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Uma mulher saiu para uma caminhada comum e acabou encontrando um tesouro enterrado há mais de 900 anos, com mais de 2 mil moedas de prata medievais comparadas por arqueólogos a um prêmio de loteria e considerado um dos achados mais significativos dos últimos anos no país

Escrito por Ana Alice
Publicado em 02/04/2026 às 17:04
Atualizado em 02/04/2026 às 17:06
Mulher encontra tesouro enterrado há 900 anos com mais de 2 mil moedas de prata medievais durante caminhada na República Tcheca. (Imagem: Ilustrativa)
Mulher encontra tesouro enterrado há 900 anos com mais de 2 mil moedas de prata medievais durante caminhada na República Tcheca. (Imagem: Ilustrativa)
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Uma caminhada comum em uma paisagem aparentemente sem surpresas acabou revelando um tesouro medieval escondido por séculos, com milhares de moedas de prata e pistas sobre um período de disputas, riqueza e silêncio arqueológico.

Uma caminhada por uma área arada da região de Kutná Hora, na República Tcheca, terminou com uma descoberta incomum.

Ao perceber moedas espalhadas na superfície e sob a terra, uma mulher comunicou o achado às autoridades.

O material recolhido reúne mais de 2.150 denários de prata do início do século 12 e passou a ser analisado por especialistas do Instituto de Arqueologia da Academia Tcheca de Ciências, em Praga, e do Museu Tcheco da Prata, em Kutná Hora.

O conjunto chama atenção não só pela quantidade de peças.

Também pesa o fato de que as moedas estavam guardadas em um recipiente de cerâmica, hoje quase destruído, mas ainda capaz de preservar o conteúdo ao longo de séculos.

Tesouro medieval achado na República Tcheca

A datação preliminar indica que o tesouro foi enterrado no primeiro quarto do século 12.

Segundo os pesquisadores, esse período foi marcado por disputas internas na dinastia Přemyslid pelo controle do trono principesco de Praga.

Nesse contexto, esconder valores em recipientes de cerâmica era uma prática compatível com momentos de instabilidade política e militar.

A região de Kutná Hora também ajuda a situar o achado.

Algumas moedas descobertas recentemente na República Tcheca - — Foto: Divulgação/Instituto de Arqueologia da Academia Tcheca de Ciências
Algumas moedas descobertas recentemente na República Tcheca – — Foto: Divulgação/Instituto de Arqueologia da Academia Tcheca de Ciências

De acordo com os especialistas, a área era atravessada com frequência por tropas ligadas a príncipes rivais, o que reforça a ligação entre o enterramento das moedas e um ambiente de tensão.

Em situações assim, quantias elevadas podiam ser ocultadas e permanecer esquecidas caso os proprietários não voltassem ao local.

A Academia Tcheca de Ciências classificou o conjunto como um dos achados mais significativos dos últimos anos no país.

Ainda assim, os pesquisadores evitam afirmar quem teria sido o dono do tesouro.

Pelas informações disponíveis, o que aparece com mais consistência é a relação entre o enterramento e o cenário político da época.

Moedas de prata ajudam a entender a Boêmia medieval

A análise inicial atribui as peças a três governantes Přemyslid: o rei Vratislau II e os príncipes Bretislau II e Bořivoj II, em um intervalo aproximado entre 1085 e 1107.

Segundo os especialistas, os denários foram cunhados na Casa da Moeda de Praga com prata importada para a Boêmia naquele período.

Além da prata, a liga metálica inclui cobre, chumbo e pequenas quantidades de outros elementos.

Esse dado é relevante porque pode ajudar os pesquisadores a identificar com mais precisão a origem do metal usado na fabricação das moedas.

Para isso, o conjunto ainda será submetido a exames laboratoriais mais detalhados.

Ao comentar o valor do lote, o arqueólogo Filip Velímský afirmou que faltam dados precisos sobre o poder de compra da moeda na passagem do século 11 para o 12.

Mesmo assim, ele declarou que se tratava de uma quantia inacessível para uma pessoa comum.

Em comunicado reproduzido pela Academia Tcheca de Ciências, o arqueólogo comparou o montante a um prêmio milionário de loteria, referência usada pela instituição para dimensionar a relevância econômica do conjunto.

O volume encontrado, somado ao contexto histórico, levou os especialistas a considerar possíveis vínculos com pagamento de tropas ou com espólios de guerra.

As instituições envolvidas, porém, não tratam essas possibilidades como conclusão definitiva.

Moedas foram encontradas durante caminhada – Instituto de Arqueologia da Academia Tcheca de Ciências (ARUP)
Moedas foram encontradas durante caminhada – Instituto de Arqueologia da Academia Tcheca de Ciências (ARUP)

O que se sabe sobre o tesouro enterrado por séculos

As moedas permaneceram sob o solo por um período estimado em cerca de 900 anos.

Segundo os pesquisadores, isso sugere que o responsável por escondê-las não conseguiu retornar ao local.

Essa interpretação aparece associada ao cenário de instabilidade da época, mas não é apresentada como certeza pelos arqueólogos.

Até agora, o que se sabe de forma documentada é que parte das peças já estava visível na superfície do terreno arado, enquanto outra parte ainda permanecia soterrada quando a equipe iniciou a vistoria com detectores de metal.

A documentação do ponto de descoberta foi tratada como uma etapa central do trabalho.

Na arqueologia, a posição dos objetos e os vestígios encontrados ao redor ajudam a reconstruir o contexto em que o material foi enterrado.

Por isso, a comunicação imediata às autoridades foi considerada importante para preservar o valor científico do achado.

Segundo a Academia Tcheca de Ciências, a informação repassada pela mulher que encontrou o material permitiu a chegada rápida dos arqueólogos ao local.

Com isso, foi possível registrar a distribuição das moedas e os restos do recipiente cerâmico antes que o contexto fosse alterado de forma mais profunda pelo uso do solo.

Exames podem revelar novas pistas sobre o achado

A etapa atual envolve registro, limpeza, restauração, fotografia, catalogação e identificação numismática das moedas.

O conjunto também deve passar por radiografias e análises espectrais, com o objetivo de determinar a composição metálica de cada peça.

Esse trabalho é conduzido por especialistas do museu e do instituto de arqueologia.

A partir desses procedimentos, os pesquisadores tentam reunir informações sobre a fabricação das moedas, a circulação de prata na Boêmia medieval e as condições em que o lote foi enterrado.

A expectativa divulgada quando o caso veio a público era de que o tesouro pudesse ser apresentado ao público no verão de 2025, integrado a uma exposição do Museu Tcheco da Prata, em Kutná Hora.

Até agora, porém, as fontes verificadas não confirmam com segurança a abertura de uma mostra específica dedicada a esse conjunto.

O material institucional consultado do museu destaca exposições permanentes e temporárias, mas não traz, de forma visível, referência direta à exibição pública desse lote de denários.

O achado amplia o conhecimento disponível sobre a circulação monetária e as disputas políticas na Europa Central medieval.

Ao mesmo tempo, mostra como um conjunto preservado por séculos ainda pode abrir novas frentes de investigação sobre períodos para os quais a documentação histórica é limitada.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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