A empresa alemã Ecoworks, sediada em Berlim, desenvolveu um método de renovação em série que escaneia edifícios antigos, cria réplicas digitais com precisão milimétrica e usa robôs para fabricar fachadas de madeira com isolamento e janelas integrados, que são encaixadas nas paredes sem necessidade de andaime e praticamente eliminam os custos com aquecimento dos moradores.
Uma empresa de Berlim está transformando a forma como prédios antigos são reformados na Alemanha, e o método que ela usa parece saído de uma linha de montagem industrial, não de um canteiro de obras. A Ecoworks escaneia edifícios por dentro e por fora usando tecnologia de mapeamento tridimensional, cria uma réplica digital de cada estrutura com precisão milimétrica e, a partir desses dados, robôs fabricam grandes painéis de fachada em uma fábrica. Os elementos chegam prontos ao local da obra e são encaixados nas paredes com uma plataforma elevatória, sem a necessidade de montar andaimes.
O resultado mais impressionante aparece depois da reforma: os moradores quase nunca mais precisam ligar o aquecimento. A eficiência do isolamento térmico instalado nos painéis é tão alta que os edifícios passam a operar próximos da neutralidade em carbono, consumindo uma fração da energia que gastavam antes. A empresa, fundada em 2019, já reformou dezenas de prédios, acumula patentes próprias e é apontada por especialistas como candidata a se tornar uma startup unicórnio, com avaliação superior a um bilhão de dólares.
Como a Ecoworks escaneia e digitaliza um prédio inteiro antes da reforma

Segundo informações divulgas pelo Canal Revista ntv, o processo começa antes de qualquer peça ser fabricada. A empresa envia equipes para escanear o edifício por dentro e por fora, capturando cada detalhe da estrutura em um modelo tridimensional. Paredes irregulares, ângulos fora de esquadro e deformações acumuladas ao longo de décadas são registrados com precisão milimétrica, criando uma réplica digital que funciona como base para todo o projeto de renovação.
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A partir desse modelo, os engenheiros da Ecoworks projetam os elementos de fachada e telhado que serão fabricados na planta industrial. Cada painel é desenhado sob medida para encaixar perfeitamente na parede do edifício original, eliminando as improvisações que caracterizam reformas convencionais. A digitalização prévia é o que permite que a produção em fábrica substitua o trabalho manual em canteiro, acelerando o processo e reduzindo erros que normalmente encarecem e atrasam obras de retrofit.
O que os robôs fabricam na fábrica e como os painéis são instalados

Na fábrica da Ecoworks, robôs constroem grandes painéis de madeira que já saem com janelas, isolamento térmico e tubulações integradas. Cada elemento é uma seção completa de fachada, pronta para ser transportada e fixada no edifício sem que os moradores precisem conviver com meses de obra, poeira e barulho de um canteiro convencional.
A instalação no local é feita com plataformas elevatórias que posicionam os painéis diretamente na parede externa do prédio. O processo dispensa andaimes, o que reduz custos, tempo de execução e transtornos para os moradores que continuam vivendo no edifício durante a reforma. Em uma obra convencional, a montagem de andaimes, a aplicação de reboco, a troca de janelas e a instalação de isolamento podem levar meses. Com o método da Ecoworks, o mesmo trabalho é concluído em uma fração desse tempo.
Por que os moradores quase não precisam mais ligar o aquecimento
A eficiência energética alcançada após a renovação é o argumento mais forte da empresa. O isolamento dos painéis fabricados em fábrica é tão eficaz que os edifícios reformados praticamente não precisam de aquecimento convencional, mesmo durante o inverno alemão. Ao mesmo tempo, a Ecoworks instala bombas de calor e painéis fotovoltaicos nos telhados, completando a transição para um sistema de energia renovável que torna o prédio neutro em carbono.
Para os inquilinos, o efeito prático é uma redução drástica na conta de energia. Em um país onde os custos com aquecimento representam parcela significativa das despesas habitacionais, a economia gerada pela reforma pode tornar a moradia mais acessível no longo prazo, compensando eventuais aumentos de aluguel associados à valorização do imóvel. Os próprios moradores relatam que, após a intervenção, raramente acionam o sistema de calefação.
O mercado bilionário que a Ecoworks quer conquistar
O potencial da renovação em série na Alemanha é imenso. Especialistas estimam que seriam necessários 2.700 bilhões de euros para modernizar todo o parque imobiliário do país e atingir os padrões de eficiência energética desejados. A Ecoworks gerencia atualmente 25 projetos de reforma, uma fração minúscula desse mercado, mas investidores como o World Fund, um dos principais fundos europeus de capital de risco voltado à proteção climática, apostam que a empresa pode escalar rapidamente.
A concorrência existe, mas ainda é limitada. A Renovate, joint venture germano-austríaca, também trabalha com soluções completas de renovação em série. Porém, muitas construtoras tradicionais continuam preferindo o método convencional com andaimes e mão de obra intensiva, o que, segundo Nils Bohrmann, do Centro de Competência para Remodelação em Série da Agência Alemã de Energia, é uma das razões pelas quais o setor de construção não está atingindo as metas de redução de CO₂ do governo federal.
O que a renovação em série pode ensinar ao resto do mundo
A abordagem da Ecoworks resolve um problema que não é exclusivo da Alemanha. Edifícios antigos com isolamento precário existem em todos os países de clima frio ou temperado, e a necessidade de reduzir emissões de carbono no setor de construção é global. O modelo de digitalização, fabricação robotizada e instalação rápida pode ser replicado em qualquer mercado que tenha estoque de prédios envelhecidos e metas ambientais a cumprir.
Bohrmann destaca que os custos da renovação em série diminuem à medida que os projetos aumentam de escala, o oposto do que acontece em reformas convencionais. A empresa já acumula prêmios desde sua fundação e a perspectiva de se tornar unicórnio demonstra que o mercado financeiro enxerga viabilidade no modelo. Para os fundadores, ser copiado por concorrentes é o maior elogio possível, porque significa que a industrialização da reforma de edifícios está finalmente saindo do laboratório e entrando na escala que o clima do planeta exige.
Você acha que esse método de renovação com robôs e fachadas pré-fabricadas poderia funcionar no Brasil, ou as condições climáticas e construtivas são diferentes demais? Conte nos comentários o que pensa sobre a ideia de reformar prédios inteiros sem andaime e praticamente zerar os custos com energia.


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