A Unilever confirmou nesta quinta-feira (30) que aumentará os preços de seus produtos para absorver o impacto de custos que subiram entre 750 milhões e 900 milhões de euros por causa da guerra no Irã. A fabricante do Dove, Axe e Dermalogica, avaliada em mais de US$ 120 bilhões, prevê aumentos frequentes em pequenas doses ao longo do segundo semestre, especialmente em cuidados domiciliares. Apesar da pressão, a empresa manteve a previsão de vendas e margem de lucro para 2026.
A Unilever acaba de confirmar o que o consumidor temia: os preços de produtos que fazem parte do cotidiano de bilhões de pessoas no mundo vão subir. A fabricante do sabonete Dove, do desodorante Axe e de dezenas de outras marcas presentes em praticamente todos os supermercados do planeta anunciou que vai repassar ao consumidor os custos adicionais provocados pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que elevou preços de commodities e provocou interrupções na cadeia de suprimentos. A inflação de custos total prevista para o ano chega a 900 milhões de euros.
O chefe financeiro da empresa, Srinivas Phatak, foi direto: “Talvez não seja possível cobri-lo apenas com ações de custo, portanto, adotaremos preços.” A declaração confirma que a Unilever esgotou as alternativas internas de redução de custos e que o repasse ao consumidor final é inevitável. Os aumentos serão “frequentes, mas em pequenas doses”, segundo Phatak, e entrarão em vigor principalmente no segundo semestre de 2026, com foco em mercados e categorias selecionados, especialmente cuidados domiciliares.
O impacto da guerra no Irã nos custos da Unilever
Segundo informações divulgadas pelo portal CNN Brasil, a guerra envolvendo EUA, Israel e Irã criou uma cadeia de consequências econômicas que atinge diretamente empresas de bens de consumo como a Unilever. O aumento dos preços de commodities utilizadas na fabricação de sabonetes, desodorantes, produtos de limpeza e alimentos processados elevou os custos industriais da companhia entre 750 milhões e 900 milhões de euros, valor que ficou de 350 a 500 milhões de euros acima do que a empresa esperava no início do ano.
-
Sensor biodegradável da USP custa só US$ 0,077, detecta pesticidas em folhas, cascas e caules em 3 minutos e 28 segundos e ainda mostra o resultado no celular por bluetooth
-
Homem gasta US$ 2 milhões em uma velha mina de carvão, descobre que ela escondia terras raras avaliadas em até US$ 37 bilhões e vê a história virar caso na Justiça
-
Pequena cidade do Centro Oeste brasileiro vira alvo de megafábrica de R$ 23 bilhões e pode criar a maior linha única do mundo durante construção com pico de 14 mil trabalhadores
-
Minas anuncia mais de R$ 400 milhões em obras e projetos de infraestrutura no Centro-Oeste, com revitalização de rodovias, novas ligações asfálticas, contorno em Bambuí e duplicação de ponte prevista até 2030
As interrupções na cadeia de suprimentos agravam o cenário. Rotas marítimas que passam pelo Estreito de Ormuz, por onde transita parte significativa do petróleo mundial, sofreram alterações que elevaram custos de logística e seguros. Para uma empresa que opera em dezenas de países e movimenta milhões de toneladas de produtos por ano, cada aumento no frete e no preço das matérias-primas se multiplica em escala que pressiona as margens e exige repasse ao consumidor.
O que vai ficar mais caro e quando o consumidor vai sentir

Os aumentos de preços serão calibrados por categoria e por mercado. A Unilever indicou que os cuidados domiciliares, segmento que inclui produtos de limpeza e detergentes, serão os mais afetados, porque utilizam derivados de petróleo e óleos vegetais cujos preços internacionais dispararam com a guerra. Outras categorias, como higiene pessoal e alimentos, também devem sofrer reajustes, mas em proporção menor.
O cronograma prevê que os aumentos entrem em vigor principalmente no segundo semestre de 2026. Na prática, o consumidor brasileiro que compra Dove, Axe, Omo, Comfort ou Hellmann’s pode perceber preços mais altos nas gôndolas entre julho e dezembro, embora a Unilever prometa que os reajustes serão graduais e competitivos. A expressão “pequenas doses” usada por Phatak sugere que a empresa quer evitar o choque de um aumento único expressivo que afaste o consumidor.
O desempenho que permite à Unilever repassar custos
A Unilever se sente confortável para aumentar preços porque o desempenho no primeiro trimestre foi melhor do que o esperado. A empresa registrou crescimento de vendas subjacente de 3,8%, acima dos 3,6% previstos pelos analistas, impulsionado pelas chamadas “power brands”, as marcas de maior faturamento da companhia. Dove, Axe e Dermalogica lideraram com crescimento de 5% nas vendas subjacentes, incluindo 4% de aumento no volume.
A manutenção da previsão de vendas e margem de lucro para 2026 indica que a Unilever acredita que conseguirá absorver parte dos custos e repassar o restante sem perder participação de mercado. Para uma empresa avaliada em mais de US$ 120 bilhões, a capacidade de aumentar preços sem perder consumidores é um teste de força da marca que poucas companhias de bens de consumo conseguem enfrentar sem consequências.
O que outras empresas de bens de consumo enfrentam
A Unilever não está sozinha. As empresas de bens de consumo enfrentam um dos ambientes de custo mais desafiadores dos últimos anos, com commodities em alta, logística encarecida e incerteza econômica que dificulta o planejamento. Concorrentes como Procter & Gamble, Nestlé e Henkel enfrentam pressões semelhantes e também avaliam repasses ao consumidor final.
O cenário global é de inflação de custos que começa nas matérias-primas e se espalha por toda a cadeia produtiva. Quando o petróleo sobe por causa de uma guerra no Oriente Médio, o preço do plástico das embalagens sobe, o frete dos navios sobe, a energia nas fábricas sobe, e cada centavo adicional é multiplicado por bilhões de unidades produzidas. Para o consumidor, o resultado é que o carrinho do supermercado fica mais caro sem que a qualidade ou a quantidade dos produtos tenha mudado.
O que o consumidor brasileiro pode fazer diante dos aumentos
Para o consumidor brasileiro, os aumentos da Unilever se somam à inflação doméstica que já pressiona o orçamento com alta de alimentos e combustíveis. A recomendação prática é comparar preços entre marcas, aproveitar promoções antes que os reajustes cheguem às gôndolas e considerar alternativas de marcas próprias dos supermercados que frequentemente oferecem produtos de qualidade similar a preços menores.
A Unilever promete que os aumentos serão competitivos, ou seja, alinhados com o que os concorrentes também estão praticando. Mas a história mostra que reajustes em pequenas doses frequentes podem resultar em acumulado expressivo ao longo de meses, e o consumidor que não acompanha a evolução dos preços pode não perceber que está pagando significativamente mais pelo mesmo produto que comprava antes da guerra no Irã alterar os custos globais.
Você já percebeu aumento nos preços dos produtos da Unilever no supermercado ou acha que os reajustes ainda não chegaram? Conte nos comentários se troca de marca quando o preço sobe ou se mantém a fidelidade ao Dove, Axe e Omo independentemente do valor.

Seja o primeiro a reagir!