Com 45 mil toneladas e nove canhões de 406 mm, o USS New Jersey lutou em quatro guerras e foi reativado quatro vezes entre 1943 e 1991, tornando-se o couraçado mais condecorado da história da Marinha dos EUA.
Poucos navios de guerra tiveram uma carreira tão longa e intensa quanto o USS New Jersey. Construído durante a Segunda Guerra Mundial, o gigantesco couraçado da classe Iowa atravessou quase cinco décadas de história militar americana, sendo reativado repetidamente para participar de diferentes conflitos. Com 270 metros de comprimento, deslocamento superior a 45.000 toneladas e uma bateria principal formada por nove canhões de 406 mm, o navio representava o auge da engenharia naval da era dos grandes couraçados.
Entre 1943 e 1991, o USS New Jersey entrou e saiu de serviço quatro vezes, algo praticamente único entre navios de guerra de grande porte. Durante esse período, o navio participou de quatro grandes fases de conflito: a Segunda Guerra Mundial, a Guerra da Coreia, a Guerra do Vietnã e as tensões da Guerra Fria. Essa longa trajetória fez com que ele acumulasse 19 estrelas de batalha, tornando-se o couraçado mais condecorado da história da United States Navy.
O nascimento de um gigante da classe Iowa
O USS New Jersey fazia parte da famosa classe Iowa, considerada o ápice da evolução dos couraçados rápidos do século XX. Esses navios foram projetados para acompanhar os novos grupos de batalha de porta-aviões que estavam transformando a guerra naval. Para isso, precisavam combinar três características essenciais: grande poder de fogo, alta velocidade e forte blindagem.
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O New Jersey foi lançado ao mar em 1942 e entrou em serviço ativo em 1943, quando a Segunda Guerra Mundial já estava em pleno andamento. Com capacidade para atingir velocidades superiores a 33 nós (mais de 60 km/h), ele era um dos couraçados mais rápidos já construídos. Essa velocidade permitia que ele acompanhasse os porta-aviões da frota americana no Pacífico, atuando como escolta e plataforma de bombardeio naval.
Os canhões de 406 mm que definiram o poder do navio
A principal arma do USS New Jersey era sua bateria principal composta por nove canhões Mark 7 de 406 mm (16 polegadas). Esses canhões estavam distribuídos em três torres gigantescas, cada uma pesando mais de 1.700 toneladas.
Cada projétil disparado por essas armas podia pesar até 1.200 kg e atingir alvos a distâncias de até 37 quilômetros. O impacto de um único disparo era devastador. As explosões podiam destruir bunkers, posições fortificadas e instalações militares costeiras.
Durante a guerra, esses canhões foram usados extensivamente para bombardeios costeiros, preparando o terreno para operações anfíbias e apoiando tropas em terra.
Segunda Guerra Mundial: o batismo de fogo no Pacífico
O USS New Jersey entrou em combate durante as campanhas finais da Segunda Guerra Mundial no Pacífico. Nessa fase do conflito, os Estados Unidos avançavam gradualmente em direção ao Japão, capturando ilhas estratégicas e destruindo bases militares japonesas. O New Jersey serviu como navio-almirante de frotas americanas e participou de operações importantes no Pacífico. Entre suas missões estavam:
- Escolta de porta-aviões
- Bombardeio de posições japonesas
- Defesa antiaérea da frota
O navio esteve envolvido em batalhas importantes como as campanhas nas Filipinas e ataques contra posições japonesas em diversas ilhas do Pacífico. Após o fim da guerra em 1945, o New Jersey foi desativado pela primeira vez.

Guerra da Coreia: o retorno do couraçado
A paz durou pouco. Em 1950, a Guerra da Coreia estourou na península coreana. Com a necessidade de reforçar sua presença militar na região, os Estados Unidos decidiram reativar o USS New Jersey. Durante a guerra, o couraçado foi utilizado principalmente para bombardeio naval contra posições norte-coreanas. Seus canhões gigantescos atingiam bases militares, linhas ferroviárias, depósitos de suprimentos e posições de artilharia.
O navio também desempenhou papel importante como plataforma de comando para operações navais na região. Após o fim da guerra em 1953, o New Jersey foi novamente retirado de serviço.
Vietnã: o único couraçado ativo do mundo
O USS New Jersey voltou à ativa novamente em 1968, durante a Guerra do Vietnã. Nesse momento histórico, ele se tornou o único couraçado em serviço ativo no mundo inteiro. Enquanto outras marinhas haviam abandonado os grandes navios de artilharia, os Estados Unidos decidiram reativar o New Jersey para apoiar operações terrestres no Vietnã.

Seus canhões de 406 mm foram usados para bombardear posições norte-vietnamitas ao longo da costa. Esses ataques ajudavam a destruir:
- Depósitos de munição
- Bunkers fortificados
- Instalações militares
A capacidade de lançar projéteis de mais de uma tonelada a dezenas de quilômetros tornava o New Jersey uma ferramenta extremamente poderosa para apoio de fogo naval. Mesmo assim, o navio permaneceu em serviço apenas por um período relativamente curto antes de ser novamente desativado.
Guerra Fria: a última reativação
O último retorno do USS New Jersey ocorreu durante a década de 1980, em meio às tensões finais da Guerra Fria. Na época, o governo americano decidiu reativar os couraçados da classe Iowa como parte de uma estratégia para expandir rapidamente o poder naval. Durante essa modernização, o New Jersey recebeu novos armamentos modernos, incluindo:
- mísseis de cruzeiro Tomahawk
- mísseis antinavio Harpoon
- sistemas de defesa CIWS
Essas atualizações transformaram o navio em uma combinação única de couraçado clássico e plataforma moderna de mísseis. Durante esse período, o New Jersey participou de operações no Mediterrâneo e no Oriente Médio. Um dos episódios mais conhecidos ocorreu em 1983, quando o navio realizou bombardeios contra posições na Síria durante a crise no Líbano.
Quatro reativações ao longo de quase meio século
Um dos aspectos mais impressionantes da história do USS New Jersey é o número de vezes que ele foi retirado e depois reativado. O navio entrou em serviço originalmente em 1943 e foi oficialmente desativado pela última vez em 1991.

Entre essas datas, ele passou por quatro ciclos completos de ativação e desativação. Essa capacidade de retornar ao serviço ativo repetidamente demonstra a robustez do projeto da classe Iowa. Mesmo décadas após sua construção, o navio ainda era considerado útil em operações militares.
O couraçado mais condecorado da Marinha americana
Ao longo de sua longa carreira, o USS New Jersey acumulou uma impressionante lista de condecorações. Entre elas estão 19 estrelas de batalha, concedidas por participação em campanhas militares importantes.
Esse número o torna o couraçado mais condecorado da história da Marinha dos Estados Unidos. Essas condecorações refletem o fato de que o navio esteve presente em diferentes conflitos ao longo de quase meio século. Poucos navios militares tiveram uma carreira operacional tão longa e ativa.
De navio de guerra a museu histórico
Após sua desativação final em 1991, o USS New Jersey não foi desmontado como muitos outros navios militares. Em vez disso, ele foi preservado como navio-museu. Hoje o couraçado está atracado em Camden, no estado de Nova Jersey, onde funciona como um importante memorial histórico.
Visitantes podem explorar suas torres de canhões, convés e compartimentos internos, observando de perto uma das máquinas de guerra mais impressionantes já construídas.
O legado do USS New Jersey
O USS New Jersey representa o auge da era dos grandes couraçados. Esses gigantes de aço dominaram os oceanos durante a primeira metade do século XX, antes de serem gradualmente substituídos por porta-aviões e submarinos nucleares. No entanto, poucos navios simbolizam essa era de forma tão clara quanto o New Jersey.
Com seus canhões gigantescos, décadas de serviço e participação em quatro guerras diferentes, ele se tornou um dos navios mais famosos da história naval moderna. Mais do que um simples navio de guerra, o USS New Jersey permanece como um monumento flutuante a uma era em que o poder naval era medido pelo tamanho dos canhões e pela espessura da blindagem — e em que gigantes de aço dominavam os mares.

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