A ponte Marston Box da HS2 foi empurrada sobre a rodovia M42, em Warwickshire, durante uma operação de 40 horas no Natal, usando método de deslizamento em caixa para posicionar 12.600 toneladas, reduzir fechamentos prolongados e manter o avanço ferroviário entre Birmingham, Crewe e Londres com menos impacto aos motoristas.
A ponte Marston Box, da HS2, foi deslizada sobre a rodovia M42, em Warwickshire, na Inglaterra, entre 24 e 26 de dezembro de 2022. A operação envolveu cerca de 450 trabalhadores da Balfour Beatty VINCI, empreiteira responsável por obras da HS2 na região de Midlands.
De acordo com a HS2 Ltd, a estrutura de 12.600 toneladas percorreu 165 metros a uma velocidade de aproximadamente 4 metros por hora. O objetivo era posicionar a ponte ferroviária sobre a M42 durante o período de Natal, escolhido por ter menor movimento nas estradas, reduzindo transtornos para motoristas e comunidades próximas.
Ponte de 12.600 toneladas foi movida sobre uma rodovia em funcionamento estratégico

A operação chamou atenção porque a ponte não foi montada diretamente sobre a M42 desde o início. Ao longo de seis meses, a estrutura de 86 metros foi construída em um terreno ao lado da rodovia, antes de ser empurrada até a posição final.
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Esse método evitou uma sequência maior de bloqueios viários. Em vez de construir a estrutura peça por peça sobre a autoestrada, a equipe preparou a ponte ao lado e depois fez o deslizamento em uma janela controlada de obra.
Operação ocorreu durante o Natal para reduzir impacto no tráfego

O deslizamento aconteceu durante um fechamento planejado de 10 dias da M42 entre os entroncamentos J9 e J10, nos dois sentidos. Dentro desse intervalo, a movimentação principal da ponte levou 40 horas, entre sábado, 24 de dezembro, e segunda-feira, 26 de dezembro.
A escolha do período natalino teve uma razão prática. A semana do Natal costuma registrar menor circulação em determinados trechos rodoviários, o que permitiu concentrar uma obra complexa em um momento de menor impacto relativo para os usuários da estrada.
Estrutura avançou 165 metros a apenas 4 metros por hora

Apesar do tamanho da operação, o deslocamento foi lento e controlado. A ponte avançou a cerca de 4 metros por hora sobre uma plataforma guia, percorrendo 165 metros até ficar alinhada sobre a rodovia.
A lentidão era parte da segurança do processo. Em uma estrutura de 12.600 toneladas, velocidade não é prioridade; o essencial é manter estabilidade, direção, nivelamento e controle durante cada etapa do movimento.
Método de deslizamento em caixa foi tratado como marco da HS2

A HS2 descreveu a operação como o primeiro deslizamento de caixa desse tipo sobre uma autoestrada no Reino Unido. A empresa também apontou que o deslocamento pode estar entre os mais longos do mundo nesse tipo de estrutura.
O mecanismo de deslizamento foi projetado pela Freyssinet, empresa especializada em engenharia civil e estrutural. A solução permitiu empurrar a ponte até o local definitivo em uma única operação, diminuindo a necessidade de longas intervenções diretamente sobre a M42.
Projeto envolveu empresas de engenharia, construção e rodovias
A operação reuniu diferentes frentes técnicas. A estrutura foi desenvolvida por uma joint venture de projeto formada por Mott MacDonald e Systra, a pedido da Balfour Beatty VINCI. A instalação também contou com colaboração da National Highways.
Esse tipo de coordenação é necessário porque a obra não envolve apenas a construção ferroviária. Ela também interfere em uma rodovia movimentada, em rotas locais, na segurança de trabalhadores e na rotina de motoristas que dependem do trecho.
Ponte faz parte do avanço ferroviário da HS2 rumo ao norte e ao sul

Depois de concluída, a estrutura terá cerca de 190 metros de comprimento e permitirá que a linha da HS2 passe sobre a autoestrada. O traçado seguirá rumo ao norte, em direção a Crewe, ou ao sul, quando se conectar a Birmingham Curzon Street, Solihull, Old Oak Common e Euston, em Londres.
A ponte ferroviária também fará ligação entre o aterro de Dunton Wood, ao sul, e o viaduto do Canal de Birmingham e Fazeley, ao norte. Dessa forma, a estrutura funciona como uma peça de conexão dentro de um sistema maior de infraestrutura ferroviária.
Técnica reduziu fechamentos ao longo de 12 meses
Segundo a HS2, o método usado permitiu limitar a operação a dois fechamentos de uma semana ao longo de 12 meses. Em obras convencionais desse porte, a interferência sobre a estrada poderia ser mais longa e mais difícil de administrar.
Esse é o ponto central da operação: não se tratava apenas de mover uma ponte pesada, mas de reduzir o impacto da construção sobre quem usa a rodovia. A escolha do deslizamento em caixa buscou equilibrar velocidade de obra, segurança e menor interrupção.
Canteiro da HS2 em Kingsbury já reunia mais de 1.000 trabalhadores
A operação fez parte do canteiro de obras da HS2 em Kingsbury, com cerca de 550 mil metros quadrados. Na época, mais de 1.000 pessoas trabalhavam no local, dentro de um conjunto mais amplo de atividades de construção ferroviária.
Na região de West Midlands, a construção da HS2 também empregava milhares de pessoas, incluindo trabalhadores diretamente ligados às obras e outros profissionais da cadeia de suprimentos. A ponte sobre a M42, portanto, foi apenas uma das etapas visíveis de um projeto maior.
Imagens do deslizamento mostram escala rara da engenharia ferroviária

O vídeo da operação ajuda a entender a dimensão do trabalho. A estrutura aparece avançando lentamente sobre a rodovia, enquanto equipes acompanham o deslocamento e controlam o posicionamento da ponte sobre a M42.
Em obras desse tipo, o impacto visual é grande porque a movimentação contraria a percepção comum sobre estruturas de concreto e aço. Uma ponte de 12.600 toneladas, que normalmente pareceria imóvel, foi deslocada como uma única peça ao longo de 165 metros.
Uma ponte deslizando no Natal mostra até onde vai a engenharia pesada
A operação da HS2 em Warwickshire mostra como grandes obras de transporte podem depender de soluções pouco comuns para reduzir impactos urbanos e rodoviários. A ponte Marston Box foi construída ao lado da M42, deslizada lentamente até o lugar final e posicionada durante uma janela planejada no Natal.
Agora fica a pergunta: vale a pena concentrar uma obra desse porte em feriados para reduzir transtornos durante o ano, mesmo exigindo centenas de trabalhadores em operação contínua? Você acha que esse tipo de método deveria ser mais usado em rodovias movimentadas? Comente sua opinião.


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