1. Início
  2. / Economia
  3. / Uma proposta surgiu para enfrentar o caos da BR-101 em Santa Catarina: construir uma “estrada de dois andares” sobre o traçado atual entre Itapema e Barra Velha, criando pistas elevadas para aliviar o congestionamento em um dos trechos mais críticos do litoral.
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

Uma proposta surgiu para enfrentar o caos da BR-101 em Santa Catarina: construir uma “estrada de dois andares” sobre o traçado atual entre Itapema e Barra Velha, criando pistas elevadas para aliviar o congestionamento em um dos trechos mais críticos do litoral.

Publicado em 12/03/2026 às 15:10
BR-101: estrada de dois andares com pistas elevadas entre Itapema e Barra Velha surge como alternativa à Via Mar.
BR-101: estrada de dois andares com pistas elevadas entre Itapema e Barra Velha surge como alternativa à Via Mar.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Apresentada para enfrentar os gargalos da BR-101 entre Itapema e Barra Velha, a ideia prevê pistas elevadas sobre a rodovia atual, como uma via paralela suspensa, e coloca em discussão se Santa Catarina deve apostar em uma intervenção estrutural inédita no trecho mais crítico do litoral catarinense nos próximos anos.

A BR-101 voltou ao centro do debate em Santa Catarina com uma proposta incomum: construir uma estrada de dois andares sobre o traçado atual entre Itapema e Barra Velha, criando pistas elevadas para tentar aliviar o congestionamento em um dos trechos mais pressionados do litoral. A sugestão foi apresentada pelo deputado estadual Ivan Naatz, que defende a abertura de uma discussão técnica sobre a viabilidade da ideia.

Em vez de propor um novo caminho fora da rodovia existente, a proposta parte do aproveitamento do corredor já ocupado pela BR-101, com uma estrutura suspensa funcionando como via paralela. A ideia ainda está no campo do debate político e técnico, sem estudo oficial divulgado até agora sobre custo, execução ou impacto real da solução no trecho citado.

Como seria a estrada de dois andares sobre a BR-101

O conceito apresentado para a BR-101 se aproxima de um viaduto contínuo erguido sobre a rodovia atual. Na prática, a proposta imagina pistas elevadas acompanhando o traçado já existente, criando um segundo nível de circulação sobre o trecho entre Barra Velha e Itapema.

A lógica é simples de entender: ampliar a capacidade da estrada sem depender, em tese, de uma abertura de novo corredor viário.

Ao defender a ideia, Ivan Naatz afirmou que pretende convocar engenheiros, arquitetos, urbanistas e profissionais ligados à infraestrutura rodoviária para discutir se esse modelo poderia funcionar em Santa Catarina.

Isso mostra que a proposta ainda não nasceu como projeto executivo, mas como uma provocação para um debate mais amplo sobre soluções fora do padrão tradicional para a BR-101.

Por que o trecho entre Itapema e Barra Velha virou o foco da discussão

O trecho da BR-101 entre Itapema e Barra Velha aparece como o ponto central da proposta porque é tratado como uma das áreas mais críticas da rodovia no litoral catarinense. É justamente ali que o problema do fluxo intenso ganha maior visibilidade e pressiona moradores, transportadores, turistas e atividades econômicas que dependem da ligação rápida pela costa.

Quando a discussão se concentra nesse segmento, o raciocínio político por trás da proposta fica mais claro: atacar primeiro o ponto em que o congestionamento se tornou mais sensível e mais facilmente percebido pela população.

A escolha do trecho não é aleatória, mas ligada à imagem de estrangulamento que a BR-101 passou a representar nessa faixa do litoral, especialmente quando o volume de veículos aumenta e a rodovia perde eficiência.

O argumento central da proposta e o que ela promete evitar

Um dos principais argumentos usados em defesa da estrada de dois andares na BR-101 é que, por aproveitar o traçado atual, a solução poderia reduzir obstáculos comuns a grandes obras rodoviárias. Na fala do deputado, essa configuração dispensaria desapropriações, evitaria a necessidade de um novo traçado e diminuiria entraves ligados ao licenciamento de uma nova rota.

Esse é um ponto politicamente forte porque mexe em três frentes delicadas ao mesmo tempo: tempo, custo e conflito territorial. Sempre que uma nova estrada exige remoção de imóveis, compra de áreas e reconfiguração de faixa de passagem, o debate tende a se tornar mais lento e mais caro.

A promessa da proposta é justamente encurtar esse caminho, embora isso ainda dependa de comprovação técnica e jurídica mais aprofundada, já que não basta a ideia parecer simples no papel para que se torne simples na execução.

O que já se sabe sobre custo e o que ainda não foi apresentado

Até agora, a proposta da estrada de dois andares para a BR-101 não veio acompanhada de uma estimativa oficial de investimento. Esse é um detalhe decisivo, porque qualquer discussão sobre viabilidade passa necessariamente por números concretos.

O que foi citado pelo parlamentar foi o valor estimado para a Via Mar, mencionado por ele em cerca de R$ 9 bilhões, como forma de comparar a dimensão financeira de alternativas pensadas para desafogar o trânsito na região.

A comparação com a Via Mar revela o sentido político da proposta: mostrar que, diante de um projeto de grande porte e custo elevado, poderia existir um caminho diferente a ser estudado sobre a própria BR-101.

Ao mesmo tempo, essa comparação também expõe a principal lacuna do debate neste momento. Quanto custaria a solução elevada ainda não foi informado, e sem esse dado a proposta segue mais forte como ideia de impacto público do que como plano fechado de engenharia.

A relação com a Via Mar e a disputa por uma saída para o congestionamento

A estrada de dois andares surge como alternativa ao projeto da Via Mar, que estuda a criação de uma nova rodovia com cerca de 145 quilômetros para aliviar a pressão sobre a BR-101. Isso significa que a discussão não é apenas sobre um desenho estrutural, mas sobre dois caminhos diferentes para enfrentar o mesmo problema: abrir uma nova rota ou ampliar a capacidade de circulação sobre o eixo já existente.

Essa diferença muda completamente o tipo de decisão que o poder público precisaria tomar. Uma nova rodovia pressupõe novo corredor, nova ocupação territorial e uma lógica mais expansiva de mobilidade. Já a proposta elevada sobre a BR-101 parte da tentativa de intensificar o uso do traçado atual.

Em outras palavras, o debate não é apenas sobre obra, mas sobre modelo de intervenção, sobre qual tipo de resposta o Estado pretende dar a um congestionamento que já se tornou um problema estrutural.

Os exemplos citados fora do Brasil e os limites do caso catarinense

Ao apresentar a proposta, o deputado mencionou exemplos de vias elevadas em cidades como Miami, Nova York e Seul. A referência serve para sustentar a ideia de que estruturas sobrepostas de circulação não são um conceito impossível ou puramente teórico. Em ambientes urbanos complexos, soluções desse tipo já foram utilizadas como forma de distribuir fluxos, reorganizar deslocamentos e ampliar a capacidade de tráfego em áreas densamente ocupadas.

Mas trazer exemplos internacionais para a BR-101 não resolve automaticamente a questão local. Cada corredor rodoviário tem características próprias de relevo, demanda, operação, manutenção, segurança e integração com acessos já existentes.

Por isso, o fato de a ideia existir em outros lugares não significa que ela seja automaticamente viável no litoral catarinense. Sem estudo oficial divulgado, a proposta ainda depende de análise concreta sobre estrutura, impacto no trânsito durante as obras, custo final e resultado prático para quem usa a rodovia.

O que está em jogo para a BR-101 a partir de agora

No estágio atual, a proposta da estrada de dois andares coloca a BR-101 no centro de uma discussão que mistura necessidade urgente de fluidez, pressão política por resposta rápida e busca por soluções visualmente fortes. Ela chama atenção porque rompe com o tipo mais comum de proposta rodoviária e porque tenta transformar uma faixa já saturada em base para uma ampliação vertical da circulação.

Ao mesmo tempo, a ausência de estudo oficial divulgado mantém a discussão num terreno que exige cautela. Há uma diferença importante entre abrir debate e comprovar viabilidade. A BR-101 precisa de solução, mas solução duradoura depende de mais do que impacto político ou apelo visual. Depende de projeto, cálculo, operação, segurança e clareza sobre o benefício real para quem enfrenta o congestionamento no dia a dia.

A proposta de transformar a BR-101 em uma espécie de corredor com dois níveis reposiciona o debate sobre mobilidade no litoral catarinense e força uma pergunta incômoda: vale mais insistir em novas rotas ou tentar reinventar a estrada que já concentra o problema? Entre ousadia e viabilidade, a discussão está apenas começando.

E você, acredita que uma estrada de dois andares seria uma saída real para a BR-101 ou acha que a solução passa por outro caminho?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x