTOL puro de outras chinesas
Outras concorrentes chinesas estão indo por caminhos diferentes. A AutoFlight, com o V5000 Matrix, aposta em eVTOLs gigantes de 5 toneladas para rotas regionais e até dez passageiros, com foco em transporte coletivo entre cidades.
A EHang oferece eVTOLs autônomos menores com piloto remoto. A Joby Aviation, americana, prepara serviço de táxi aéreo urbano para o nicho de aeroporto-centro. Cada uma com uma aposta distinta sobre o que o consumidor vai pagar.
A XPeng AeroHT escolheu o nicho do consumidor final pessoal. Não é táxi voador coletivo nem rota regional, é o carro que vai sair do estacionamento e abrir o módulo aéreo quando o trânsito travar.

O custo da unidade não foi divulgado oficialmente pela AeroHT. A faixa praticada no segmento eVTOL pessoal em 2026 oscila entre 200 mil e 300 mil dólares para os primeiros modelos chineses anunciados a varejo, segundo a cobertura especializada da Pandaily.
A escala em 2027 depende de produção em massa do módulo aéreo. A AeroHT abriu uma linha de montagem no parque industrial da XPeng em Cantão, segundo a imprensa chinesa especializada.
O módulo voador acoplado ao carro elétrico tem múltiplos rotores e usa baterias internas próprias, separadas das do carro de base. A engenharia segue o padrão multirrotor típico de drones de carga, mas em tamanho que comporta passageiros e exige certificação aeronáutica completa.
No outro lado do Pacífico, americanas como Joby Aviation e Archer Aviation ainda apostam na operação de táxi aéreo urbano com piloto humano. A diferença de modelo de negócio com a AeroHT é grande, e o resultado de qual conceito vence o consumidor final ainda é uma aposta aberta na indústria.
Para o Brasil, o impacto direto é ainda distante. Falta regulamentação no Decea para tráfego aéreo de eVTOL urbano, falta certificação ANAC para fabricantes externos e falta infraestrutura de vertiportos em metrópoles.
A XPeng não é estranha à expansão internacional acelerada. A montadora colocou em Guangzhou o primeiro robotaxi L4 chinês em produção em massa, com chip de 3.000 TOPS, há menos de uma semana.
O movimento de empresas chinesas pré-anunciando 2027 não é exclusivo dela. A Changan e a Chery prometeram para 2027 produção em massa de bateria de estado-sólido com 1.500 km de autonomia, e o calendário dos anúncios começa a se sobrepor.
Confesso que olho para esse Land Aircraft Carrier e fico em dúvida se é o tipo de produto que escala ou se vira hobby de elite. O preço final é o que vai dizer.
Em 2027, se o cronograma se confirmar, a XPeng vai colocar nas garagens chinesas um veículo que sai do shopping voando. O Brasil olha de longe, sem regulamento e sem fabricante local na mesa.
Fontes: NewsMotor, XPeng Motors, Pandaily, Hindustan Times.
Você acredita que carro voador híbrido vai virar realidade nas garagens brasileiras antes do fim desta década, ou continua coisa só de China até 2035?
